Eles dormiram trocando carinhos e beijos. Sem roupas, seus corpos se tocavam com uma ternura que substituía a malícia que compartilharam. Rayra levantou cedo, o sol mal tinha nascido. Preparou o café, tomou banho, e vestiu um vestido simples para ir ao médico.
Victor levantou e se arrumou rapidamente, parecendo revigorado.
— Bom dia Ray.
— Eu levo você. — ele disse, com um sorriso.
Rayra, pensativa e séria respondeu, logo saíram, ela quase não falou nada no carro. Os pensamentos sobre o que ela revelou, a consulta médica e a nova fase com Victor a deixavam em silêncio. Chegando na porta do consultório, ele lhe entregou um cartão.
— Use para pagar a consulta. O uber. — ele disse.
Ele se inclinou, e a pediu um beijo de bom dia.
— Estou cheio de tesão por você. — ele sussurrou.
Ela o beijou lentamente com provocação, deram um longo beijo ardente.
Ela saiu do carro, e ele abaixou o vidro, rindo.
— Vai ficar com a calcinha molhada em.
Rayra entrou no consultório rindo, um espaço luxuoso e calmo, com tons pastéis e música suave. A recepcionista muito bem vestida, a cumprimentou com um sorriso caloroso, e Rayra sentiu uma ponta de ansiedade crescente. Minutos depois, o médico a chamou. Era uma mulher, simpática e com um olhar acolhedor.
A ginecologista fez perguntas de rotina e ouviu com atenção as respostas de Rayra, que tentava manter a voz firme, mas sentia o nó na garganta crescer. A médica pediu uma bateria de exames de sangue, incluindo testes para ISTs, e a orientou a se trocar para a coleta do preventivo.
Rayra entrou na pequena cabine e vestiu a camisola. O espelho à sua frente refletia a imagem de uma mulher vulnerável. As emoções que ela tentava reprimir vieram à tona. Quando a médica voltou, Rayra já estava com os olhos marejados.
— Tem algo a mais que você queira me perguntar ou contar? — a médica perguntou, com gentileza.
As palavras de Rayra saíram baixas. Ela contou sobre o primeiro bebê, que não sobreviveu a uma gravidez ectópica e que custou uma de suas trompas. Enquanto colhia o exame, as lágrimas foram escorrendo sem controle. Contou sobre o segundo bebê, que esperou com tanto amor, e que perdeu aos nove meses, por causa de uma infecção bacteriana.
Ela chorou, desabando na frente da ginecologista. Contou sobre os vários tratamentos que fez. A médica a acolheu, oferecendo um ombro para que ela pudesse desabafar. Conversou bastante, entendendo melhor o quadro dela.
Rayra saiu do consultório arrasada. A consulta tinha revivido as dores que ela tentava enterrar. Pegou um Uber, e o caminho de volta para casa pareceu uma eternidade. Assim que entrou, foi direto para a cozinha, limpando as bancadas e o chão com uma fúria silenciosa, com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Não aguentando mais, fez um litro de caipirinha, sentou-se no balcão da cozinha e bebeu tudo, chorando. A dor era um peso físico, e a bebida parecia ser a única coisa capaz de adormecê-la. Com o copo vazio, ela foi se deitar, e adormeceu, com a mente cheia de lembranças do bebê e do passado.
Victor mandou uma mensagem perguntando se tudo tinha dado certo no médico, mas não obteve resposta. Preocupado, olhou as câmeras de casa a caminho do almoço. Ele a viu na cozinha, limpando e chorando, depois se afogando na caipirinha mais cedo. O coração dele acelerou com um misto de preocupação e medo de que ela tivesse alguma doença.
Mudou os planos e foi almoçar em casa.
Ele entrou em silêncio, sentindo o cheiro de casa limpa. Foi até o quarto dela e a encontrou dormindo, com o rosto inchado. Aproximou-se, desconfiado, e a chamou.
— Ray? Tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
Rayra despertou, sonolenta e com o corpo pesado. Ela disse, com a voz abafada:
— Eu deitei um pouco e perdi a noção da hora.
Ela se sentou na cama, nitidamente indisposta, com os olhos inchados e vermelhos. Victor a olhou de cima a baixo, com sua expressão uma mistura de preocupação e apreensão.

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