Victor sorriu, assentindo.
— Acho justo. Só não quero grude no dia a dia, nem beijo à toa sem sexo. Não somos um casal, e eu não quero te deixar confusa.
— Entendido e concordado. — ela disse, com a voz firme.
Ele terminou de comer, Rayra desceu para a cozinha, e Victor foi logo atrás, pronto para sair. Ele vestiu uma bermuda, camiseta, tênis, óculos escuros e um boné. Rayra só pegou o celular.
— Você não usa bolsa? — ele perguntou, curioso.
Ela sorriu espontaneamente.
— Às vezes. Estou sem bolsa. Não recebi meu primeiro salário ainda para te pagar uma casquinha. Eu sempre ando com a minha habilitação e só.
Eles saíram juntos.
— Eu posso adiantar uma semana do seu salário. — Victor disse.
— Não precisa. — ela respondeu.
— Quando eu receber, vou pagar uma parte da televisão para minha amiga. Que meu ex a quebrou.
Rayra ficou séria, com o olhar perdido na rua. Victor, que estava dirigindo, segurou a mão dela.
— Esse cara ainda está atrás de você?
Rayra disse que estava bloqueando e ignorando as tentativas dele de contato, e que precisava trocar de número de novo.
— Iremos comprar um chip. — Victor falou, e logo sorriu com malícia.
— Eu estive pensando, quando a gente sair para curtir, podemos ativar o modo casal, sem precisar da distância e da formalidade do dia a dia.
— Tipo o quê? Grude? Beijos? — ela perguntou, curiosa.
— Eu também não sou melosa, nem quero ser vista com você de um modo mais íntimo.
Ele concordou que não era uma boa ideia, e eles seguiram para o shopping. Desceram do carro conversando, andando lado a lado como dois amigos. Primeiro, foram comprar um chip, depois a uma loja de roupas. Rayra estava alguns passos atrás, e uma vendedora, muito simpática, correu para atender Victor.
— Quero ver vestidos pretos, mais curtos. — ele disse.
A moça perguntou se era um presente.
— Não. Ray, vem aqui, por favor. Que tamanho você usa?
O brilho no olhar da vendedora foi sumindo, e Rayra se aproximou.
— M.
Enquanto a vendedora buscava as peças, ele se aproximou, encostou atrás dela e a abraçou sutilmente.
— Eu vou escolher. — ele sussurrou, no ouvido dela.
— Hoje, você vai fazer tudo o que eu quiser. Tudo mesmo.
Ela se virou, rindo, puxando os braços dele em volta de si.
— Ai, que medo! Preciso de lingerie, tá?
Ele a beijou sutilmente na boca, sorrindo com malícia.
— Eu já ia comprar. Adoro observar.

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