Bryan
Como eu esperava, o senhor Bartolomeu já nos aguardava com sua filha, Maria.
— Senhor Bartolomeu — digo, indo cumprimentá-lo, e cumprimento também sua filha, que, por sinal, era muito bonita.
— Olá, senhor Bartolomeu. Sou Henrique, eu que sempre conversava com o senhor pelo celular — Henrique o cumprimenta e, em seguida, fala de Juana, minha secretária.
— Prazer, senhora Juliana. Tenho certeza de que hoje vamos nos divertir — o velho diz, olhando para ela.
Henrique se senta, eu me sento ao seu lado e Ju se acomoda ao meu outro lado. Não gosto dessa proximidade, mas estamos em uma reunião — não era conveniente brigar por besteira.
Logo, a porta se abre e uma mulher entra com outras duas garotas… mas meus olhos param em uma única pessoa.
Liz.
O que ela estava fazendo ali? E por que estava vestida assim… como assistente de atendimento VIP?
Uma fúria me consome. Minha vontade era levantar e tirá-la dali à força.
— Boa tarde, senhores. Sejam bem-vindos. Sou Gilda, e essas são Liz e Lívia. Estamos aqui para ajudar no que for preciso.
Então, a filha do senhor Guilherme fala. Henrique já havia me falado muito bem dela.
— Obrigada, Gilda. Podem trazer o mesmo de sempre. Tragam um bom vinho… e, para o senhor Bartolomeu, um uísque. Ele estava comentando agora há pouco que hoje vai beber — Juliana diz, já que sempre organizava isso nas reuniões.
— Ok. Vamos, meninas. Vão buscar para servi-los — Gilda ordena.
Nossos olhos se encontram mais uma vez. Ela me observa… e vejo como olha para Juliana.
— Vamos… — Gilda chama a atenção delas.
As duas saem. Henrique me olhou curioso, talvez querendo perguntar como ela estava ali, já que trabalhava na faxina.
— Gilda, é a primeira vez que vejo essas funcionárias aqui. Aconteceu algo com as outras? — Henrique pergunta, desconfiado.
Ela fica nervosa e olha para Juliana.
— Elas pediram para fazer horas extras… e, como faltaram as duas assistentes de hoje, chamei essas meninas. Agi errado? — pergunta, tensa.
Henrique me olha.
— Deixe isso para depois. Viemos tratar de outros assuntos — digo, voltando a atenção ao senhor Bartolomeu, que sorri.
— Verdade, garotos. Eu até gostei das garotinhas… são muito lindas — ele comenta.
Sinto ódio crescer dentro de mim. Não sabia se conseguiria suportar ver Liz ali, na frente dele… ainda mais com aquele vestido justo, que a deixava ainda mais… atraente.
— Então, trouxe algumas peças para o senhor olhar. Essas nunca foram mostradas a ninguém — ele diz. — Maria, mostre as joias.
Ela sorri, coloca uma maleta preta sobre a mesa e, ao abri-la, revela cinco joias com cristais de design único. Tenho certeza de que apenas uma delas valia mais de quinhentos milhões.
— Meu Deus… que lindas — Juliana comenta, admirada. Ela também entendia de joias e moda.
— Meu pai sempre dá o seu melhor. Essas são únicas — Maria diz, orgulhosa.
A porta se abre novamente.
Liz entra.
Meu corpo inteiro reage.
— Podem servi-los — Gilda ordena.
Liz se aproxima. Seu perfume me atinge primeiro… e, de repente, aquelas joias não significam nada.
— Senhores, desejam vinho? — pergunta, com a voz levemente trêmula, evitando me olhar.
— Eu quero — peço, observando cada movimento dela.
Ela pega uma taça, me entrega, depois abre uma garrafa de vinho italiano — um dos mais caros do hotel — e me serve com cuidado, sem derramar uma gota. Sua postura… profissional, distante… me irrita e, ao mesmo tempo, me prende.
— Também quero — Juliana diz.
Liz pega outra taça e serve Ju com o mesmo cuidado.

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