Miranda não conseguiu conter um sorriso ansioso. A ideia das três doses de tequila, decididas por Peterson sem consultá-la, a deixava um pouco nervosa, mas também curiosa.
— Eu ainda não quero comer. — disse ela, com a voz um pouco mais alta para ser ouvida por cima da música, sentindo o estômago um pouco revirado com a expectativa da bebida.
Peterson apenas assentiu. Olhou para o garçom e pediu:
— Quero uma água com gás, limão e um refrigerante. Sprite!
O garçom se afastou, e Miranda olhou ao redor, com os olhos brilhando com admiração. Apesar da música alta e do que havia acontecido, ela se sentia eufórica.
— Aqui é lindo! — disse ela, com a voz um pouco mais alta para ser ouvida, um sorriso genuíno iluminando seu rosto.
Peterson a observou por um instante, com um sorriso cínico curvando seus lábios.
— Não é dos piores! — respondeu ele, com o tom desdenhoso de sempre.
Ele se inclinou ligeiramente sobre a mesa, com o olhar fixo nela.
— Então, me fale mais sobre você. Mora com alguém? Tem família, pai, mãe, filhos?
Miranda sentiu o peso das perguntas de Peterson, a curiosidade velada em seu tom. Apesar do sorriso cínico que ele exibiu momentos antes, a pergunta sobre sua família parecia vir de um lugar diferente. Ainda assim, ela manteve a guarda.
— Moro sozinha desde os dezesseis — respondeu, com a voz quase inaudível por causa do volume do reggaeton, seus olhos desviando-se para a multidão que começava a chegar.
— Não tenho ninguém.
Peterson observou a breve resposta de Miranda, percebendo o muro que ela ainda mantinha entre eles. Antes que pudesse insistir, o garçom retornou com as bebidas e o guacamole. As três doses de tequila foram dispostas lado a lado, pequenos cálices de líquido transparente com uma rodela de limão e um saleiro ao lado. A guacamole veio acompanhada de salgadinhos doritos crocantes.

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