Capítulo 90
Zacky e Thomas retornaram juntos à sede da fazenda. Assim que os viram ao longe, Andréia, Juliana e Dolores correram ao encontro deles, o alívio estampado no rosto.
Juliana abraçou Thomas com força, as mãos trêmulas apertando a camisa dele, como se precisasse ter certeza de que ele estava ali, vivo.
- Graças a Deus... - sussurrou, com a voz embargada. - Eu senti... eu sabia que algo estava errado.
Dolores envolveu Zacky num abraço apertado, emocionada.
- Você voltou... - disse, segurando o rosto do marido. - Eu fiquei com tanto medo.
Pouco depois, a viatura da polícia entrou na propriedade levantando poeira. Dois policiais desceram e se aproximaram com cautela.
- Onde está Henrique? - perguntou um deles, direto.
Zacky deu um passo à frente, o corpo ainda estava tenso pelo que havia acontecido.
- Fui eu quem atirou - declarou com firmeza. - Ele ameaçou meu filho. Se quiserem me levar preso, estou aqui.
Silêncio.Um dos policiais trocou um olhar rápido com o colega antes de responder.
- Senhor Zacky, nós já estávamos atrás dele - disse o policial. - Recebemos provas sérias hoje cedo. Ele estava sendo investigado por crimes antigos e havia indícios claros de que pretendia atacar sua família.
- Então...? - perguntou, incrédulo.
- Então o senhor agiu em legítima defesa - completou o policial. - O senhor não será preso.
Zacky respirou fundo pela primeira vez desde o confronto.
- Isso acaba aqui - murmurou. - Pela nossa família.
Thomas assentiu, olhando para Juliana e, colocou a mão sobre a barriga dela.
- Acaba - confirmou. - E começa algo novo agora.
Dona Isaura e Henrique foram enterrados no mesmo cemitério, ao lado do restante da família. No sepultamento de Henrique, quase ninguém compareceu. Apenas uma pessoa observava de longe, sem se aproximar: Brígida.
Ela soube das maldades, das mentiras e do rastro de destruição que ele deixou. Ainda assim, o luto existia, não pelo homem que ele fora de verdade, mas pelo que ela acreditou que ele pudesse ser. Ficou poucos minutos, deixou o olhar perdido sobre o caixão e foi embora antes que alguém a reconhecesse.
O tempo seguiu seu curso.
A barriga de Juliana crescia a cada semana, arredondada, viva, carregando duas novas vidas. Os dias passaram mais leves, até que, numa tarde comum, ela foi à padaria comprar seus doces prediletos.
Foi então que viu Brígida atrás do balcão.
O rosto inchado, os olhos avermelhados, o sorriso inexistente.
Juliana franziu o cenho e se aproximou devagar.
- Oi, prima... - disse com cuidado. - Ainda está chorando por aquele ordinário?
Brígida balançou a cabeça em negativa, engolindo em seco.
- Não... não é por ele.
- Então é o quê? - Juliana insistiu, com a voz doce. - Você sabe que pode contar tudo pra mim.
Brígida respirou fundo, com as mãos tremendo levemente sobre o balcão.
- Eu sei que posso... - murmurou. - E é justamente isso que me assusta. Estou com medo, Ju. Medo de não dar conta dessa nova situação na minha vida.
Juliana piscou algumas vezes, sentindo o coração apertar.

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