Capítulo 89
Juliana estava na cozinha, tentando tomar um suco de limão para aliviar o enjoo, quando sentiu um aperto estranho no peito.
A mão foi instintivamente até a barriga.
— Calma… — murmurou para si mesma.
Mas a sensação não passou. Pelo contrário, cresceu.
Ela caminhou até a janela e olhou para fora. A fazenda estava silenciosa demais. Nenhuma voz, nenhum barulho de motor, nenhum riso dos peões. Então ouviu vozes tensas.
— Thomas… — sussurrou.
Saiu de casa apressada, ignorando os chamados de Andréia ao fundo. Caminhou rápido pelo caminho de terra.
Quanto mais se aproximava do estábulo, mais a sensação piorava. E então ela os viu.
Thomas, montado, tenso.
Henrique, a poucos metros, com o braço estendido com uma arma na mão.
— NÃO! — seu grito foi desespero puro.
Os dois homens viraram o rosto ao mesmo tempo.
— JULIANA, NÃO CHEGA MAIS PERTO! — Thomas gritou.
Henrique sorriu ao vê-la.
— Então essa é a esposa… — disse com desdém. — A cópia viva da irmã.
Juliana levou a mão à boca.
— Thomas… — a voz falhou. — Sai daí… por favor…
Henrique deu um passo à frente, a arma ainda apontada.
— Fica calma, querida. Eu só quero ele.
Thomas sentiu o sangue gelar. Olhou para Juliana, para a barriga arredondada, para o terror estampado no rosto dela.
A decisão foi instantânea. Sem avisar, instigou o cavalo com força.
O animal arrancou num trote brusco, levantando poeira e distância entre eles.
— FILHO DA—! — Henrique xingou alto, indo atrás dele às pressas.
Ele puxou as rédeas com violência e disparou atrás de Thomas.
— VOCÊ NÃO VAI FUGIR DE MIM DE NOVO!
Juliana gritou o nome dele, a voz perdida no barulho dos cascos.
— THOMAS!
Ela tentou correr atrás, mas as pernas falharam. Caiu de joelhos no chão de terra, colocou as mãos trêmulas sobre a barriga.
— Por favor… — chorou. — Volta pra mim…
Os dois cavalos desapareceram entre as árvores, deixando apenas o som distante da perseguição.
Andréia correu até a filha, ajoelhando-se ao seu lado.
— Juliana, meu amor… olha pra mim. Você está bem?
Juliana assentiu com dificuldade, estava as mãos firmes sobre a barriga para defender seus bebês.
— Estou… mas ele vai matar o Thomas… — a voz saiu entrecortada pelo choro.
Nesse instante, um carro freou bruscamente perto do casarão. Zacky desceu quase ao mesmo tempo que Dolores.
— O que aconteceu aqui? — perguntou ele, alarmado. — Minha nora está bem?
— Está, sim — respondeu Andréia. — Muito assustada, mas bem.
Juliana ergueu o rosto, os olhos cheios de desespero.
— Sogro… ele vai matar meu marido…
Zacky franziu o cenho.
— Quem?

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