Os irmãos esperaram na clínica até as seis da manhã, quando um médico saiu do pronto-socorro para atendê-los e os quatro irmãos se aglomeraram ao redor dele com olhos arregalados. Ele também parecia exausto depois de passar a noite toda acordado tentando salvar a vida do velho Sr. Stoll.
"Ele está bem, doutor?" Joshua perguntou.
O médico abaixou a máscara facial e sorriu para eles:
"Sim, ele está muito bem. Não precisam mais se preocupar e lamento pelo susto. O pai de vocês está inconsciente, mas vamos trazê-lo de volta para o quarto e ele deve acordar durante o dia. A saúde dele ainda está muito frágil, então aconselho que o mantenham longe do estresse."
"Ele vai receber alta em breve?" Ryke perguntou.
"Infelizmente não, senhor. É mais seguro para o seu pai ficar no hospital. Sugiro que todos vão para casa e descansem. Vocês podem voltar mais tarde e, com sorte, seu pai estará acordado."
"Obrigado, doutor."
O médico ofereceu um último sorriso antes de deixar os irmãos sozinhos. Alguns minutos depois, o pai foi trazido de volta ao quarto por enfermeiras e colocado na cama. Os três irmãos ficaram ao lado do leito e o observaram com rostos sombrios.
Brandon, Joshua e Eric ficaram desapontados. Parecia que o pai deles ainda tinha vida dentro de si e que eles não chegaram nem perto de receber suas heranças. Ryke, por outro lado, estava aliviado por ainda ter seu pai por perto, mas triste por não poder fazer nada para aliviar sua dor.
"Bom..." Joshua tirou os óculos e esfregou os olhos. "Vou para casa agora dormir um pouco."
"Ok, eu também." Brandon acrescentou.
Eric assentiu em silêncio. Os três começaram a caminhar em direção à porta, mas notaram que o Ryke não os seguiu. Eles o observaram se sentar e segurar a mão do pai.
"Uh... Você vai ficar?" Brandon perguntou.
Ryke apenas assentiu como resposta. Ele não se virou para ver seus irmãos saindo, mas ouviu a porta ser fechada atrás deles. Brandon, Eric e Joshua caminharam juntos até o estacionamento.
"Não acredito que ele ficou..." Joshua disse com os dentes cerrados. "Ele tá tentando fazer com que a gente sinta culpa ou algo assim?"
"Ele é insuportável." Eric concordou. "E provavelmente quer que o pai acorde e veja que ele é o único filho que ficou ao seu lado... Agora, pensando nisso, talvez devêssemos ter ficado também, não? Quero dizer, não quero que o meu pai me tire do testamento só porque eu não estava em seu leito de morte."
Joshua estalou a língua. Ele estava claramente irritado, a ponto de ter que arrancar os óculos e passar a mão no rosto suado.
"A propósito, o pai quer que demos uma posição na empresa para o Ryke." Ele informou aos irmãos.
"O quê?!" Ambos gritaram ao mesmo tempo.
"Mas ele não merece!" Brandon reclamou. "O Ryke quase nunca participa de nada. Ele só sabe ir nas baladas e..."
"Na verdade, ele não é muito diferente de nós."
Brandon e Eric se entreolharam. Era verdade que ambos eram festeiros e não contribuíam muito para a empresa, embora fossem gerentes lá. No entanto, era inadmissível para eles pensar que o meio-irmão poderia ter as mesmas mordomias que eles tinham.
"Você não pode permitir isso, Josh." Brandon disse. "O Ryke já é o favorito do pai. Suspeito que ele esteja tentando colocá-lo na empresa só para começar, mas acabará transferindo todas as ações dele para o Ryke."
"Eu sei e estou tentando ao máximo evitar isso."
"Tudo bem... Nos avise se houver algo que possamos fazer para ajudar."
"Claro. Por enquanto, devemos dormir um pouco e nos encontramos aqui novamente à tarde."
Os irmãos concordaram com o plano e partiram cada um em seu veículo.
No final da manhã, Scarlett acordou ainda no sofá da sala. A primeira coisa que ela fez foi verificar o seu celular para ver se o Ryke havia mandado uma mensagem para ela, mas não. Ela não gostou do chefe dele ter ligado no meio da noite para o Ryke ir trabalhar. Não parecia muito ético.
Ela ligou para ele para saber onde ele estava, mas o telefone do Ryke estava desligado. O Sr. Goldwin não ousaria levá-lo em uma viagem de negócios, certo? Scarlett roeu as unhas, mas decidiu ter paciência, afinal, ela tinha certeza de que o Ryke tentaria contatá-la o mais rápido possível.
Ela seguiu com a sua rotina matinal que consistia em tomar banho, se arrumar e dar as boas-vindas ao entregador que o Ryke havia pago para trazer seu suculento café da manhã todos os dias.
Isso a lembrou de que ela teria que falar com ele sobre esse assunto. O dinheiro que ele gastava com alimentação era exorbitante e eles não podiam bancar tantos excessos. Seria melhor guardar tudo para necessidades futuras. Ainda assim, Scarlett gostou da sua refeição naquela manhã e comeu cada migalha.
Com o estômago cheio e as energias recuperadas, ela estava pronta para enfrentar o dia e tinha algo muito importante a fazer. Ela precisava ir até a empresa e verificar se o pedido de demissão que enviou havia sido aceito.
Voltar para a empresa era algo que ela temia, por receio de encontrar o Austin novamente, mas Scarlett sabia que teria que enfrentá-lo em algum momento e que não tinha motivos para ter medo dele.
Entretanto, quando chegou ao escritório, ela percebeu que talvez houvesse outras coisas com que se preocupar. Os outros funcionários olharam para ela de uma forma estranha, não como se ela tivesse feito algo errado, eram mais... olhares lamentáveis.
Scarlett manteve a cabeça erguida e uma expressão sem emoção até entrar no elevador. Ela se perguntou por que as pessoas de repente estavam com pena dela. Eles ficaram sabendo da sua demissão? Provavelmente foi isso, certo? Afinal, o Austin a demitiu no meio do saguão, onde qualquer um poderia ouvir...
Ela só não poderia ter adivinhado que as pessoas estavam sabendo que ela terminou com o Austin e que ele já havia engravidado outra mulher. Os rumores viajam muito rápido em Nova York...
Scarlett foi ao departamento de RH, se encontrou com o gerente e perguntou à ele sobre a sua demissão. Ele olhou rapidamente para o computador antes de oferecer à ela um sorriso tenso que não poderia pressagiar nada de positivo:
"Senhorita Devins...." Ele estremeceu, como se estivesse com dor. "Eu lamento muito."
"Por quê? " Ela perguntou.

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