A tia e o sobrinho sentaram-se no jardim e uma jovem empregada levou chá e biscoitos para eles. A sra. Miller começou a conversa contando a Austin o que havia ouvido de Joshua. O retorno de Ryke Stoll também era surpreendente para ele, pois não tinha notícias dele desde que foi para a Europa.
"Como ele sabia sobre a condição de seu velho pai?" Ele perguntou.
A sra. Miller achou que aquela era uma pergunta muito boa, pois sabia com certeza que nenhum de seus irmãos o havia informado.
"Talvez o velho tenha ligado pra ele." Ela ponderou: "Não vejo outra forma. Além disso, faz sentido, pois ele quer que o rapaz ocupe um cargo de alta gerência na empresa."
"Sério? Mas Ryke não tem nenhuma qualificação."
"Eu sei." A tia zombou: "Tudo o que importa pra ele é o álcool e as mulheres. Mas acho que, como vem de uma família rica, ninguém se importa com suas credenciais."
"Sim... bem, acho que com outro escândalo, o pai vai logo descobrir que ele não serve pra estar em uma posição de alta gerência."
"Falando em escândalos... se importa de explicar o que aconteceu com a Megan?"
Austin colocou sua xícara de chá sobre a mesa, suspirando pesadamente.
"Ela me enviou uma mensagem mais cedo e disse que tá grávida."
"Aham... logo quando terminou com ela, que conveniente."
"Né?! Foi o que pensei, também."
A sra. Miller nunca havia estado muito perto de pessoas pobres, mas sabia o suficiente do quão gananciosos e sorrateiros poderiam ser. Não acreditou na gravidez de Megan nem por um segundo. Sua intuição lhe dizia que era tudo uma estratégia para sugar seu sobrinho, por haverem sido humilhadas e arrastadas de volta para o buraco da pobreza de onde saíram, sua mãe e ela. Agora, esperavam conseguir encontrar uma saída.
"É fácil saber se ela tá falando a verdade." A mulher disse, em um tom preguiçoso: "Vamos apenas ter que levá-la ao hospital e fazer um exame. Eu mesma levo, amanhã de manhã."
"Tem certeza disso, tia?" Austin perguntou, com uma sobrancelha levantada.
"Sim, claro. Afinal, nossa família poderia ter um ou dois herdeiros agora..."
Retornando a Scarlett e Ryke, que haviam jantado na noite anterior, no restaurante do Drunken Moon, não ficaram em uma cabine privada porque o rapaz achou que seria muito suspeito que um mero funcionário tivesse acesso a tais privilégios, então ficaram no restaurante comum, no andar de baixo.
Ainda era um dos melhores lugares para se comer em Nova Iorque, e Scarlett ficou satisfeita, não apenas porque a comida e o serviço eram bons, mas porque o restaurante a lembrava de sua infância, quando ia ali com os pais dela.
Ficou grata pelo hotel ter sido comprado pela Globex porque, provavelmente, se não fosse o caso, não teria a oportunidade de jantar lá com Ryke.
"Que empresa!" Ela comentou, com a boca cheia de comida: "Dão benefícios incríveis aos funcionários. Eu queria ter trabalhado aqui também."
"Bem, por que não se candidata?" Ryke perguntou com um encolher de ombros, como se fosse a coisa mais fácil de se fazer.
"Você não deve ter visto todos os requisitos que eles pedem aos candidatos... não tô nem perto de ser tão experiente assim e não tenho nenhuma conexão, pra me apresentar aos recrutadores."
Ryke sorriu, sabendo secretamente que realmente exigia que seus funcionários fossem os melhores dos melhores. Principalmente por isso que sua empresa ia tão bem. Com bons funcionários, pode conseguir o que quiser.
"Não pensei que gostaria de se afastar do seu ex-namorado tão rápido." Ele disse em tom de deboche: "Austin pode ficar com raiva, se você trocar a empresa dele por outra."
"E porque isso seria da minha conta, Levi?"
Ryke riu, porque gostou da resposta dela. Nada o agradava mais do que ouvi-la dizer que não se importava com os sentimentos de Austin. No entanto, sabia que quatro anos de amor e carinho não poderiam ser esquecidos apenas com um encolher de ombros. Em algum lugar no fundo, ela provavelmente ainda estava muito magoada com seu rompimento com Austin.
"Tô curioso." Ryke disse, brincando com os legumes assados no prato: "Vocês dois são completamente opostos. Em primeiro lugar, como se conheceram e se apaixonaram?"
Ele observou a reação da jovem, que passou a mostrar um olhar mais sério; relembrar o passado parecia exigir muito esforço dela.
"Hum... é que o Austin uma vez me livrou de um grande problema. Então, eu fiquei tão grata, que acreditei que poderia lhe confiar a minha vida."
"Ah... então era uma espécie de conto de fadas, o herói salvando a princesa, aí ela agradece e concorda em namorá-lo. Então eles vivem felizes pra sempre... ou não, no seu caso."
Scarlett semicerrou os olhos, pensando que ele novamente estava zombando dela.
"Soa estranho, quando você diz assim." Ela reclamou.
"Bem, o fato é que não acredito que um can*lha como o Austin ajudaria outra pessoa, a menos que houvesse algo a ganhar com isso."
"Tudo bem... e o que quer dizer?" Scarlett revirou os olhos, lentamente ficando irritada com Ryke, que estava destruindo suas melhores lembranças de Austin.
Ele não pareceu perceber o aborrecimento dela, porque continuou falando:
"Tô dizendo que ele provavelmente não te ajudou só porque é um bom samaritano, deve ter havido um motivo oculto."
"Eu sei que teve uma experiência difícil com a vida e as pessoas, Levi, mas não veja maldade em tudo. Posso garantir que um dia o Austin já foi perfeitamente bom."
"Ah... claro! Ele mudou drasticamente de repente." Ryke zombou, ficando agora também com raiva.

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