Ela sorriu, saindo da cozinha com as mãos cheias de cabides.
— É, não faz parte da faxina. Mas já que lavei, vou colocar no quarto ao lado do seu. Tudo bem? — Ela o olhou, convidativa.
— Quer ver como ficou lá em cima?
Victor a seguiu, parecendo mais intrigado do que desanimado agora.
— Ah, sou obrigado a confiar em você. Jogou muita porcaria fora? — ele perguntou, com um leve sorriso.
Rayra riu, balançando a cabeça. Assim que entrou na sala, ela confessou, com a voz cheia de curiosidade.
— Eu nunca tinha visto tantas coisas desse tipo.
Eles subiram as escadas, e Victor foi um pouco na frente, liderando o caminho.
— Vem comigo, guardar no meu quarto. — ele disse.
— É um caminho sem volta. Depois de conhecer as festinhas, isso vicia. O normal perde a graça, e não são todos que entram que conseguem sair.
Rayra sorriu pensativa, acompanhando-o até o quarto principal.
— Hum, entendi. E você, é dessas pessoas viciadas no que não é normal?
Ele se aproximou do closet, observando Rayra organizar as roupas.
— Não sei. Acho que não. E você? Já experimentou algo assim?
Rayra, rindo de nervoso, continuou a arrumar as coisas.
— Não, nunca. Eu sou muito... diferente, especial.
Victor riu, curioso com a resposta.
— Como assim? Você é lés.bica? Eu juro que pensei nisso outro dia.
Ela o olhou com os olhos cerrados e falou, cínica:
— Pensou? É essa a vibe que eu passo? Não me achou feminina? Sou relaxada comigo mesma?
Ele riu, sem jeito.
— Nãooo, nada disso. Eu sei lá. Só pensei. Mas, então, você é hétero? Bi?
Ela sorriu, cabisbaixa, lembrando de como o havia deixado louco de tesão.
— Sou hétero. Fui casada por muitos anos, passei mais tempo com ele do que sozinha, e não deu nada certo. Tive poucas experiências com outras pessoas. E o resto é história.
Ele foi ficando sério, se afastou e pegou o celular.
— Poxa, e você é nova, né? Qual sua idade? Já vou te pagar.
Rayra, séria, saiu do closet. Ela tinha visto o sutiã perdido na gaveta de Victor.
— Vinte e nove — ela disse cabisbaixa, respondendo à pergunta dele.

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