Megan e sua mãe permaneceram no hospital muito tempo depois que o sr. Devins partiu. A mãe de Megan exagerava na gravidade de seus ferimentos e obrigou os médicos a dizerem que precisava passar a noite sob observação quando, na verdade, estava completamente bem e em condições saudáveis.
A filha havia ido buscar café e voltou com um largo sorriso no rosto, entregando um dos copos da Starbucks para a mãe.
"Acabei de ligar para o papai." Ela disse, com um enorme sorriso no rosto.
Sua mãe olhou para ela com expectativa, esperando ouvir as próximas palavras:
"Ele me contou tudo sobre a discussão com Scarlett e, mãe, parece que tô nas nuvens agora. O papai tá tão chateado com ela, acredita que te atacou e pediu a ela pra se desculpar, mas ela recusou. Você sabe o que ele fez, então?"
"O quê?"
"Ele a renegou. Ela não tem permissão pra entrar na casa dele de novo e vai congelar todos os cartões de crédito dela, até novo aviso. Que incrível era, né, mãe?"
Megan viu o brilho de satisfação e malícia nos olhos de sua mãe, e ambas riram e bateram suas xícaras de café uma na outra para comemorar as boas notícias.
"Ainda não acredito que o papai escolheu nos defender." Megan riu.
"Eu te disse." A mulher falou: "Conheço ele, é tão estúpido quanto a Scarlett. Eles realmente não são páreo pra gente. Olha só como foi fácil colocá-lo contra a própria filha."
"Nunca mais vou duvidar das suas palavras, mãe."
"Sim, claro... Mas ainda assim, a gente ainda tá apenas na metade do plano. Não basta ter a Scarlett fora de casa e sem um tostão... Ela ainda pode encontrar uma maneira de fazer seu pai perdoá-la."
Megan assentiu melancolicamente, pois isso também a preocupava. Não importava o que haviam conseguido, as estratégias delas não eram fortes o suficiente para se livrar da jovem, de uma vez por todas.
"O que tem em mente, mãe?"
A mulher mais velha lentamente tomou um gole do café, prolongando o silêncio entre elas e aumentando a ansiedade de Megan.
Então, falou novamente, sussurrando, como se temesse que alguém pudesse ouvi-las: "Vamos ter que acabar com ela. De forma fácil e sem barulho."
Vendo a confusão no rosto da filha, a mulher suspirou e fez um movimento semelhante a um gesto de decapitação. Megan, por sua vez, engasgou, chocada, ao entender o que a mãe queria dizer: Referia-se a matar Scarlett. O pensamento quase a fez desmaiar. Era fofo e tudo o mais, armar armadilhas traiçoeiras para ela, mas nunca esperava ir tão longe a ponto de matá-la. Parecia um pouco demais.
"Mãe... Um assassinato? Tem certeza?"
A mulher mais velha a silenciou, olhando para as sombras que passavam pela porta de seu quarto de hospital. Megan, então, falou novamente, agora sussurrando:
"Não tenho certeza disso, mãe... Matar alguém é um negócio sério. Não vai ser tão fácil quanto parece, sabe? Acho que a polícia vai vir atrás da gente, assim que o corpo dela for encontrado. Não vão ter problemas pra descobrir tudo o que aconteceu nos últimos dias."
"Deixa de ser tão covarde... Você não tem porque ter medo, já cuidei de tudo. A polícia não vai suspeitar da gente porque a morte dela vai passar por suicídio."
"Suicídio?"
"Sim. A pobre princesinha Scarlett foi deserdada e jogada na rua pelo pai, logo após descobrir que seu noivo a havia traído com a melhor amiga… Ela tava com o coração partido e triste, seria alguma surpresa se pensasse em dar fim a sua vida?"
Os olhos de Megan se arregalaram, então.
"Ah... não havia pensado nisso."
"Exatamente... Vamos fazer parecer que ela se matou e com tudo que aconteceu ultimamente, ninguém vai ter a menor dúvida. Só confie em mim, Meg, meu plano já tá em execução, enquanto conversamos. Em breve, não vamos mais precisar nos preocupar com a Scarlett."
Ela piscou para a filha e terminou a última gota de café, enquanto Megan escondia seu nervosismo com um pequeno sorriso.
Do outro lado da cidade, Scarlett acabara de chegar em frente à residência do pai, com o Uber a sua espera, nos portões. Então, ela digitou a senha e caminhou pelo jardim com o qual estava tão familiarizada, mas que não era mais dela para desfrutar. A jovem engoliu suas emoções e logo alcançou a porta da frente, que foi aberta assim que ela bateu.
Diante dela estava uma pequena e encorpada mexicana. Ela sorriu ao ver Rosa, que trabalhava para o pai desde que se lembrou. Mesmo que tivessem se passado apenas alguns dias desde a última vez que se viram, parecia uma eternidade.
"Hija...!" ("Filha...!") Rosa disse em espanhol. "Dios ("meu Deus!"), eu tava tão preocupada com você... Onde tava, todo esse tempo? Seu pai não queria me dizer nada... e então?"
Ela pegou Scarlett pelos braços e a guiou para dentro da casa, antes de fechar a porta. A jovem sorriu, mas não parecia tão alegre quanto queria.
"Desculpe ter te preocupado, Rosa. Eu tava... tava na casa de um amigo."

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