O céu ficou rosa e roxo, enquanto o sol se preparava para se pôr atrás dos arranha-céus de Nova Iorque. Ryke terminou sua reunião com a senhorita Alyssa e já tinha outra, agendada por seu secretário, o sr. Goldwin. Se tudo corresse como esperado, a corporação Globex se expandiria para além de todo o sucesso que já havia conquistado.
O jovem CEO, seguido de perto pelo sr. Goldwin, tinha um sorriso muito satisfeito no rosto ao sair da sala de reuniões. Seu primeiro pensamento dirigiu-se a Scarlett, claro, e ele indignou-se consigo mesmo, imaginando por que havia ficado tão obcecado por aquela garota estúpida. Não passava uma hora, sem que ele se preocupasse com ela, e não gostava nem um pouco disso. Estava muito acostumado a ser egocêntrico e não queria que isso mudasse. Se a vida lhe ensinou alguma coisa, foi ter cuidado para não ter sentimentos por alguém que não fosse ele mesmo.
Mesmo assim, decidiu ligar para a jovem e ver se estava bem em seu novo apartamento. Foi quando percebeu que ela havia mandado uma mensagem para ele há quase uma hora.
'Onde costuma comprar comida por aqui?'
Ryke estalou a língua, tentando parecer incomodado, mas falhou miseravelmente, devido ao sorriso cada vez maior. Gostou que ela pensasse nele, mesmo antes de tentar encontrar online as informações de que precisava. Arrependeu-se de não ter visto a mensagem dela antes e respondido imediatamente.
Os olhos do sr. Goldwin brilharam de curiosidade, quando seu jovem chefe decidiu ligar para quem o fazia sorrir como um adolescente estúpido. Em todos os seus anos trabalhando para Ryke Stoll, era a primeira vez que o via agindo remotamente como um ser humano normal, com sentimentos.
Mas sua aparente alegria logo diminuiu, quando a pessoa para quem ele ligava não atendeu. Ryke ligou de volta imediatamente. Dessa vez o celular nem tocou, a caixa postal soou diretamente, como se o aparelho tivesse sido desligado. Por isso, o empresário não gostou nem um pouco do calafrio que percorreu seu corpo.
O telefone dela estava sem bateria? Ele realmente esperava que esse fosse o motivo, mas tinha que verificar, de qualquer jeito. Seu coração estava pesado, enquanto contactava seus homens, que o atenderam imediatamente, como sempre:
"Chequem a localização da garota." Ele instruiu: "Façam isso agora e venham direto pra empresa, pra me levar onde ela estiver."
Ele desligou e correu para seu escritório, para pegar seus pertences, deixando para trás um sr. Goldwin muito confuso.
Por outro lado, Scarlett lentamente voltava à consciência, mas sua cabeça parecia ter sido esmagada contra uma parede ou algo assim. Queria gritar de dor, mas logo se lembrou do que estava acontecendo com ela e decidiu que seria melhor fingir ainda estar inconsciente.
Ela ainda estava dentro da van, que movia-se rápido demais, e achou que deviam estar em uma estrada deserta. Seus pés e mãos estavam amarrados por cordas, havia fita adesiva sobre sua boca e estava com os olhos vendados. Ficar presa assim não aliviou sua ansiedade, mas ao sentir sua respiração aumentar de intensidade, rapidamente tentou acalmá-la novamente, para não atrair a atenção de seus sequestradores.
Ela podia sentir um deles bem próximo, seu corpo literalmente contra ele, com algo pesado sobre seus ombros, que ela identificou como o braço dele. O cheiro de cerveja barata era definitivamente o pior, o que a fez querer vomitar.
Após alguns minutos de silêncio, em que ela não ouvia nada além do barulho do carro em movimento, o homem ao seu lado resolveu falar novamente:
"Essa garota aqui é muito bonita, Stan. Quando foi a última vez que a gente teve que matar uma garota?"
"Nunca." O motorista logo respondeu.
Então, todo o corpo de Scarlett congelou. Matá-la? Ela pensou que estava sendo sequestrada para que pedissem resgate, embora realmente duvidasse que seu pai pagaria para tê-la de volta, mas a situação era muito pior do que qualquer coisa que esperava: alguém a queria morta.
Ela quase engasgou, ao sentir o estranho homem enterrar o nariz em seu cabelo e respirar fundo. Ele começou a rir em um tom sombrio, o que a fez se preocupar seriamente com as próximas horas que passaria com aqueles dois. Não eram apenas assassinos, mas também pervertidos.

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