Liz
Meu coração ainda batia acelerado pelo beijo. Olho para ele conversando com os seus homens; queria descobrir o que era tão importante assim. Olho para a pintura de novo enquanto ele conversava, tiro muitas fotos enviando para Geovana e Amanda. Posto também nas redes sociais. Quando teria outra oportunidade de visitar aquele lugar de novo? Algumas que tinha postado no hotel já tinham muitas mensagens, comentários de muitas pessoas, das meninas da minha cidade, dos garotos, até do Rodolfo, o queridinho da minha irmã. Ignoro todos; os que agradeço são só as pessoas que me defendiam e gostavam de mim.
— Muitas mensagens? — ele pergunta desconfiado, me olhando.
Sorrio, guardando o celular e olhando-o.
— Só algumas. Disse provocando-o.
Ele olha em meus olhos ferozes; dava para ver o quanto está desconfortável.
— Vamos — fala por fim, me puxando para ele. Sua mão alisa meus cabelos com gesto carinhoso, me surpreendendo.
— Sim.
Caminhamos para fora. Entro no carro e logo em seguida ele entra. No caminho não falo mais nada; o carro segue. Quando estou olhando, percebo que a gente não havia feito esse percurso. Mesmo assim, só observo a paisagem lá fora. Quando reparo que estamos em um grande portão, o carro está esperando a liberação para entrar e meu coração acelera: medo, angústia.
Por que havia me trazido para aquele lugar? Parecia mais uma fortaleza. Então olho para ele, nervosa.
— Para onde está me levando? — questiono a ele.
— Para a mansão dos Bellucci — responde calmo.
— Para… man… mansão…
Ele sorri, me vendo nervosa.
— Não se preocupe, meus pais só querem te conhecer, nada de mais.
Nada de mais, penso. Um cara milionário com uma mulher que não tinha nem onde cair morta, com um passado monstruoso… eles nunca permitiriam seu filho querido comigo. Mesmo sabendo que entre eu e ele era só um contrato, eles não deveriam estar gostando de me ver ali.
— E o hotel?
— Depois resolvemos isso. Acho melhor você ficar aqui mesmo comigo. Não gosto que meus seguranças fiquem assim tão perto de você.
Ele ainda estava visivelmente chateado com o segurança sentado perto de mim.
A entrada é liberada. Quando entramos, vejo o quanto era lindo ali dentro. A mansão parecia mais um castelo de tão grande que era. Meu coração batia freneticamente. O carro para; ele desce e logo abre a porta para eu descer também.
— Venha.
Ele entra e sigo perdida e me sentindo estranha no meio daquela mansão. Me sentia em outro mundo, um que não fazia parte do meu. Ele caminha como sempre, sua presença dominante, seus ombros largos, sempre com roupas impecáveis, o relógio que deveria custar uma fortuna. A mansão exalava poder. Então uma figura aparece de outro cômodo me olhando com muita curiosidade. Seus olhos lembravam muito os de Bryan; ele só não era tão alto e forte como ele.
— Chegou, irmão — fala animado para Bryan. — Então é essa garota? — ele me olha sorrindo, seus olhos pareciam conter muita malícia.
— Oi, irmãozinho. Ela é minha garota; vê se mantenha distante dela — avisa com aquela voz ameaçadora.
— É uma ameaça, irmão?
— Se acha que soou como ameaça, então deve ser, não é mesmo?
Um senhor com os cabelos grisalhos sendo empurrado na cadeira de rodas por uma mulher da mesma idade, mas linda. Dava para imaginar que se tratava da mãe do Bryan e do pai. Eles me olhavam com curiosidade, mas havia outra coisa também, algo que parecia não gostar da minha presença.
— Então é essa garota que trouxe para brincar aqui? Como acha que pode comandar uma máfia? Acha mesmo que eles vão aceitar alguém que vive só se divertindo por aí com mulheres? — o pai dele grita, se levantando da cadeira com dificuldade.
— Calma, querido, deixe ele explicar.

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