Ryke ainda estava na clínica ao meio-dia. Seu pai não estava acordado, mas uma enfermeira veio várias vezes para ver como ele estava e se certificar de que os sinais vitais continuavam bons.
Ele andou pelo quarto com a mente cheia de pensamentos deprimentes girando em torno da saúde do seu pai. No entanto, sabendo que não era saudável continuar assim, Ryke decidiu tomar café da manhã na pequena cafeteria do andar de baixo, que consistiu apenas em uma xícara de café e uma barra de chocolate da máquina de venda automática.
Quando voltou ao quarto do pai, viu que um médico estava ao lado da cama fazendo anotações. Ele ofereceu um pequeno sorriso ao Ryke, que o reconheceu. Foi ele quem anunciou que a cirurgia do velho Sr. Stoll correu bem.
"Está tudo bem?" Perguntou Ryke, bebendo seu café.
"Sim, seu pai está se recuperando bem e deve acordar logo. Há algo que eu possa trazer por você enquanto espera? Tem certeza de que não quer voltar para casa e descansar um pouco? Eu ligo se houver alguma mudança..."
"Não. Obrigado, doutor, mas acho que vou ficar aqui."
O médico assentiu e saiu, mas os olhos do Ryke permaneceram no bloco de notas que ele segurava sob a axila. De repente, o jovem começou a se perguntar sobre a doença do seu pai. Ele tinha ouvido falar que era um câncer, mas o Ryke precisava de mais informações para ter sua mente em paz.
Ele estava começando a suspeitar do envolvimento dos irmãos na doença do seu pai. Ficar sozinho a manhã inteira lhe dera tempo para refletir sobre isso. Seus irmãos estavam ansiosos para receber a herança. Eles poderiam ter feito algo para encurtar a vida do velho? Conhecendo a personalidade deles, Ryke tinha certeza de que era possível. Ele não confiava nos irmãos e nem nos médicos.
Assim que ficou sozinho novamente, ele ligou para o Sr. Goldwin e perguntou:
"Você consegue obter os prontuários médicos do meu pai? Preciso dar uma olhada neles e pedir que especialistas estrangeiros os analisem."
"Certamente."
"Mas não quero que os médicos daqui nem os meus irmãos saibam disso. Você vai ter que ser muito discreto."
"Sim. Acho que posso resolver disso, senhor. Te mantenho informado."
Ryke confiava no Sr. Goldwin para cuidar do assunto. Afinal, seu assistente sempre foi capaz de fornecer todas as informações de que ele precisava sem se expor.
De fato, uma hora depois, ele recebeu todos os prontuários médicos que a clínica tinha em seu banco de dados sobre o seu pai. Considerando que ele não era médico, Ryke mal entendia o que aquilo significava, mas era inteligente o suficiente para saber que havia algo suspeito acontecendo. Ele enviou um e-mail respondendo ao Sr. Goldwin e instruindo-o a fazer com que os documentos fossem analisados por médicos estrangeiros.
Ele tinha acabado de enviar o e-mail quando ouviu seu pai se mexer na cama. Os olhos do Ryke se arregalaram, ele se levantou e segurou a mão do velho, que estava lentamente abrindo os olhos.
"Pai... Você acordou."
O Sr. Stoll olhou para o rosto do seu filho e esboçou um sorriso fraco. Ryke beijou as costas da mão dele, mas seu pai já havia dormido e mergulhado no sono novamente.
Ele chamou uma enfermeira para examiná-lo e leu o e-mail que o Sr. Goldwin enviou, que dizia:
"Sim, enviei os registos médicos e em breve teremos respostas. Mas, senhor, há algo mais com que precisa se preocupar. Por favor, dê uma olhada nesses artigos. Eles foram publicados esta manhã e dizem respeito à Srta. Devins."
Ryke respirou fundo, ficando preocupado antes mesmo de ler os artigos. Enquanto isso, Scarlett tinha acabado de chegar em casa depois da sua ida à empresa e estava de mau humor. Tudo o que ela queria fazer era falar com o Ryke, mas não queria incomodá-lo enquanto ele trabalhava. Além disso, ela não gostava de falar sobre o Austin com ele, pois parecia que esse assunto sempre causava discussões entre eles.
Ela tinha acabado de ir à cozinha pegar um pouco de água quando seu telefone começou a tocar alto. Scarlett se assustou quando o aparelho vibrou e tocou no balcão da cozinha e bilhões de mensagens e telefonemas começaram a chegar. O coração dela quase saiu pela boca quando ela imaginou o pior.
Ela pegou o telefone e abriu a primeira mensagem com a ponta do dedo, que tinha sido enviada por uma completa estranha que de alguma forma conseguiu o número de telefone dela. Dizia: "V*DIA!" e, com o palavrão, havia um artigo anexo com o título: "A princesa Devins está dormindo com um companhante."
Scarlett xingou baixinho. A maioria das mensagens de texto que recebeu girava em torno disso, ofendendo-a e dizendo como ela era nojenta.
Seus olhos se encheram de lágrimas ao ler alguns dos artigos. Foi assim que ela descobriu que a notícia do seu relacionamento com um acompanhante masculino havia sido divulgada por ninguém menos do que Megan.

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