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O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos ) romance Capítulo 101

Rayra estava esgotada. A imagem do sacrifício de Victor, em vez de trazer alívio ou gratidão imediata, apenas a afundava em um poço ainda mais profundo de desespero. Seus sentimentos haviam se tornado irrelevantes diante da catástrofe.

Ela continuou mantendo a distância. Os monitores no quarto marcavam uma recuperação física constante, mas por dentro, Rayra era um vácuo.

Ela estava sem celular, sem dinheiro e sem saber por onde começar. A ideia de recomeçar, de ser resiliente e forte, como a esperava, não fazia sentido.

O passado (o trauma com o ex), o presente (o tiroteio) e o futuro (seus sonhos e metas) haviam se fundido em um imenso vazio gelado. Existir doía. Ela não via propósito em lutar, em se levantar daquela cama.

Victor estava em uma agonia diferente. Embora tivesse recebido alta e seus ferimentos fossem leves em comparação, ele estava desesperado para falar com ela. Ele acreditava que seu ato havia sido a prova de seu amor, mas o medo de que Rayra o odiasse era um tormento.

A vida de Victor desmoronava sob o peso das ações de Dan e de sua própria culpa. Havia advogados envolvidos, prontos para a batalha legal. Seus bons contatos estavam sendo usados para proteger Rayra e ele, de um escândalo maior.

A irmã dele estava surtando, querendo que ele se mudasse para longe, para que se curasse e esquecesse o caos. Eles haviam colocado a casa dele à venda, um sinal de que ele realmente estava pronto para cortar os laços com sua vida antiga.

Victor não se sentia o mesmo. Os tiros, a visão de Rayra ensanguentada haviam quebrado o jogador, o cínico. Ele carregava a mesma sensação de que nada mais fazia sentido na vida de antes. Pela primeira vez, ele estava sintonizado com a dor de Rayra, sentindo o mesmo vazio gélido.

O destino de ambos, embora separados pela distância, estava irremediavelmente ligado. A sobrevivência de Rayra exigia que Victor continuasse lutando para limpar o nome dela. Para os amigos, ele também mentiu.

Os dias se arrastaram, transformados em uma tortura fria para Victor. Confinado pela ausência de notícias e pela recusa de Rayra em recebê-lo, ele não tinha o que fazer além de esperar. Seu único alívio veio quando um médico amigo da família lhe passou a informação crucial, Rayra receberia alta nas próximas horas.

Durante o período de internação, a vida de Rayra havia sido redefinida. As meninas da república, solidárias, fizeram uma vaquinha, arrecadando mais de dois mil reais. Com esse dinheiro, Rayra comprou um celular simples e um número novo. Ela desativou todas as suas redes sociais, mas não antes de ver o estrago, comentários intermináveis defendendo Dan e até mesmo Victor, mas a esmagadora maioria a criticava e a colocava como o pivô da briga entre os dois "amigos". A única certeza que restava a Rayra era a necessidade urgente de mudar de cidade.

Quando chegou o momento da alta, ela agiu na surdina, achando que ninguém sabia. Saiu do hospital sozinha, mancando levemente, com o passo lento e muito abatida. Usava um vestido longo, um cardigã e chinelos, com uma mochila nas costas. Seu cabelo estava preso em um coque apressado, e seu rosto, pálido e magro, refletia o trauma. Ela andava devagar, cabisbaixa, mexendo no celular, consultando horários de ônibus e calculando os valores de uber.

Victor estava lá. Havia passado horas dentro do carro, estacionado em um ponto discreto, apenas esperando. Sua mente ensaiava várias versões do que deveria dizer, pedidos de desculpa, declarações de amor, planos de fuga.

Quando ele a viu sair, Victor desceu do carro num pulo. Ele estava sério, apreensivo e desconcertado pela tensão, mas seu olhar era de alívio desesperado. Aproximou-se dela cautelosamente, respeitando a fragilidade e o trauma que emanavam dela.

— Rayra.

Ela se assustou com o som do nome, parando de repente. O choque de vê-lo ali a fez paralisar.

— Victor? Como você...?

Ele a olhou nos olhos.

— Não importa. Eu sabia que você ia sair.

Ele se postou a uma distância segura, com as mãos nos bolsos, não querendo invadir o espaço dela.

— Você não pode ir embora sozinha. Eu vim te levar para um lugar seguro.

Rayra balançou a cabeça, com o cansaço tomando conta de sua voz.

— Eu não preciso de você. Eu não preciso de ninguém. Eu só preciso... sumir.

Victor deu um passo à frente, quebrando a distância.

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