Liz
Acordo sentindo-me um pouco dolorida. Viro-me e o vejo dormindo. Ele dormiu tão profundamente como nunca havia visto. Bryan sempre acordou antes de mim… ou nem deveria ter permanecido na mesma cama a noite toda.
Mas hoje ele está ali, do meu lado. Seu rosto relaxado estava tão vulnerável.
Levo uma de minhas mãos até seu rosto, contornando de longe os traços perfeitos e marcantes. Ele parecia ter saído de algum filme. Como podia ser tão lindo? Traços fortes, os cílios perfeitamente desenhados…
Não resisto e tento tocá-lo.
— Eu… eu… — fico sem graça, virando para o outro lado, tímida por ter sido pega no flagra.
— Você queria me tocar, é isso? — pergunta, me jogando na cama e ficando em cima de mim.
Seus olhos me olhavam curiosos, me analisando.
— Não é isso… eu… só…
Antes que eu termine, ele ri. Uma risada relaxada. Ele nunca sorriu assim antes.
— Me dê sua mão!
Ele pega minha mão e a leva até seu rosto.
— Pode tocar. Gosto de sentir seus toques — diz, sem nenhuma vergonha.
— Não quero — puxo minha mão, ficando sem graça e me afastando dele.
— Entendo — fala, sorrindo para mim. — Bom, vá se arrumar para tomar café.
Ele se levanta e sai do meu quarto.
Quando ele sai, sinto um alívio. Estava brava comigo mesma. O que ele pensaria de mim? Droga… era só um contrato. Logo poderei voltar à minha vida e ele continuará com a dele. Agora que tenho dezoito anos, posso morar sozinha e trabalhar muito para um dia ter minhas coisas.
Dois dias se passaram tão rápido.
Neles, não vi mais Bryan, que mal ficava na casa dos pais. Fora o clima pesado que existia naquela casa. A mãe dele sempre me perguntava sobre seu filho, mas eu sempre respondia a mesma coisa: que não sabia, que não o via desde o dia do jantar.
— Filha, aí está você.
— Bom dia, senhora Carol.
— Então, viu Bryan ontem?
— Não, senhora. Ele também não respondeu minhas mensagens. Deve estar muito ocupado.
— Entendo, filha… Ele vai me evitar assim depois que defendi o pai dele.
Fico sem entender por que Bryan havia brigado com seus pais. Percebi que tinha acontecido algo naquela noite, só não tive coragem de perguntar o que havia acontecido. Talvez tivesse medo de ele simplesmente falar que não era da minha conta.
— Achei que você fosse próxima dele. Acho que me enganei — diz ela, se despedindo.
Ando pelo jardim pensando no que ela havia acabado de falar. Realmente não era próxima dele e muito menos sabia o que ele fazia.
Caminho entre as árvores. A paisagem era tão linda que às vezes até me esqueço que não pertencia àquele mundo.
Um sonho… uma aventura que algum dia será apenas uma mera lembrança.
— Está perdida, gracinha?
Assusto-me com uma voz grossa e olho para trás.

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