Ele conhecia Valentina. Mesmo após aconselhá-la inúmeras vezes nesses cinco anos a se casar novamente, ela sempre apenas sorria e ignorava.
Ela era como um canário de asas quebradas. Havia sido tão mimada por ele que perdera a própria identidade. Pedir que ela fosse embora seria o mesmo que tirar a sua vida.
Gustavo ergueu o polegar para ele.
— Que crueldade!
Nesse momento, Áurea saiu correndo após se trocar e abraçou a cintura dele.
— Papai, vamos logo! Daqui a pouco a mamãe chega, e eu não quero ficar com ela!
Félix riu e a pegou no colo. Áurea balançava as pernas, sorridente.
— Vamos lá! Vamos para o hospital ver a Mamãe Larissa!
O vídeo parou por aí. A tela do celular escureceu, refletindo o rosto abatido e em choque de Valentina.
— Pare o carro! — Valentina gritou.
Antes mesmo que o veículo parasse totalmente, ela saiu cambaleando até a beira da rua e vomitou violentamente, até o estômago esvaziar. Começou a ter ânsias, com o rosto vermelho e o corpo trêmulo. As lágrimas se misturaram com os flocos de neve, embaçando a sua visão.
A tela do celular acendeu, exibindo o nome "Zeno" na chamada. Valentina travou, e uma imensa humilhação tomou conta dela.
A ligação caiu sozinha, e o sorriso de Félix reapareceu no papel de parede.
Valentina jogou o celular no chão com força, respirando fundo. Seu cérebro pareceu parar, e ela levou um bom tempo para se recuperar.
Seu coração doeu. Ela não conseguia acreditar que, nos últimos cinco anos, quem esteve ao lado de Larissa era o seu próprio marido, Félix. E Áurea sabia disso e estava ajudando a enganá-la?
Valentina não entendia. Será que, no passado, ele sempre estivera fingindo na frente dela? Todo aquele amor era falso?
Pensando nisso, um tom de tristeza passou pelos olhos de Valentina, que começaram a avermelhar.
Já que a mulher que ele amava era Larissa e, por ela, ele não hesitou em enganá-la daquela forma, ela iria facilitar as coisas para os dois.
Ela ergueu a cabeça e reprimiu as emoções que fervilhavam dentro de si.
Caminhou até a calçada, chamou outro táxi e olhou para o número salvo em seus contatos que não ligava há dez anos. Ela telefonou.
Após um tempo, uma voz grave soou do outro lado:
— Valentina.
Com a garganta apertada, Valentina segurou o celular com mais força.
— Eu aceito o casamento arranjado.

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