Peterson observou a forma como Miranda se sentou, a postura rígida, a ausência de um olhar direto. A linguagem corporal dela falava mais alto que o lacônico "Oi". Ele a percorreu dos pés à cabeça, notando os saltos, o cabelo molhado e o decote atrativo.
— Olá, boa noite, Mimosa. — respondeu Peterson, com a voz calma e controlada, sem trair qualquer emoção. — Quer sair para jantar comigo? — Ele fez uma breve pausa, com o olhar fixo nela. — Gosta de frutos do mar?
Miranda sentiu um pálido reflexo da confusão que Peterson despertava nela. A formalidade de seu convite para jantar contrastava duramente com a forma como ele a havia tratado na noite anterior e em todos os dias que se seguiram. Seu rosto, antes marcado por uma leve esperança, endureceu novamente.
— Uhum. Pode ser, tanto faz. — respondeu ela, a voz monótona e indiferente, combinando o tom dele. Ela não perdeu tempo com rodeios. — Vai me pagar quanto?
Peterson não demonstrou surpresa com a pergunta direta. Seus olhos encontraram os dela, a seriedade em sua expressão inabalável.
— Nada! — ele respondeu, com a voz firme, sem vacilar. — Vou te levar para jantar.
Ele fez uma breve pausa, um brilho enigmático em seus olhos que Miranda não conseguiu decifrar.
— A menos que você tenha virado garota de programa.
Miranda soltou um sorriso irônico, sem humor, que não chegou aos olhos. A provocação de Peterson sobre ser garota de programa a atingiu, mas ela estava cansada de seus jogos.
— Não virei. — respondeu ela, a voz carregada de desdém. — Mas qual o sentido disso? Então? — Ela o encarou, com a paciência esgotada. — Você está me assustando, me deixa confusa. Me trata como se eu fosse um nada. — E depois. Vai atrás de mim na rua. Até na minha casa.
As palavras saíram de forma rápida, carregadas de toda a frustração e humilhação que ela vinha guardando. Seus olhos se encheram de uma raiva contida.
— Essa é a última vez que eu saio com você. Minha vida já é ruim o suficiente. — Eu não preciso de nenhum lunático, para piorar.
Peterson ouviu a explosão de Miranda, a raiva e a dor em suas palavras. Em vez de acalmá-la ou explicar-se, um sorriso irônico brincou em seus lábios. Ele se inclinou ligeiramente na direção dela. Acariciou seu rosto.
— Achei que eu valia a pena, uau. — provocou ele, com a voz baixa, carregada de sarcasmo. — É a primeira vez na vida que uma mulher fica frustrada com um encontro comigo. — Não gosta de sair para comer fora?
Ele fez uma pausa, com o olhar fixo no dela, penetrante.
— Você tem alguém? Namorado? Ex? Não pode ser casada!
A provocação de Peterson e as perguntas pessoais a pegaram desprevenida. A raiva de Miranda diminuiu, substituída por um cansaço que ela não conseguia esconder. Seus ombros relaxaram ligeiramente.
— Não tenho ninguém há muito tempo — respondeu ela, com a voz baixa, quase um suspiro. — E não pretendo ter.

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