Liz
Chegamos ao Brasil, e vinhemos direto para o apartamento dele. Ele apenas me deixou e saiu; parecia estar com muita pressa. Já estava tarde. Elisabete deixou tudo pronto e foi embora.
Me jogo na cama depois de uma viagem de quatorze horas dentro daquele avião, fora as de carro. Mesmo com todo o conforto, ainda assim me sentia exausta.
Acordo com meu celular tocando. Pego e atendo ainda sonolenta.
— Alô!
— Liz, amiga! Quando você volta? Estamos com tanta saudade. Meu aniversário já é na semana que vem, você não vai faltar, né? Vamos comemorar naquele karaokê, lembra? Sempre comemoramos juntas os aniversários. As meninas da escola vão estar lá, fora o Arthur e o Tiago.
Encontrei eles esses dias e convidei. Lembra que você ficou com o Arthur? Ele falou que você foi a única garota de quem ele gostou.
— Bom dia pra você também, Geovana — falo rindo pela animação dela.
— Bom dia, amiga. Diz que vem? Promete que vem?
Ela me deixava doida com as coisas dela. Sempre tinha que ir para suas invenções.
— Não posso garantir que vou, mas prometo que vou fazer de tudo para estar aí! Satisfeita? — digo, sorrindo.
— Não... Se você não vier, juro que ficarei muito magoada.
Sorrio dela.
— Prometo que tentarei ir. Agora me conte, como estão as coisas aí?
— Ah! Como sempre, trabalhando muito. Seu pai ainda não ligou? Passei seu número para ele.
— Não... estranho. Ele estava tão preocupado em saber onde eu estava. Não me ligou ainda.
— Sua irmã está namorando um carinha, parece que tem dinheiro. Ela vem em um carrão. O cara é bonito, hein.
— Ela deve estar tentando dar o golpe.
— Foi o que pensei. E você, ainda na Itália?
— Não. Cheguei ontem à noite no Brasil. Estou aqui no apartamento do Bryan.
— Hum... Bryan, é?
— Kkk, sua besta! Ele só me salvou, só isso. Não temos nada sério.
— Entendo. Mesmo assim, aproveita. Seu Bryan é muito gato. Que homem, hein Liz! Vi algumas fotos. Nossa, nunca imaginei que fosse um homem como esse que você tinha falado que te ajudou.
— Ele é lindo mesmo, kkk. Vamos mudar de assunto. Não quero que ele escute falando dele.
— Meu Deus, kkkk.
— Para! Kkk.
— Tá bom, amiga. Vou voltar para o trabalho. Vê se cuida e me liga. Você ultimamente não está me respondendo.
Desligo depois de nos despedirmos. Me levanto e vou fazer minhas higienes pessoais. Visto uma roupa confortável. As roupas que Bryan comprou eram todas sofisticadas e muito caras. Às vezes me sentia estranha com elas e tentava usar somente algumas mais simples que achava.
Desço para tomar café.
— Bom dia, senhora — Elisabete fala ao me ver entrar na sala.
— Bom dia, Elisa. Como a senhora está?
— Estou bem. E você, aproveitou a viagem com o patrãozinho?
Fico sem graça de responder.
— Sim... — digo tímida.
— Venha, tome café. Fiz muitas coisas para vocês, mas o senhor saiu cedo. Não ficou para tomar café.
Ele já tinha saído. Ontem mal chegou e saiu, e hoje nem o café tomou. Sinto um incômodo. Algo dentro de mim me estava chateada, mas ele não devia nenhuma satisfação para mim.
— Entendi. Bom, vou provar essas guloseimas que só a senhora sabe fazer — digo, pegando uma bolachinha amanteigada com goiabada.
Havia almoçado, mas Bryan não veio de novo.
Fico andando de um lado para o outro sem ter o que fazer. Queria voltar a trabalhar. Precisava fazer algo.
Ele em nenhum momento falou que eu não posso sair. Peço para Geovana me enviar um currículo meu atualizado. Então me arrumo, pronta para sair pela cidade e entregar alguns currículos.
Precisava pensar no futuro. Quando ele se enjoar de mim, teria algo pelo menos: um trabalho, algo para conseguir alugar alguma quitinete na minha cidade.
— Senhora! Vai sair? — Elisa pergunta ao me ver arrumada.
— Vou sim, Elisa. Já mandei mensagem para o Bryan que iria sair, mas se ele chegar você pode avisar que saí para entregar alguns currículos. Quero voltar a trabalhar — digo.

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