Ele se aproximou e deu o chocolate a ela.
— Não, já jantei. Estava muito bom. — ele disse.
Ela pegou o chocolate e sorriu sutilmente.
— Eu já pensei muito e acho que não vou alcançar suas expectativas. Esse negócio da lactação é algo que eu não me sinto confortável. Eu pesquisei, vi relatos… E eu não gosto de pegar mulher também.
Rayra começou a ficar emotiva.
— Quando você me propôs isso, eu não pensei muito na quantidade de coisas que podiam rolar. Não sou puritana, sabe? Só, não… — Ela enxugou os olhos marejados.
Victor sentou na beirada da cama, se aproximou e a abraçou.
— Poxa, Ray, não é pra tanto.
Começou a beijar o pescoço dela, afetuoso.
— Desculpa se eu não soube te explicar, ou se te fiz pensar que precisava fazer o que não queria. Tem que ser legal para nós dois, se não, nem rola. A maioria não aceita esse lance da lactação mesmo.
Rayra começou a chorar, sentida, e se afastou, constrangida.
— Eu tenho meus motivos. Isso me leva a coisas que eu vivi, sabe?
Victor não fazia a menor ideia do que ela estava falando, mas sentiu a dor dela. Acariciou-a, afetuoso.
— Tudo bem, eu entendo. Ainda está cedo, vou tomar banho e volto aqui para a gente assistir a um filme. Se você quiser. Não precisa contar se não quiser.
Rayra sorriu, enxugando os olhos marejados.
— Eu quero, muito. Quer tomar um vinho?
Ele sorriu e a beijou sutilmente na boca.
— Quero. Já volto. Quer tomar banho comigo?
Ela sorriu e disse que não, que tinha acabado de tomar banho. Ele saiu e foi para o quarto, curioso para saber os motivos dela para estar tão nervosa, sendo que quase nada tinha acontecido ainda. Rayra foi para a cozinha, pegou o vinho e as taças, e voltou para o quarto. Escolheu um filme e ficou esperando, ansiosa, usando uma camisola simples e curta, só de calcinha por baixo.
Logo, Victor voltou, apenas de cueca, todo cheiroso, trazendo seu travesseiro. Entrou no quarto com um sorriso malicioso.
— Hum, já está bebendo sem mim. Você é uma péssima influência, hein.
Ele ajeitou o travesseiro quase no meio da cama e sentou, puxando-a para perto.
— Vai ficar bem pertinho de mim?
Ela o serviu, sentou-se entre suas pernas e o abraçou.
— Uhum. Pode ser este filme?
Ele a acolheu e disse que sim, começou a beijar seu pescoço e a acariciar seu braço.
— Você pelo menos gostou de ficar comigo?
Ela bebeu um gole grande de vinho e respondeu, ofegante:
— Sim. Eu só não sei se consigo ir tão além. Eu perdi um bebê de nove meses, e eu já tinha leite. Foi muito difícil secar. Passei semanas esgotando e doando para o banco de leite.
Rayra engoliu o choro, e Victor ficou totalmente desconcertado.
— Sinto muito. Se eu soubesse, jamais teria te proposto isso.
Ela disse que ele não tinha como saber, e que ela não contava a ninguém, porque era um assunto que a deixava muito mal. Ele ficou a acariciando, e começou a beijar o pescoço dela.
— Eu era louco para ser pai, pelo menos por um tempo. Adoro crianças, sinto muita falta dos meus sobrinhos. — ele disse.
Ele contou sobre a ex-namorada:
— Minha ex me traumatizou demais. Ela evitava engravidar escondido, fingia estar atrasada, fazia testes, e eu sempre na expectativa, contente. Ela dizia que ia até em especialistas, e eu, trouxa, acreditando.
— Fiz de tudo por ela, torrei minha herança com viagens, presentes, até carro, silicone, construí essa casa… Tudo por nada.
Rayra ouviu com atenção, e disse que engravidou de propósito porque era um sonho dela, e que isso estragou o relacionamento. Ela, às vezes, se perguntava se não foi a culpada de tudo o que aconteceu. Lamentou ter perdido tantos anos casada. Disse que entrou na faculdade duas vezes, mas quando terminou com o ex e quando voltou para ele, teve que sair.
— Tive que abandonar tudo… o futuro, os sonhos, me limitar até me perder de mim.
Ele a ouviu, com o coração partido, e perguntou, com a voz baixa e carinhosa:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O magnata e a faxineira ( Desejos proibidos )