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O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA. romance Capítulo 34

POV ALICE.

O prato de comida na minha frente estava quase intacto. Cada garfada que eu tentava dar parecia perder a força antes de chegar à boca. Fazia apenas uma hora e meia desde que Darius saiu daqui, e meu sangue ainda fervia com tudo o que ele havia dito. Minha mãe estava ao meu lado, almoçando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Ela lançava olhares discretos para mim, claramente curiosa com o meu silêncio.

— Você não vai comer? — perguntou, apontando com o garfo para o meu prato.

— Estou tentando, mãe. — Respondi seca, apoiando o queixo na mão. O som de batidas na porta ecoou pela casa, interrompendo nossa conversa. Minha mãe levantou a cabeça, surpresa.

— Quem será agora? — murmurou, limpando a boca com o guardanapo. Levantei os olhos, irritada.

— Se for aquele lunático de novo, eu juro que… — Falei enquanto me levantava para atender, fui até a porta e abri. O entregador chegou com um buquê. Um lindo buquê, admito, mas minha paciência já estava no limite. Peguei o buque e agradeci, fechando a porta, sem dar chance dele falar. Olhei que havia um cartão junto. Abri o envelope e li rapidamente.

— “Alice, peço desculpas pelo meu comportamento. Foi rude e inadequado. Espero que estas flores ajudem a demonstrar meu arrependimento. Com todo respeito, Darius.” — Ri. Não de alegria, mas de pura raiva. Segurei aquele buquê como se fosse uma ofensa em forma de flores.

— Audácia! — murmurei, indignada, enquanto me dirigia para o lixo na cozinha. Minha mãe parou o garfo a caminho da sua boca e olhou para mim como se eu tivesse acabado de insultar um santo.

— Alice! O que está fazendo? — perguntou, boquiaberta, enquanto via o buquê voar para o lixo.

— Não quero nada vindo daquele lunático, mãe! Que audácia dele achar que pode me tratar como um objeto e depois mandar flores como se resolvesse tudo! — Comentei irritada.

— Mas são lindas, minha filha! — Ela tirou o buquê do lixo, tentando salvá-lo como se fosse um tesouro perdido. Antes que eu pudesse responder, uma batida na porta interrompeu a discussão. Minha mãe, curiosa como sempre, caminhou até a porta para atender. Ouvi o som da porta se abrindo e uma troca de palavras abafada. Então, a voz animada de um homem ecoou pelo corredor, perguntando por mim.

— Alice, querida, chega aqui, por favor! — chamou minha mãe, usando aquele tom de quem está segurando uma risada. Suspirei, deixando o garfo que acabará de pegar cair no prato, e me levantei a contragosto, pois havia acabado de sentar.

— O que foi agora? — perguntei, caminhando até a porta. Minha mãe estava parada ali, com um sorriso divertido nos lábios. Ao lado dela, outro entregador segurava um buquê enorme.

— Boa tarde, senhorita Alice. Tenho uma entrega para a senhorita — disse o homem, oferecendo o buquê. Peguei o buquê sem muita cerimônia, já sabendo quem havia mandado. Esse terá o mesmo destino do outro: o lixo. Me virei para ir até a cozinha quando minha mãe me chamou.

— Alice, acho que você deveria ver isso. — Disse mamãe. Sua voz tinha um tom estranho, quase divertido, e quando me aproximei, ela estava com um sorriso que só aumentava a minha irritação.

— O quê aconteceu agora? — perguntei, já irritada, enquanto me aproximava novamente cruzando meus braços.

Ela apontou para fora. Segui o olhar dela e quase engasguei com o que vi: um caminhão. Não um caminhão qualquer, mas um caminhão de flores. Homens uniformizados estavam descarregando buquês, cestas, arranjos. Flores, flores e mais flores.

— Deve ser um engano! — exclamei, saindo pela porta como um furacão em direção ao caminhão.

— Preciso que assine aqui, senhorita, confirmando o recebimento. — Pediu todo educado. Assinei a contragosto, pois não queria complicar a vida de ninguém. Assim que eles foram embora, marchei em direção ao celeiro. Mas quando abri a porta, fiquei sem palavras.

O celeiro estava abarrotado. Rosas, lírios, orquídeas, margaridas. O perfume era quase inebriante, uma mistura doce e intensa que me atingiu como um golpe. As flores estavam organizadas como se fossem para um evento luxuoso, cada arranjo mais elaborado que o outro. Minha mãe apareceu ao meu lado, admirando a cena como se fosse uma obra de arte.

— Ele realmente se superou, não acha? — comentou com um sorrisinho.

— Isso é loucura! — exclamei. E levantei a mão, colocando na minha cabeça. Ela riu.

— Talvez. Mas que homem apaixonado, hein? — Falou minha mãe, rindo e se divertindo com a situação.

— Mãe, por favor, não comece! — retruquei, já me sentindo derrotada.

Enquanto ela se afastava, ainda rindo, fiquei ali, encarando o caos floral. Minhas mãos tremiam, não sabia se de raiva ou de algo que não queria admitir. Darius Moss definitivamente sabia como chamar atenção. Mas isso não significava que eu ia ceder.

— Lunático — murmurei, fechando a porta do celeiro com força e voltando para casa.

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