Capítulo 88
Após o momento de intimidade, Henrique pegou Brígida nos braços e a levou até o quarto. Ela sentiu o coração disparar, como se estivesse nas nuvens. Nunca tinha imaginado que um homem tão confiante e atraente pudesse se interessar por ela.
Enquanto se acomodavam no quarto, Brígida suspirou baixinho, pensando que queria aproveitar cada instante daquela noite, imaginando cenários fantasiosos onde um príncipe encantado chegava para resgatá-la de qualquer perigo. Um sorriso tímido escapou de seus lábios, e Henrique, curioso, percebeu a expressão sonhadora dela.
— Em que está pensando? — perguntou ele, inclinando-se para observá-la melhor.
Ela corou, desviou o olhar e respondeu com um sorriso travesso:
— Em nada… só apreciando o momento.
Ele riu baixinho, olhando para ela deitada, com um sorriso de felicidade no rosto. Por um instante, uma ponta de dúvida surgiu: seria justo usá-la desse jeito? Suspirou. Nunca foi sentimentalista, mas pela primeira vez em seus 35 anos, sentiu que havia ido longe demais com alguém.
— Agora é você que está pensativo — disse ela, com a voz doce como mel, fazendo-o suspirar novamente, carregado de arrependimento e encantamento ao mesmo tempo.
Henrique se aproximou, tocando o rosto dela com cuidado, como se tentasse ler cada sentimento que passava por seus olhos.
No dia seguinte, ele deixou Brígida cedo em casa e voltou para a chácara. Chutou com força o que encontrou pelo caminho; não precisava mais usar a moça para atingir Thomas. Era simples: se queria prejudicar alguém, seria apenas ele e pessoalmente.
Enquanto ficou parado no meio da sala, lembrava-se da noite passada com Brígida. E então veio a dúvida: queria mesmo Juliana? Ou era apenas a inveja de Thomas falando mais alto, aquele sentimento corrosivo que carregava desde os tempos da escola?
Respirou fundo, apertando os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos. A resposta veio clara: Juliana não seria tocada. Se alguém iria pagar, seria apenas o marido dela, e cara a cara.
— Está decidido! — murmurou.
Antes que a hesitação surgisse, ele sabia: precisava organizar tudo e pôr um ponto final naquele dia, custasse o que custasse.
***
Enquanto isso, a vizinha de dona Isaura percebeu que algo estava estranho: a casa estava silenciosa demais. Um pressentimento ruim tomou conta dela. Lembrou-se das palavras de Isaura:
"Se me acontecer alguma coisa, leve esta carta até a polícia."
Com a cópia da chave que tinha, pois sempre fazia a faxina na casa, decidiu entrar para verificar se estava tudo bem.
Ao atravessar a porta, um cheiro estranho e intenso a atingiu. Foi de forma cautelosa até a cozinha e, então, se deparou com uma cena aterradora: no chão estava o corpo de Isaura. O choque foi tão grande que não conseguiu se conter. Vomitou ali mesmo, sentindo o coração disparar.
Momentos depois, tremia ao telefone enquanto explicava a situação. Logo depois, sirenes de viaturas policiais se aproximaram. Os oficiais entraram na casa, verificaram a situação e rapidamente chamaram a funerária.
O corpo de Isaura foi cuidadosamente removido, envolto em lençóis brancos. Enquanto o carro da funerária partia pela estrada de terra, o choque ainda pesava sobre a vizinha, que não conseguia acreditar no que acabara de ver.
Quando o carro sumiu na estrada, um policial se aproximou, com cautela.
— Está tudo bem com a senhora? — perguntou, vendo o estado de choque dela.
— Eu perdi minha amiga, seu guarda. Não estou nada bem. — As palavras saíram entrecortadas, acompanhadas de soluços.
— Sinto muito. Mas precisamos colher seu depoimento.
Ela respirou fundo, tentando se recompor, enxugando algumas lágrimas.
— Eu entendo… — disse finalmente, com a voz trêmula. — Vamos até a minha casa. Preciso de um café forte. Não quero ficar aqui. Cada canto desta casa me lembra dela… e quero lembrar das coisas boas, não deste horror.
O policial assentiu e a acompanhou até a casa.
Na cozinha da vizinha, o aroma do café fresco se espalhava. Ela preparou xícaras fumegantes, serviu para os policiais e para si mesma.
Enquanto isso, um dos oficiais começou a colher o depoimento:
— Por favor, nos conte exatamente o que aconteceu — disse, atento a cada detalhe.
Ela respirou fundo, ainda com o coração apertado:
— Minha amiga, Isaura, me procurou há dois dias. Ela estava com medo do próprio sobrinho. Pediu para que, se algo acontecesse com ela, eu levasse esta carta à polícia.
Ela retirou a carta do bolso e a entregou ao policial. Ele abriu o envelope cuidadosamente, e à medida que lia, suas feições mudaram, ficando sérias e tensas.
O colega, de farda, olhou para ele, curioso e preocupado:
— O que diz aí?
— Você se lembra do acidente na fazenda dos Carter, onde uma adolescente faleceu? — perguntou o policial, sem desviar os olhos da carta.
— Sim… ninguém esquece essa fatalidade — respondeu o colega.
— Então, pelo que está escrito aqui, não foi uma fatalidade. — O policial pausou, encarando a mulher. — Foi provocado. Pelo sobrinho da dona Isaura. Ele deu algo para o cavalo da jovem, deixando o animal tenso e nervoso.

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