Depois de quase adormecer, deitado ali apenas curtindo o momento, Peterson se levantou, afastando-se um pouco. Foi comer os aperitivos e abriu o champanhe, sorrindo com malícia.
— Eu me esforcei muito para realizar o seu desejo, Mimosa! — ele disse.
Encheu uma taça e a serviu, chamando-a para a banheira. Começou a preparar a água, enchendo-a com água quente. Miranda se levantou e foi até ele, rindo contente. Beijou-o nas costas e serviu-lhe aperitivos na boca.
— Tudo foi incrível, muito lindo e gostoso. — ela disse, com os olhos brilhando.
Correspondendo às carícias, ele foi entrando na banheira, e ela o seguiu, sentando de costas entre as pernas dele.
— Se você gostou de tudo, de verdade. — ele sussurrou em seu ouvido, com a voz baixa.
— Então pode retribuir, realizando os meus desejos.
Miranda ficou séria, confusa.
— Como posso estar fazendo isso? — ela perguntou, sem esboçar reação.
Ele a puxou para mais perto, fazendo-a encostar nele, e falou com firmeza:
— Você sabe, quero jogar com você. Me divertir um pouco.
Miranda, sem querer entender, retrucou:
— Achei que tivesse gostado de ficar comigo.
Ele começou a acariciar intimamente, com um tom cínico na voz.
— Você não é tão ingênua a ponto de acreditar que eu vou me contentar com isso, e ainda pagar muito bem para ter o básico. Eu não sou um homem que se contenta com pouco. E, sinceramente, seria um desperdício perder essa oportunidade que estamos tendo.
Ele começou a beijar o pescoço dela.
— Esse lugar lindo, você e eu. A praia, tantos lugares bons para irmos e as festas. Você disse que não é uma puritana, então me prove.
Miranda não gostou nada daquilo, mas se manteve fria. Virou-se sutilmente para trás e perguntou:
— O que você quer? Que eu seja sua plateia, para vê-lo se divertindo com outra?
Peterson largou a taça na beira da banheira, segurou o rosto dela e a puxou para um beijo. Chupou os lábios dela lentamente, deu-lhe um beijo intenso e respondeu:
— Quero ver você jogando. Talvez com o Victor, já que você pareceu gostar muito dele.
Miranda permaneceu quieta, com o silêncio pesado preenchendo o espaço entre eles. Ele voltou a beijar seu pescoço, com o hálito quente em sua pele.
— Quanto você quer para jogar? — Peterson sussurrou, com a voz carregada de uma provocação calculada. — Você está me fazendo quebrar regras, sabia? Eu nunca pagaria para ter sexo, mas estou disposto a negociar.
Os olhos de Miranda marejaram, mas ele não viu.
— Não quero dinheiro e nem mais presentes. — ela respondeu friamente.
Peterson pensou que ela estava brava. Ele se afastou, parando as carícias, e tentou manipulá-la.
— Talvez escolher você tenha sido um erro. — ele disse, com um tom de pesar.
— Acho que devíamos encerrar a viagem apenas com as boas lembranças desta noite deliciosa.
Miranda o interrompeu, com a voz firme e controlada.
— Eu vou fazer. Entrar no jogo, já que é o que você quer.
Ele sorriu, com a expressão carregada de uma dúvida cínica. No fundo, Peterson não acreditava que Miranda teria coragem de ir adiante. Decidiu então testá-la, levá-la ao limite, movido por um comportamento autodestrutivo que ele nem percebia. Peterson vivia se autossabotando, e dessa vez, achou que seria até mais fácil que em outras ocasiões.
— Ótimo! — ele respondeu, com um sorriso que não alcançou os olhos de Miranda.
Ela saiu da banheira, com o corpo ainda quente da água, mas a alma gelada pela mudança brusca de tom. Foi para o chuveiro, engolindo o choro de raiva. Não entendia as atitudes dele, mas tinha uma certeza dolorosa: com Peterson, tudo seria sempre igual ou pior. A frustração e a decepção pesavam em seu peito.
Quando saiu do banho, colocou apenas uma calcinha pequena preta e começou a ajeitar os lençóis, tirando as pétalas de rosas que antes pareciam promessas. Estava cabisbaixa e reflexiva, a alegria de minutos antes substituída por uma amargura silenciosa.
Peterson a observava atento da banheira, comendo e bebendo. Ele esperava que ela falasse algo, talvez que brigasse, mas nada aconteceu. Miranda foi se deitar de bruços na cama e silenciou totalmente, com o corpo virado, as emoções guardadas.
Miranda sabia exatamente o que fazer: entrar no jogo e fazer o que ele queria. Para ela, isso significava tomar um choque de realidade. Ela adormeceu em um sono leve e logo ouviu Peterson se preparando para deitar. Ele demorou um pouco, e quando finalmente se deitou, esperava que ela ficasse distante, fazendo birra.
Mas ele se enganou. Como se nada tivesse acontecido, Miranda o olhou e sorriu, acariciando-o. Falou baixinho que estava muito cansada e o beijou afetuosamente.
Ele se ajeitou, deitando-se abraçado a ela, e deu "Boa noite". Ficou intrigado, querendo entender se Miranda queria ou não entrar no jogo. Pensou que talvez ela realmente quisesse, ou que estivesse interessada demais em Victor. Ficou com a pulga atrás da orelha.
Na manhã seguinte, o celular de Peterson tocou, acordando-os muito cedo. Ele atendeu e saiu do quarto, indo para o banheiro continuar a conversa. Demorou cerca de quinze minutos e, quando saiu, já estava de banho tomado e com uma expressão séria.
— Tive uma urgência em família e precisamos ir embora. — ele disse, a voz tensa.
— Você precisa se arrumar e rápido.
Miranda o olhou séria, sem acreditar na reviravolta repentina, mas levantou-se rapidamente e começou a se vestir. Não teve coragem de perguntar o que tinha acontecido, permanecendo em silêncio.
Às pressas, arrumaram as coisas. Ela foi comendo as sobras da noite apressadamente, enquanto Peterson mexia no celular, parecendo nervoso e preocupado. Ele a deixou no bangalô e seguiu para a recepção. Pediu que ela o encontrasse lá, garantindo que nada fosse deixado no quarto.
Quando Miranda se juntou a ele, ouviu Peterson trocando áudios, questionando a uma "ela" onde estava com a cabeça. Ele finalizou a mensagem dizendo que conversariam pessoalmente.
Peterson olhou para Miranda por alguns instantes, com a expressão dele ilegível.
— Eu vou te deixar no hotel e volto em um ou dois dias. — ele disse, com a voz sem emoção.
Miranda ficou confusa, começando a achar que era realmente algo grave.
— Prefiro ir embora. — ela respondeu, com a voz baixa.
Eles estavam indo pegar a lancha para saírem da ilha. Ele a olhou, e de repente sorriu, como se novamente voltasse a enxergá-la.
— Não vá, pode ficar. — ele disse, com um tom de brincadeira que ela não compreendeu.
— Aproveite a viagem, Mimosa, companhias não vão faltar.
Miranda o olhou séria, um pouco frustrada com a súbita mudança de comportamento.
— Eu só estou aqui por você. — ela respondeu. — Qualquer outra companhia não faria sentido. Eu quero ir embora.
Ele sorriu debochado.
— Eu vou embora sozinho, resolver problemas de família. — Peterson disse.

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