Rayra não era mais a mesma. Aos trinta e cinco anos, ela estava no auge, trabalhando em uma multinacional importante e renomada, o que exigia uma postura impecável. Ela era elegante, usava sempre salto alto, roupas sociais, e o cabelo estava comprido e cacheado.
O sorriso, contudo, permanecia o mesmo, irradiando a felicidade que ela havia conquistado.
No dia do seu aniversário, o escritório foi tomado por um evento extraordinário: 34 arranjos de flores foram enviados ao seu trabalho, um a cada meia hora. A empresa parou, todos só falavam na misteriosa declaração. Rayra não entendia o que estava acontecendo, até que, em meio ao tumulto, ela percebeu que cada arranjo vinha com um cartão, cuja caligrafia e estilo a fizeram lembrar de alguém.
O cartão dizia: "1 presente, para cada ano, eu queria que fossem beijos."
Rayra ficou nervosa, inquieta, e chorou bastante, a razão lutando contra a emoção. No final do expediente, ela saiu com a ajuda dos colegas, levando as flores. Distraída, começou a colocar os arranjos no carro, esperando a van escolar chegar com seu filho.
Quando a van parou, ela se distraiu ainda mais. Assim que o veículo andou, ela o viu: Victor. Ele estava atravessando a rua, lindo, usando roupas sociais, exalando sucesso e elegância. O sorriso dele era aquele que a desmanchava, e ele a olhava nos olhos com a mesma intensidade de cinco anos atrás.
Emotiva e sem reação, ela sorriu e deu alguns passos, com o filho segurando sua mão. Victor carregava o último arranjo de flores nas mãos. Ele a alcançou e entregou.
— Eu vim cumprir com a minha promessa. Fazem cinco anos. Feliz aniversário, Ray.
Ele a beijou no rosto. O abraço foi forte, a conexão inegável.
— Obrigada. Eu não... nossa... estou muito surpresa.
O menino puxou a mão dela, impaciente.
— Mãe, eu tô morrendo de fome. Quero comer o seu bolo.
Os dois se afastaram, com a mágica daquele momento sendo interrompida pela realidade da maternidade. Victor começou a rir, acariciando as costas de Rayra.
— Calma, Ray, você parece nervosa. Eu também amo bolo, qual o seu preferido, cara?
O menino disse que era de prestígio, e Victor sorriu, dizendo que era o dele também. Rayra enxugou os olhos marejados.
— Eu fiz um super bolo. Você quer ir comer?
Victor sorriu, acariciando o cabelo dela.
— Quero, muito. Fazem cinco anos que eu espero por esse momento.
Ela sorriu emotiva.
— Eu não achei que fosse voltar. Aconteceram tantas coisas.
Victor a beijou sutilmente na boca, selando o pacto.
— Eu vivi esperando por isso. Nunca te esqueci. E olha, eu tentei. Espero que não tenha outra pessoa, ou serei obrigado a te roubar.

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