Alice acordou cansada depois de um dia cansativo que havia sido o de ontem. Ela, Fernando e Olívia haviam inaugurado uma balada de luxo, uma das maiores da capital, anunciada no mundo todo. O evento havia sido tão grandioso que muitos ídolos do mundo vieram curiosos para conhecer a mais nova casa de shows de luxo, Ale Elite.
— Bom dia, filha.
Sua mãe entra com uma xícara de leite quente, preocupada com a filha, já que sabia que ela havia chegado muito tarde.
— Bom dia, mãe. Não precisava — ela diz, se levantando e pegando a xícara quentinha.
— Filha, eu sei que você deve estar cansada. Esses dias você vem trabalhando tanto. Ontem seu pai me contou que sua balada foi um sucesso. Estou tão orgulhosa. Estou vendo você crescer tanto, sozinha, sem ao menos pedir ajuda de seu pai. Mesmo eu, com sua idade, ele me ajudou muito, mas agora vejo você tão independente.
Alice toma um gole do leite quente, feliz em ter ali sua mãe para mimá-la.
— Obrigada, mãe, pelo leite quentinho. Está uma delícia. E, sobre a balada, aprendi muitas coisas com o Zaid no tempo que estive lá. Ele me ensinou muito.
Alice toca no nome dele e sente um aperto no peito. Havia tido notícias de que Zaid não era mais o príncipe de lá, que seu pai o havia destituído, e agora ele estava por aí. Ela se preocupava, pensando em como ele deveria estar depois de tudo, sozinho, já que sua mãe estava ali. Sentia pena dele e uma vontade imensa de poder consolá-lo.
— Filha, você está bem? — Liz pergunta, vendo-a pensativa.
— Estou sim, mãe — Alice mente, distraída com seus pensamentos.
— Que bom. Tome seu leite e levante. Hoje vamos almoçar com seu irmão e a esposa dele. Eles querem dar uma notícia. Eu e seu pai não vemos a hora de saber do que se trata. Ele deixou claro que era uma notícia boa.
Alice sorri, feliz por ver o brilho nos olhos de sua mãe.
— E a Aline, mãe? Já voltou do Brasil?
— Ainda não. Disse que só vem no final de semana. Sua irmã não tem jeito. Bom, vou deixá-la agora. Seu pai me espera para caminharmos juntos pelo jardim agora de manhã. Fazemos isso quase todos os dias.
— Vai lá, mãe — Alice diz, sorrindo, vendo sua mãe sair.
Mas ela acaba voltando a pensar em Zaid. Seus olhos sérios para ela, seu jeito frio, mas que sempre cuidava dela, sempre preocupado. Agora ele estava por aí. Ela só esperava que ele estivesse bem, só isso que queria.
Então, seu telefone tocou. Ela olha o número desconhecido. O número toca umas cinco vezes; na sexta vez, ela atende.
Mais ninguém fala nada. Ela só escutava o som da respiração do outro lado.
— Alô! Quem é? Oi! Não vai dizer nada? Vou desligar, então.
Ela continua falando, mas a pessoa não responde.
— Oi! Fala? Por que está me ligando?
Mais ninguém do outro lado fala. Só se ouve a respiração. Então, ela pega o celular e desliga.
— Brincadeira sem graça. Acham que não tenho nada para fazer...
Ela desliga o celular, irritada, se levantando, e vai tomar um banho e se arrumar. Como já tinha bebido leite, resolveu trabalhar através do computador. Ela pega o notebook e começa a responder os e-mails. Rafaela havia mandado vários documentos para ela analisar e assinar.
Logo que deu o horário do almoço, ela encerra e desce. Lá na sala, encontra seu irmão e a esposa.
— Irmão... — Alice diz, abraçando ele. — Que saudades! Oi, cunhada — e vai abraçá-la também.

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