Capítulo 87
No dia seguinte, Henrique voltou à padaria no horário do almoço. Desta vez, encontrou Brígida organizando algumas coisas atrás do balcão. Assim que os olhos deles se cruzaram, ele sorriu.
— Vai almoçar agora? — perguntou, casual, apoiando o cotovelo no balcão.
Ela hesitou por um segundo, depois assentiu.
— Meu intervalo começou agora.
— Ótimo — disse ele. — O restaurante ao lado é bom. Você aceita companhia?
Brígida piscou, surpresa… e lisonjeada.
— Aceito.
Sentaram-se numa mesa mais afastada. A conversa fluiu fácil demais: falaram da cidade, do calor, do movimento fraco na padaria. Em nenhum momento Henrique forçou intimidade. Pelo contrário, ouviu mais do que falou, observou cada gesto dela.
Em certo ponto, Brígida comentou de Juliana, do casamento recente e da gravidez.
— Ela parece muito feliz — disse, com um sorriso.
Henrique apenas assentiu, sem aprofundar. Não queria parecer curioso demais. Ainda não. Mas cada detalhe ficou guardado.
Depois do almoço, ele apontou para o outro lado da rua.
— Vamos tomar um açaí? Prometo que é rápido.
Ela olhou o relógio.
— Tenho alguns minutos antes de voltar…
— Dá tempo — respondeu ele, confiante.
Tomaram o açaí em pé, rindo de coisas bobas. Quando ela se despediu, Henrique falou como quem não quer nada:
— Te deixo aqui… e depois volto pra te buscar. Que horas você sai?
Brígida piscou, sentindo um friozinho estranho no estômago.
— Às seis — respondeu, depois de um breve silêncio.
— Então, às seis — confirmou ele, com um sorriso torto. — Não se atrase.
Ele se afastou tranquilo, como se já tivesse certeza de que ela estaria esperando.
E Brígida ficou ali, parada por alguns segundos antes de entrar na padaria, tentando entender por que o coração estava batendo mais rápido do que deveria.
Às seis da tarde, Henrique aguardava encostado na moto, bem perto da porta da padaria. O motor ainda estava quente, como se ele tivesse acabado de chegar, mas a verdade é que esperava há alguns minutos.
Quando Brígida apareceu, ele se endireitou e sorriu. Sem dizer nada, estendeu o capacete extra que havia levado para ela.
— Pra sua segurança — disse, com um charme tranquilo.
Ela colocou o capacete, sentindo aquele friozinho no estômago que não sabia explicar, e subiu na garupa.
Henrique a levou até a chácara. Nos últimos dias, tinha mandado roçar o mato alto e dar uma boa limpeza na casa. Caso contrário, jamais a teria levado ali. Agora, o lugar estava apresentável.
Entraram.
O cheiro ainda era de casa fechada por muito tempo, misturado ao aroma recente de limpeza. Ele fechou a porta atrás deles e se virou para ela.
— Está com fome… ou prefere beber alguma coisa?
Brígida pensou por um instante.
— Se você tiver, eu gostaria de algo com gás… e limão espremido.
O sorriso dele se abriu um pouco mais.
— Tenho água com gás. E o limão está no pé, lá fora. Já volto.
Ele saiu deixando-a sozinha por alguns segundos, exatamente o tempo necessário para que ela olhasse em volta, respirasse fundo e tentasse entender por que aquele convite parecia tão inofensivo… e ao mesmo tempo tão carregado de expectativa.
Henrique saiu pela porta dos fundos enquanto Brígida caminhava devagar pela sala. Ela passou os dedos pelo encosto do sofá, observando tudo com atenção.
Antes que pudesse aprofundar o pensamento, ele voltou.

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