Bryan
Recebo uma ligação do hotel onde a Liz está hospedada e atendo de imediato, preocupado em ter acontecido algo com ela.
— Bom dia, senhor. O Maicon acabou de avisar que a garota quis sair para dar uma volta e agora pararam em um restaurante perto do hotel para almoçar.
— Entendo, passe a localização, ordeno.
— Ok, senhor, já passo.
— Há mais uma coisa: entre em contato com o Henrique. Mandei investigar sobre a família dos Conti. Quero saber por que meus pais querem tanto que eu me case com essa garota.
— Ok.
Desligo e vou direto pegar meu carro.
— Vai sair? Meu irmão me encontra na saída, desconfiado, me olhando.
— Oi, Brendo. Ainda em casa? Achei que já tivesse saído por aí com aqueles seus amigos.
— Até ia, mas por sua causa não vou. Papá acha que tenho que ficar de olho em você.
— Entendo, boa sorte — falo frio, ignorando ele e saindo.
Os seguranças já estavam me esperando. Alguns da residência recebiam ordem direta do meu pai, me deixando desconfiado. Por que ele queria tanto me vigiar? Ordeno que meus homens entrem e vamos. Não demorou muito para encontrar o restaurante em que a Liz estava. Desço, meus homens fazem o mesmo.
— Não precisa, podem esperar aqui mesmo. Melhor não chamar tanta atenção neste lugar.
— Mas, senhor, estamos… — ele ia falar Itália e eu corto.
— Não precisa. Sei muito bem onde estamos. Ninguém ousará mexer com a gente aqui — disse confiante. Mesmo tendo muitas rivalidades de máfias ali, não seria em um restaurante que encontraria alguém que quisesse me matar. E, mesmo se encontrasse, sabia muito bem me defender.
Caminho para o interior procurando-a. Meus olhos a encontram, ela como sempre linda, sentada com seus cabelos soltos. Mas, ao vê-la conversando com o Maicon e, entre sorrisos, aquilo me fez enlouquecer. Como um mero segurança ousa ficar assim com tanta intimidade com minha mulher?
Caminho pelo restaurante. Todos me olham, uns querendo saber de quem se tratava, outros já deveriam ter me reconhecido. Eu era muito conhecido aqui. A família Bellucci era uma das mais ricas, com muitas empresas e propriedades, uma família poderosa. Possuímos até rede hospitalar, além de diversas lojas de carros de luxo, hotéis e farmácias. Particularmente, aquela esquina toda me pertencia.
Meu segurança me vê e automaticamente se levanta em um pulo. Meus olhos pareciam brasas de tanto ódio e ele provavelmente deveria ter se tocado.
— Olá, senhor — ele me cumprimenta com a cabeça baixa, sem ter coragem para me encarar.
— Oi. Ele não fez nada, só está aqui me fazendo companhia. Eu que o obriguei a se sentar, não o culpe — Liz diz, o defendendo, me deixando com mais raiva.
— É mesmo? Agora ele te obedece, garota? — ela me olha sem entender, seus olhos confusos e preocupados com as pessoas à volta olhando.
Me sento ao seu lado, encostando meus lábios no ouvido dela.
— Quando chegar no hotel, juro que vou te punir por estar conversando e sorrindo para outro homem.
Seus olhos se arregalaram, assustados, e me divirto com aquilo. O segurança se retira.
— Isso não faz parte do contrato — ela diz, brava.
— Diz que você é minha até encerrar o contrato.
Ela me olha brava, abaixando os olhos para a mesa. Sabia que havia ficado irritada, mas eu deveria mostrar para ela que não toleraria que ficasse próxima de outro homem.
Ficamos um pouco ali. Ela me evita, comendo a comida. Olho para ela e lembro da nossa noite. Queria pegá-la e levá-la agora mesmo àquele hotel e fazê-la minha, mas não dava para fazer isso ali, no meio de tantas pessoas que nos observavam.
— Vamos? — falo por fim, vendo que ela havia comido tudo já.
— Não vai comer? — pergunta por fim, quebrando a distância que havia feito depois que falei daquele jeito com ela.
— Já comi com meus avós.
— Ah… entendi — disse, desviando os olhos para a rua.
— Quer fazer algo?

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