POV ALICE.
O prato de comida na minha frente estava quase intacto. Cada garfada que eu tentava dar parecia perder a força antes de chegar à boca. Fazia apenas uma hora e meia desde que Darius saiu daqui, e meu sangue ainda fervia com tudo o que ele havia dito. Minha mãe estava ao meu lado, almoçando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Ela lançava olhares discretos para mim, claramente curiosa com o meu silêncio.
— Você não vai comer? — perguntou, apontando com o garfo para o meu prato.
— Estou tentando, mãe. — Respondi seca, apoiando o queixo na mão. O som de batidas na porta ecoou pela casa, interrompendo nossa conversa. Minha mãe levantou a cabeça, surpresa.
— Quem será agora? — murmurou, limpando a boca com o guardanapo. Levantei os olhos, irritada.
— Se for aquele lunático de novo, eu juro que… — Falei enquanto me levantava para atender, fui até a porta e abri. O entregador chegou com um buquê. Um lindo buquê, admito, mas minha paciência já estava no limite. Peguei o buque e agradeci, fechando a porta, sem dar chance dele falar. Olhei que havia um cartão junto. Abri o envelope e li rapidamente.
— “Alice, peço desculpas pelo meu comportamento. Foi rude e inadequado. Espero que estas flores ajudem a demonstrar meu arrependimento. Com todo respeito, Darius.” — Ri. Não de alegria, mas de pura raiva. Segurei aquele buquê como se fosse uma ofensa em forma de flores.
— Audácia! — murmurei, indignada, enquanto me dirigia para o lixo na cozinha. Minha mãe parou o garfo a caminho da sua boca e olhou para mim como se eu tivesse acabado de insultar um santo.
— Alice! O que está fazendo? — perguntou, boquiaberta, enquanto via o buquê voar para o lixo.
— Não quero nada vindo daquele lunático, mãe! Que audácia dele achar que pode me tratar como um objeto e depois mandar flores como se resolvesse tudo! — Comentei irritada.
— Mas são lindas, minha filha! — Ela tirou o buquê do lixo, tentando salvá-lo como se fosse um tesouro perdido. Antes que eu pudesse responder, uma batida na porta interrompeu a discussão. Minha mãe, curiosa como sempre, caminhou até a porta para atender. Ouvi o som da porta se abrindo e uma troca de palavras abafada. Então, a voz animada de um homem ecoou pelo corredor, perguntando por mim.
— Alice, querida, chega aqui, por favor! — chamou minha mãe, usando aquele tom de quem está segurando uma risada. Suspirei, deixando o garfo que acabará de pegar cair no prato, e me levantei a contragosto, pois havia acabado de sentar.
— O que foi agora? — perguntei, caminhando até a porta. Minha mãe estava parada ali, com um sorriso divertido nos lábios. Ao lado dela, outro entregador segurava um buquê enorme.
— Boa tarde, senhorita Alice. Tenho uma entrega para a senhorita — disse o homem, oferecendo o buquê. Peguei o buquê sem muita cerimônia, já sabendo quem havia mandado. Esse terá o mesmo destino do outro: o lixo. Me virei para ir até a cozinha quando minha mãe me chamou.
— Alice, acho que você deveria ver isso. — Disse mamãe. Sua voz tinha um tom estranho, quase divertido, e quando me aproximei, ela estava com um sorriso que só aumentava a minha irritação.
— O quê aconteceu agora? — perguntei, já irritada, enquanto me aproximava novamente cruzando meus braços.
Ela apontou para fora. Segui o olhar dela e quase engasguei com o que vi: um caminhão. Não um caminhão qualquer, mas um caminhão de flores. Homens uniformizados estavam descarregando buquês, cestas, arranjos. Flores, flores e mais flores.
— Deve ser um engano! — exclamei, saindo pela porta como um furacão em direção ao caminhão.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.