Liz
Acordo sonolenta, estranhando a cama macia demais, os lençóis com um toque suave. Olho ao redor do quarto, ainda com um pouco da claridade do abajur aceso, sem reconhecer o lugar. Respiro nervosa e preocupada, já que não lembrava como havia chegado ali.
A única coisa de que me recordava era estar no carro, trocando mensagens com a Geovana.
Levanto-me aliviada por ainda estar vestindo a mesma roupa, mas minha barriga ronca, denunciando que eu havia dormido demais e estava com fome. Vou ao banheiro e encontro todas as minhas coisas já organizadas em seus devidos lugares. Tomo um banho e escovo os dentes.
Ao sair, observo o closet: roupas de grife perfeitamente organizadas, junto das minhas. Reparo também que não havia nada dele ali — apenas minhas coisas. Após me arrumar, saio do quarto e olho ao redor.
O apartamento era impecável. A porta ao lado do meu quarto estava com a luz acesa, o que me deixou curiosa, imaginando se seria o quarto dele.
Mas minha barriga ronca novamente, lembrando-me de que eu precisava comer. Desço e vou direto para a cozinha. As luzes se acendem automaticamente conforme caminho, revelando um ambiente lindo, sofisticado. Já devia ser tarde pelo jeito.
Entro na cozinha encantada com tanto luxo. Começo a procurar algo para comer. Abro os armários e encontro de tudo. Pego um pacote de pão, encontro uma frigideira e começo a fritar um ovo.
Montei o pão com alguns molhos que achei na geladeira, coloco o ovo e me sirvo de um suco de uva integral que já estava aberto — achei que não haveria problema em pegar.
Sento-me para comer, observando e admirando cada detalhe daquele apartamento.
Nunca passou pela minha cabeça entrar em um lugar assim, tão chique. Tudo ali demonstrava um luxo completamente diferente da minha vida.
Estou tão distraída que, ao sentir algo em meu pescoço, grito assustada e pulo da cadeira.
— Ah!!!
Escuto uma risada. Uma risada que eu jamais imaginei ouvir pessoalmente.
Ele estava parado ali, me observando, sorrindo de mim. Seus cabelos ainda estavam molhados e alinhados. Não usava roupas sociais — estava vestido de forma simples: camiseta branca que realçava seus braços fortes e uma bermuda preta leve. Sem relógio, sem joias… diferente do homem que eu costumava ver.
E ainda mais bonito.
Meu coração dispara. Minhas bochechas queimam de vergonha pelos pensamentos indevidos. Ele me encara com intensidade.
— Peguei uma garotinha comendo escondida — diz em tom debochado, mas não bravo, o que me deixa aliviada. Achei que levaria uma bronca.

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