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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 818

NARRADORA

—Por ali! —a senhora o guiava apertando de um lado ou de outro com a bengala.

“Senhora, não sou seu burro de carga!” Fenrir rugia na mente, mas não se atrevia a desafiá-la, ainda mais quando ela os estava afastando daquela criatura vingativa.

Por momentos, a montanha tremeu tanto que Fenrir achou que haveria um desabamento e ficariam presos.

Um ruivo enorme corria na escuridão com uma velhinha agarrada às costas; parecia até irreal e um pouco cômico.

Mas as coisas que aconteciam com Fenrir eram de morrer de rir…

Ele não sabia quanto tinha corrido até ver a luz da lua no fim de um túnel que o levou a uma mata fechada.

Ofegando por ar fresco e suando como um porco fugindo do açougueiro, inclinou-se para tirar o “peso” das costas.

As pernas da senhora tocaram a grama úmida com restos de folhas caídas.

—Olha, você não é nada cuidadoso, quase fiquei careca nesses tetos baixos! —disse ela, apontando para ele com a ponta da bengala e o olhar julgador.

Fenrir não acreditava enquanto via todos os arranhões que tinha levado para protegê-la das saliências da rocha.

“Devia ter te deixado para o bicho te comer, velha mandona!”, gritou por dentro.

—Sinto muito, senhora, por não ser seu servo perfeito. Eu estava meio… apressado… e ainda estou —respondeu, tentando se situar.

—Não me responda com esses modos, rapazinho! —Fenrir sentiu o perigo se aproximar quando a bengala assobiou no ar.

Deu um salto para trás, por pouco não foi atingido.

—Mas poxa, eu te salvei! Não pode simplesmente dizer obrigada? —apesar do respeito pelos mais velhos, perdeu a paciência.

Chegaria por último desse jeito, alguém escolheria Abigail antes dele!

A senhora ficou olhando de novo para ele, de cima a baixo. Sentia-se julgado por ela a cada segundo.

Será que o conhecia de algum lugar?

—Posso agradecer de uma forma melhor —disse enfim, bufando—: Vou te ensinar um caminho secreto no pântano que te leva aonde você quiser ir.

—Sério?! —Fenrir logo esqueceu o agravo—. Diga, quero chegar ao que chamam de Ilha da Bruma!

—Combinado, vamos… mas você me leva de novo nas costas, que já estou cansada —na maior cara-de-pau, voltou a arrumar o vestido como princesa para ser carregada pelo seu novo transporte.

Fenrir ia torcer a boca, mas, para o bem da competição, decidiu carregá-la de novo.

Assim, se viu mergulhado naqueles bosques quentes, com uma chama vermelha flutuando no ar, iluminando o caminho e espantando os animais menores.

Era magia de Centúria.

—Meu nome é Fenrir —apresentou-se para passar o tempo falando de algo—. O que a senhora fazia naquela caverna?

—Caí procurando umas ervas medicinais raras; depois aquele predador me descobriu e tentou me comer, pedi ajuda, mas só um valente veio me resgatar.

Fenrir estufou o peito, pelo menos um elogio dela… para variar.

—Meu nome é Dalila, prazer em te conhecer… príncipe lycan…

—A senhora me conhece? —Fenrir franziu o cenho, chegando à beira desta ilha e à margem de uma lagoa escura.

—Quem é que não conhece o idiota que tomou uma poção da verdade e começou a falar um monte de sandices?

A resposta o deixou sem palavras.

Então todo mundo sabia da sua cagada?! Quem foi o dedo-duro que o entregou?

Com certeza tinha sido aquele selvagem do sogro dele, e riam dele pelas costas!

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