Luna saiu do elevador e olhou diretamente para a entrada da ala de internação.
Apesar do movimento de pessoas do lado de fora, mesmo à distância, ela conseguiu distinguir, através do vidro, a figura esguia parada sob a luz da manhã.
O homem usava um sobretudo de cor café, ereto como um broto de bambu recém-nascido. Seus traços, magros e indiferentes, estavam banhados por uma fina camada dourada de luz solar.
Ela começou a caminhar em sua direção.
Como se tivessem uma conexão telepática, assim que ela saiu pela porta principal, Lucas se virou e a viu.
Seus olhos, geralmente frios e amendoados, pareciam conter um traço de calor, talvez por causa do sol.
— Já tomou o café da manhã? — Sua voz, calma e grave, foi dispersa pela brisa da manhã.
— Já. — Luna sorriu levemente.
Após alguns segundos de silêncio, Lucas continuou:
— Você disse ontem que Mateus já sabe de tudo. É grave?
Luna balançou a cabeça.
— Ele não tocou no assunto.
Lucas franziu os lábios.
Uma coisa tão séria, e Mateus não confrontou a situação.
Isso significaria... que ele tinha receios?
Receio de que, se tocasse no assunto, Luna se divorciaria dele?
Ele franziu levemente a testa e, olhando para ela, disse:
— E sobre o divórcio, quais são seus planos? O caso de Daisy foi encaminhado para a promotoria anteontem. A análise dos materiais já está em andamento. O julgamento será antes do final do ano, mas a sentença não é garantida, pode ser que haja outra audiência depois do Ano Novo.
Originalmente, Luna planejava pedir o divórcio depois que o caso de Daisy fosse concluído e a sentença proferida.
Mas ter que esperar até depois do Ano Novo... ela sentia que sua paciência estava se esgotando.
Não queria esperar.
Contudo, agora ele sabia que ela era a denunciante.
Será que Mateus, em um ato de desespero, revelaria isso? Se o fizesse, metade da alta sociedade da Cidade de Manba a odiaria.
Ela não queria atrair esse tipo de problema desnecessário.
Portanto, o divórcio precisava do momento certo.
Seus pensamentos divagaram por um momento.
Como estaria Catarina agora?
— Onde... você conseguiu isso?
— Comprei. — Lucas foi conciso.
Luna ficou sem palavras. Claro que ele havia comprado.
Ela olhou fixamente para a caneta, moveu os lábios, querendo dizer que não podia aceitar, quando a voz de Lucas soou novamente.
— Considere uma compensação. Você gastou cinquenta e seis mil naquela caneta, não posso deixar que você saia no prejuízo.
Sua justificativa parecia razoável e lógica.
Mas ela sentia algo estranho em seu coração.
Abriu a boca para falar:
— Você já me ajudou tanto, não precisava se preocupar com isso...
Quando o procurou com aquela caneta, ela nunca pensou em tê-la de volta.
Era como se estivesse apenas sendo uma boa cidadã.
Além disso, tanto no caso de Daisy quanto em seu divórcio com Mateus, ele a ajudou muito e sempre cooperou com ela ao máximo.
— Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra. Como seu advogado, certas coisas são minha responsabilidade. Você não precisa se preocupar com isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....