Liz
Quando chegamos, ele estaciona e desço.
— Senhora, essa casa é de algum familiar? — ele pergunta.
— Dos pais da minha amiga. Ela mora aí. Bom, obrigada, Xavier — digo, descendo e indo em direção à casa.
Estava com o presente dela na bolsa. Não sabia se dava agora ou depois da festa.
Toco a campainha, e logo a senhora Francisca abre a porta, me recebendo com um lindo sorriso, feliz em me ver.
— Oi, querida! Quanto tempo! — a mãe da Ge sai me abraçando.
— Oi, senhora, quanto tempo mesmo. A senhora está linda como sempre.
Ela sorri, me apertando em seus braços.
— Minha querida, como sempre tão gentil. Eu sei que já estou ficando velha, mas você… como cresceu! Sua mãe teria ficado muito orgulhosa em ver a filha uma moça linda.
— Obrigada — digo, tímida.
— Venha, entre.
Entro com ela. A casa ainda continuava do mesmo jeito da última vez que vim aqui.
— Quer beber alguma coisa? Já tomou café, querida?
— Ainda não.
Ela sorri, me olhando com preocupação, como sempre fazia. Ela sabia como era minha vida… sabia o quanto eu trabalhava para ter minhas coisas, enquanto minha meia-irmã e sua mãe viviam no conforto, com roupas caras, esbanjando dinheiro na cidade. Meu pai era muito conhecido aqui.
Ela me leva até a cozinha e começa a servir o café para mim, colocando tudo à mesa. Então tomo e fico conversando um pouco com ela.
Logo a Geovana desce, e nos abraçamos.
— Amiga, que saudade! Nossa! — ela se afasta e fica me olhando. — Como está linda! Sua pele, seus cabelos… vejo que está aproveitando bem — diz, sorrindo.
— Um pouco — digo, envergonhada, com a mãe dela ainda ali.
— Me conta tudo! Fala como foi viajar para fora do país. Nossa, que inveja!
— Ah… é outro país. No começo nos sentimos deslocadas, ainda mais porque quase ninguém fala nossa língua… mas os lugares… bom, o pouco que conheci… nossa, é muito lindo. Outro mundo! As lojas, as vendinhas… não pude sair muito, mas andei um pouco nas ruas, e só esse pouquinho já aproveitei muito — digo, empolgada.
— Vamos subir! Aí você pode me contar tudo, sem esconder nada, mocinha, kk.
Sorrio, e sua mãe nos encara, curiosa também.

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