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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 687

NARRADORA

Será que os sentidos dela já estavam enfraquecendo tão rápido assim?

Mas ela tinha acabado de sair de um corpo vivo.

Estava tão focada na descoberta que encostou o ouvido no peito largo dele.

Sem perceber o quão impróprio era fazer isso com um desconhecido.

Às vezes, era inocente demais, sem nenhuma experiência social.

Rousse ficou completamente travado, em estado de choque total.

Quer dizer… aquela mulher linda estava passando a mão no peito dele inteiro e agora estava praticamente colada nele.

Até o estava cheirando.

Será que ela não percebia o quão errado era aquilo?

— Senhorita… — ele engoliu seco, incomodado, tentando se afastar com delicadeza.

Mas Meridiana estava em modo fascinação — nunca tinha conhecido uma criatura que não tivesse batimentos.

— Como você pode estar vivo assim?

Ela levantou o rosto, atenta.

Ainda estava grudada nele como chiclete.

Rousse abaixou o olhar e se perdeu nas feições delicadas dela.

Estava começando a ficar nervoso — e isso era bem difícil para um não morto.

Ela parecia tão doce, tão inocente, tão… viva. Tudo o que ele não era.

Franziu o cenho de repente.

Que diabos ele estava pensando?

— Eu… tenho um feitiço especial — respondeu de forma seca, dando um passo para trás e afastando-a com cuidado.

Foi aí que a feiticeira se deu conta da intensidade do momento.

— Ah, pelos céus, me desculpa, eu não quis incomodar. É que eu achei fascinante… quer dizer… que tipo de feitiço você usa?

Continuava tagarelando.

Por mais que Rousse quisesse conversar mais com ela, não podia esquecer sua missão.

— Sinto muito, mas preciso encontrar as bruxas. Tome cuidado na floresta.

Decidiu ir embora, não por causa dela… mas por ele mesmo.

Agradecia por ela ter coberto os olhos com aquele pano.

Uma criatura tão bonita não deveria olhar para um monstro.

Ela parecia ter problemas de visão.

— Claro… eu… sinto muito por não poder te ajudar — Meridiana baixou a cabeça, um pouco envergonhada.

Quer dizer, como ela teve coragem de sair por aí agarrando um macho daquele jeito e ainda perguntar sobre os segredos dele?

— Eu também estava procurando minha mestra… acho que ela foi capturada e levada para a fortaleza da capital.

Disse por fim o que suspeitava.

Tinha se ausentado por um tempo.

Nunca se encaixou nem entre o próprio povo.

Com um grito, caiu de uma altura perigosa nas águas fortes do rio que corria abaixo.

Sem pensar, o General não morto se lançou no vazio atrás dela.

A água gelada envolveu o corpo de Meridiana e a arrastou com violência.

Tudo o que ela via era escuridão naquele mundo de cegueira. Seus outros sentidos também estavam falhando.

A audição, o tato, tudo. Precisava de um corpo para habitar e “sentir” de novo.

Mas tudo o que sua magia tocava se corrompia e morria.

Era como um parasita horrível dentro do corpo dos outros.

Que criatura poderia ser forte o suficiente para suportar uma energia tão sombria?

No meio de redemoinhos de desespero, quando achou que agora sim era o fim… braços fortes a envolveram.

Aquele corpo firme a protegeu das pedras e da força da corrente, tirando-a pra superfície.

Ela se agarrou a ele sem soltar, enterrando o rosto no escudo do peito dele.

Ele passava tanta confiança.

Ela gostava demais daquela nova sensação.

Ele tinha o mesmo cheiro que ela.

Cheiro de solidão, de necessidade, do doce abraço além da morte.

É possível destruir o que já está morto?

«Estranho desconhecido… desejo saber mais sobre você…»

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