No fim das contas, Olivia concordou com o pedido de Noah, mas não por ele, e sim pela sua mãe.
Ela tinha câncer do colo do útero.
Como Olivia sofria da mesma condição, ela sabia o quão doloroso era passar por isso e entendia mais ainda o que significava estar no estágio avançado da doença.
Três dias depois, ela viajou com Noah até uma cidade ao norte do país, onde a mãe dele morava. Além de pequena, aquela área não era tão próspera, nem tão quente quanto Genovia.
Embora Olivia tivesse colocado roupas mais grossas, assim que saiu do avião ela estava tremendo de frio.
"Está com frio?" Noah a perguntou de forma concisa.
Durante a viagem, eles mal trocaram uma palavra.
Olivia meneou a cabeça e comentou: "Todo mundo aqui está vestindo uma jaqueta. Vou ao shopping comprar uma mais tarde."
Sem dizer nada, Noah deu a bagagem em sua mão para ela, que o observou tirar o próprio casaco antes de colocá-lo sobre os ombros dela.
Olivia não esperava que ele agisse dessa forma, portanto, ficou completamente atordoada. Ao ver que ele vestia apenas uma camisa fina e um colete, ela rapidamente tentou remover o casaco para devolvê-lo. "Não, você vai pegar um resfriado desse jeito."
Colocando sua mão grande sobre a dela, ele a impediu de tirar o agasalho e informou calmamente: "Minha mãe já preparou o jantar. A comida vai esfriar se não nos apressarmos."
Olivia estava prestes a dizer algo quando Noah começou a caminhar. Agarrando-se ao casaco, ela correu atrás dele.
"Sua mãe sabe que estamos divorciados?" Indagou ela no caminho.
Como ela estava ali para agradar a sogra, era importante esclarecer algumas dúvidas para evitar qualquer tipo de constrangimento.
"Não!" Ele foi monossilábico.
"Você trouxe algum presente? Afinal, é a primeira vez que venho aqui..."
"Sim!"
"Quanto tempo vamos ficar aqui?"
Ao invés de respondê-la, ele a encarou. Só então Olivia percebeu que poderia haver um duplo sentido no que disse. Ela tentou se explicar: "Não quis dizer que devíamos..."
Ouvindo isso, Noah a interrompeu: "Vamos depois do Ano Novo, mas podemos ir antes se quiser."
"Está tudo bem." Ela anuiu, embora estivesse arrependida de ter lhe perguntado aquilo por medo de parecer que não queria partir.
Ela não disse mais nada. Cerca de 20 minutos depois, o carro parou em frente ao pequeno quintal de uma casa. A construção com seus tijolos vermelhos e paredes verdes tinha um apelo antigo, que agradava muito Olivia à primeira vista.
"É você, Noah?" Quando a porta se abriu, uma voz suave veio de dentro antes que eles pudessem entrar.
Então, Olivia viu sair uma mulher na casa dos cinquenta anos, que apesar de não ser mais jovem, ainda era muito atraente. Noah parecia ter puxado a beleza dela.
"Olá, mãe!" Noah a cumprimentou em um tom extraordinariamente sereno.
"Esta é a minha nora?" A mulher olhou para Olivia com um sorriso gentil.
Noah assentiu, virando-se para Olivia que sorriu em resposta. Por mais que ela soubesse que deveria chamar sua sogra de "mãe", já fazia dez anos que essa palavra deixou de fazer parte do seu dia-a-dia, portanto, ela não conseguiu dizê-la.
"Está frio muito aí fora. Venha logo, vamos entrar antes que congele." A mãe de Noah pegou na mão de Olivia e a puxou.
A sala estava quentinha por conta do aquecedor e a mãe de Noah também havia preparado uma xícara de chá para aliviar a sensação do frio lá fora. Quando a viu tão ocupada, Olivia não pôde deixar de se sentir incomodada ao se lembrar de sua doença.
"Ela sabe que está doente?" Perguntou Olivia quando a sogra foi até a cozinha.
"Sim."
"Vinte e três!"
"Se você e Noah estão casados há cinco anos, isso quer dizer que você tinha apenas dezoito quando subiu ao altar, certo?"
Olivia assentiu e virou a cabeça, encontrando o olhar de Noah, que prestava atenção na conversa. Pela primeira vez, ela não detectou nenhum sinal de frieza em seus olhos.
"De agora em diante, você ficará bem. Tenho certeza que Noah vai mimá-la tanto que você jamais sofrerá de novo", sua sogra a confortou antes de encarar o filho. "Noah, mime muito sua esposa a partir de hoje."
Com os olhos fixos em Olivia, ele assentiu. Ela, por sua vez, sorriu amargamente ao pensar que aquilo seria impossível, pois eles já haviam se divorciado.
Além do mais, durante os cinco anos em que estiveram casados, ele nunca a amou e só lhe causou dor.
"Mãe, está ficando tarde, você já se cansou demais por hoje, e Olivia também deve estar exausta da viagem. Vamos dormir." Noah se levantou, interrompendo a conversa triste delas.
"Tudo bem, vamos descansar então." Ela soltou a mão de Olivia e acrescentou: "Já arrumei o quarto e troquei a roupa de cama para vocês."
Ao ouvir isso, Olivia se deu conta de que precisaria dividir o quarto com Noah nos próximos dias.
Mas eles já estavam divorciados!
Pensando nisto, Olivia mordeu o lábio inferior e indagou: "Hum... Será que poderia dormir com a senhora?"
No mesmo instante, Noah e sua mãe olharam para ela. Quando Olivia estava prestes a se explicar, o homem se aproximou e a puxou para perto de si. "Minha mãe não está acostumada a dormir com outras pessoas."
Em seguida, sem esperar por uma resposta da ex-esposa, ele a pegou pela mão e subiu as escadas.
"Quando subir, não vá confundir seu quarto com o do seu irmão. O seu fica na última porta à esquerda e do seu irmão à direita!" Ela o lembrou atrás dele.
Olivia ficou em choque. Ela tinha mesmo ouvido a sogra falar do irmão de Noah?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Último Amor