Liz
Termino meu expediente e desço para o vestiário. Guardo o carrinho, organizo tudo e me sento, esperando as meninas terminarem também.
Aproveito para olhar minhas mensagens.
— Amiga, você nunca me responde, não liga para mim… está tudo bem? Não esquece do final de semana que vem, meu aniversário — Geovana havia mandado várias mensagens, principalmente essa, me lembrando do aniversário.
Então respondo:
— Não me esqueci, Ge. Vou estar aí sem falta, prometo…
Tinha outras mensagens, e uma de um remetente desconhecido me chama atenção.
— Onde você está? Por que mudou de número? Nosso pai está te procurando há dias. Sua amiga passou seu contato errado, tivemos que nos virar para conseguir esse. Papai quer te ver, então faça o favor de vir o mais rápido falar com ele…
Não tinha nome, mas só de bater os olhos naquela mensagem eu já sabia de quem se tratava: Cristiana.
— Mas o que eles pensam que são para querer que eu vá encontrá-los? O que eu tenho a ver com aquele homem?
Ainda assim, a curiosidade de saber o que ele queria comigo era grande… e também o motivo de ela parecer tão desesperada para me encontrar.
— Oi, Liz, já terminou? A Valéria mandou esses uniformes para nós nos trocarmos. Disse que podemos tomar banho e nos arrumar. A reunião será daqui a uma hora, ainda temos tempo de descansar um pouco — diz Lívia, entrando com duas sacolas na mão.
— Obrigada, Lívia — respondo, desligando o celular. Não queria saber mais nada daquelas pessoas.
— Aí estão vocês — diz Bruna, entrando e se sentando ao meu lado.
— Oi, Bruna. Terminou agora? Você ficou com a pior área, né? Sempre é mais lotado aquele andar.
— Verdade, mas tá bom. Vou para casa descansar, amanhã tem mais, né? — diz, sorrindo divertida.
— Vai lá. Nós só vamos depois da reunião — Lívia fala, se sentando também.
— Verdade. Esses caras costumam fazer reunião e beber muito… mas quando são mais velhos. Espero que vocês tenham sorte — Bruna diz, se levantando. — Vou me trocar. Meninas, bom trabalho.
— Obrigada, Bruna — digo.
— Obrigada — Lívia responde animada. — Vamos, Liz?
Balanço a cabeça, concordando, e seguimos para nos arrumar.
Rapidamente tomo meu banho e visto um vestido que vai até as coxas. Não era tão curto — era a cinturado e bem elegante. Colocamos meias pretas com sapatilhas pretas e amarramos nossos cabelos em rabo de cavalo.
Lívia se maquia e me ajuda também. Claro que não deixo ela exagerar — nunca gostei de muita maquiagem. Para mim, uma base, um rímel e um gloss já estavam ótimos.
— Você está linda, Liz — ela diz, me olhando.
Olho para nós no espelho, me observando com aquele uniforme, e me sinto um pouco insegura. O vestido era lindo e elegante, com o nome do hotel bordado de forma delicada… mas eu queria algo mais discreto, algo menos sensual.
— Você também, Lívia. Mas achei esse uniforme um pouco justo demais, não?
— Que nada. Todas as garotas que trabalham nessas áreas se vestem assim. É que você ainda não foi para outras áreas do hotel. Geralmente elas ficam recebendo os clientes, mas, atendendo de perto — como vamos fazer — precisamos estar bem arrumadas, não é mesmo?
Lívia fala empolgada, se olhando a todo momento no espelho.
— Você tem razão… — digo, me olhando mais uma vez.
Aqui está seu texto revisado, corrigido e com mais fluidez, mantendo sua emoção e intensidade:
Eu e a Lívia ficamos sentadas, esperando dar o horário. Ela me conta mais sobre a vida dela, e eu conto um pouco da minha… que fui criada pelo meu pai, por uma madrasta que me odiava e por uma meia-irmã. Mas ninguém lá me tratava bem… eu era mais uma empregada do que alguém da família.
Ela fica tão triste por mim… chega a sentir pena.
— Nossa, Liz… como você sofreu com essas pessoas. E que pai você tem, hein? Deixa a madrasta judiar da própria filha? — ela diz, inconformada, me fazendo lembrar do que ele teve coragem de fazer comigo.
Algo que eu tinha até vergonha de contar para alguém…
Meu pai… meu próprio pai me vendeu.
Me vendeu para um bordel.
— Oi, meninas, já estão prontas? — Valéria pergunta, entrando no vestiário.
— Oi, já estamos sim — Lívia responde, se levantando, e faço o mesmo.
— Então vamos, me sigam. Os clientes já chegaram, acabaram de ser acomodados na ala VIP. Quero que não deixem faltar nada para eles: os copos sempre cheios. Se quiserem algo… se possível, até massagem podem fazer — ela diz, me deixando surpresa.
— Como assim? — Lívia pergunta. — Até massagem?

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