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O primeiro beijo do Ryke romance Capítulo 44

Scarlett chegou ao complexo de apartamentos no Soho e esperou o elevador. No entanto, quando as portas se abriram, deparou-se com alguém que não esperava ver lá.

A princípio, não reconheceu o senhor mais velho em um paletó cinza, mas sabia que já o tinha visto em algum lugar antes. Com a sobrancelha franzida, ela o observou sorrir para ela e abaixar a cabeça, de maneira respeitosa.

"Bom dia, senhorita Devins." Ele disse: "É bom vê-la de novo."

"Me ver de novo?"

Scarlett realmente buscava em sua mente, mas não conseguia lembrar-se onde já o havia visto. Ele notou a confusão dela e riu um pouco.

"Eu a ajudei a obter o vídeo de vigilância daquela vez, lembra? Sou um gerente da Globex Corp."

"Ah, sim!"

O rosto de Scarlett iluminou-se, ao lembrar de ter conhecido o homem, quando procurava uma maneira de envergonhar Megan e Austin publicamente.

"Sou o sr. Goldwin." Ele disse.

"Sim, é muito bom vê-lo de novo, sr. Goldwin. O que o traz aqui?"

"Ah... só vim ver um velho amigo."

"Ah..."

"Tenha um bom dia, senhorita Devins."

"Você também, sr. Goldwin."

Ela acenou para ele enquanto o homem saía do prédio, ainda sorrindo, e então entrou no elevador. Quão estranho era aquilo, no entanto? Era muito improvável encontrar o sr. Goldwin onde ela morava, não é?

Ela chegou ao apartamento e ficou feliz ao descobrir que Ryke havia tomado seu café da manhã e até lavado a louça depois. O encontrou dentro de seu quarto, tentando descansar na cama. Scarlett achou que ele ficaria mais surpreso ao vê-la de volta tão cedo, mas ele apenas a cumprimentou com um aceno.

"Bem-vinda de volta, mocinha!"

Scarlett balançou a cabeça, deixando cair a bolsa e a jaqueta em algum lugar. Sempre parecia que ele estava um passo à frente dela, nada nunca o surpreendia.

"O que aconteceu?" Ele perguntou, liberando espaço para ela sentar-se na cama também.

Ela sentou e passou os dedos pelos cabelos, frustrada.

"Acabei de ser expulsa da empresa." Ela anunciou: "Tive o azar de encontrar Austin lá. Em primeiro lugar, ainda não consigo descobrir o que fazia lá. Mas, sabe, ele ficou louco quando me viu e disse que nunca me deixaria trabalhar na empresa dele. Então... não estou tecnicamente demitida, mas aposto que em breve vou estar."

Ryke permanecia em silêncio. Scarlett virou-se e viu que ele tinha uma expressão perigosa no rosto, como se estivesse prestes a cometer um assassinato ou algo assim.

"Ele é tão mesquinho." Ele acabou dizendo.

"Mas não é? Não sei como pude namorar um homem assim por anos..."

"Não se preocupe, te ajudo a ensinar uma lição a ele, se quiser."

Scarlett sorriu com sua doce proposta, mas balançou a cabeça, pois não seria mesquinha como ele.

"Tudo bem." Ela suspirou: "Ele tá certo, sabe? De qualquer modo, eu não deveria trabalhar na empresa da família dele, e sim aproveitar isso como a oportunidade perfeita pra tirá-lo da minha vida pra sempre. Agora, você pode me ajudar com outra coisa, que é procurar outro emprego, pois não faço ideia de como isso funciona. Sempre consegui meus estágios através de conexões..."

Ela parecia um pouco envergonhada ao dizer isso e Ryke assentiu, em compreensão.

"Vamos resolver isso." Ele a tranquilizou.

"Sim... de qualquer jeito, não tô chateada com isso, tanto quanto com o encontro com meu pai."

"Encontrou-se com seu pai?"

"Tomamos café da manhã juntos. Você não vai acreditar por que ele tava sendo tão legal comigo ontem: leu algum artigo online que dizia que eu conheço o CEO da Globex Corp e meu pai idiota esperava conhecê-lo através de mim, provavelmente pra fechar um negócio ou algo assim. Dá pra acreditar nisso?"

Ryke deu de ombros, não tão horrorizado quanto Scarlett queria que ele ficasse. O fato é que ele já sabia do erro de Chris e trabalhou com sua equipe para tirar os artigos da Internet. Infelizmente, Dan ainda conseguiu encontrar um deles, hã...

"Por que não tá zangado por mim, agora?", reclamou a jovem.

"Só não tô tão surpreso assim." Ryke admitiu: "É o mundo real, srta. Devins, seu pai é um idi*ta, claro, mas é o que sempre foi. Nessa cidade, as pessoas recorrem a qualquer coisa, apenas pra garantir seus próprios interesses... até mesmo usar as filhas. Lamento que isso esteja acontecendo com você, mas é hora de se acostumar com a realidade."

A expressão fechada de Scarlett se aprofundou. Ryke voltou a falar com ela racionalmente e afrontá-la com a amarga verdade, que ela não queria enfrentar.

"É só que... eu queria saber como é ter pais amorosos."

"Você já sabe como é..." Ryke disse: "Teve o amor de sua mãe, certo?"

Scarlett sorriu um pouco, sentindo-se confortada com a menção de sua mãe que, de fato, a amava incondicionalmente.

"Você tá certo." Ela assentiu: "Eu deveria valorizar mais as minhas bênçãos... A propósito, quer um pouco de água? Seus lábios parecem secos."

Ryke assentiu, após alguns segundos de hesitação, pois estava com uma certa sede, e a jovem foi buscar um copo d'água para ele. Ela tinha um olhar sonhador em seu rosto, ao voltar para o quarto.

"Mas, ei... você acha que tem uma chance de que o CEO da Globex Corp me conheça?"

Ryke ergueu uma sobrancelha, mas tentou ao máximo permanecer o mais inexpressivo possível, e aceitou o copo d'água, bebendo-o lentamente.

"Por que você acha isso?" Ele perguntou.

"Não sei... uma sensação estranha, eu acho..."

"Bem, depois do grande escândalo que você fez no baile de gala dele, aposto que já ouviu algo sobre você."

Ryke não sabia o que interpretar, com o sorriso atordoado dela. A jovem parecia estar um pouco feliz, pensando que o misterioso CEO a conhecia. Mas como o rapaz podia sentir ciúmes, quando ele si mesmo era o CEO, de fato? Com ciúmes de si mesmo? Ele riu amargamente, era uma loucura.

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