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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 15

Camilo ficou olhando pra Seija com o cenho franzido, ainda tentando processar tudo que tinha acabado de acontecer. Não era que não soubesse que a moça era durona, mas encarar de frente um homem de sessenta anos que a vida inteira teve todo mundo na mão… bom, isso merecia um aplauso.

Só que, enquanto metade dele ficava ali babando olhando pra ela, a outra metade não conseguia parar de pensar no que ela tinha acabado de jogar na cara do pai como um tapa sem luva.

— O que você quis dizer com isso? — perguntou ele, sem nem se dar ao trabalho de baixar a voz . — Que Senhorita Desespero é essa?

Seija pegou uma taça de um garçom que passava por ali, mas não bebeu logo de cara. Primeiro ergueu o copo, ficou olhando pro líquido âmbar como se não confiasse muito nele, girou devagar entre os dedos, e só então levantou o olhar pro pai de Camilo. Tinha um meio sorriso no canto da boca, cheio de ironia e de alguma outra coisa que ele não conseguiu identificar bem.

— Quero dizer que tenha muito cuidado com o que você bebe essa noite — respondeu, se virando para o acompanhante, com um tom leve que contrastava com o aviso . — Pelo que eu ouvi, nessa festa eu sou a mais tranquila e a que menos quer te prender pelo pescoço.

Camilo franzou o cenho, confuso, e por um segundo seu olhar se dirigiu ao pai e, atrás dele, à Stacy, que o fitava de soslaio, vermelha como brasa.

— Isso significa o que eu estou pensando?

Ela deu um gole mínimo, mais por gesto do que por sede, e deixou a taça de volta sobre a mesa.

— Digamos que estou bem segura de que você vai acabar numa cama essa noite — continuou . — E não vai ser a sua, querido… nem a minha! — acrescentou Seija, dando de ombros . — Acho que nessa casa as pessoas planejam muito mais do que aparentam. E seu pai não é lá muito discreto quando quer algo, e a… sócia dele muito menos. — Olhou diretamente nos olhos de Stacy e sorriu . — Querida, o banheiro da casa dos outros não é lugar pra fazer planos matrimoniais.

Mas antes que Camilo pudesse organizar uma resposta na cabeça, a voz do senhor Marshant voltou a se impor, dura e cortante, cortando o ar com autoridade.

— Isso já passou dos limites, Camilo! — disparou ele com aquela expressão que o filho conhecia bem demais, a que anunciava cobranças longas e humilhantes . — É uma falta de respeito você andar com pessoas de tão má educação! — rosnou, sem se preocupar em ser o centro das atenções . — É uma vergonha você ter trazido pra minha festa de aniversário uma mulher sem…!

— Sobrenome — completou Seija, porque sabia que era essa a palavra que ele estava procurando, mas o velho tinha consciência de que pronunciá-la em voz alta o faria parecer classista demais.

O silêncio que se seguiu foi denso, desconfortável. Alguns convidados fingiram não ouvir, outros olharam sem disfarce. Camilo sentiu o sangue subir ao rosto, mas Seija não desviou o olhar. Pelo contrário, inclinou levemente a cabeça, avaliando o homem à sua frente com uma calma quase clínica.

— A questão é que não se precisa de sobrenome escandaloso quando se tem dinheiro, senhor Marshant — disse com tranquilidade, como se estivesse esclarecendo um conceito básico . — Mas se o senhor está tão apertado, eu posso comprar o Camilo por alguns milhoezinhos. Não seria a aquisição mais cara que já fiz.

A reação foi imediata. O rosto do velho Marshant ficou vermelho, primeiro de surpresa e depois de fúria. Deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal do filho, e começou a falar atropelado, misturando cobranças antigas, insultos velados e ameaças que já não tentava disfarçar.

Camilo levou dois dedos à raiz do nariz e o deixou falar por alguns segundos, ouvindo por cima, porque sentia vergonha alheia de ver o pai desdenhar de uma mulher como ela sem nem a conhecer.

— Você nunca vai aprender, vai? — disparou por fim, quando já não conseguiu se conter . — Acho que é por isso que você vai mal nos negócios, porque se fosse um pouco mais inteligente, teria se certificado de não ofender a mulher que pode derrubar qualquer empresa em Nova York com um estalar de dedos.

— Isso é bobagem! — cuspiu o pai, com desprezo . — O que essa…?

E olhou ao redor procurando por ela, mas quando Camilo se virou também entendeu o desconcerto do pai, porque a moça já não estava ali.

— Onde está a Seija? — perguntou, com um nó repentino no estômago.

— Já foi embora. Eu mesmo chamei um táxi pra ela. — Greg apareceu ao lado dele como se tivesse esperado aquele momento.

Sua expressão estava tranquila demais, quase satisfeita; e Camilo o olhou incrédulo, sentindo a raiva tomar o lugar da surpresa.

MEU MELHOR INIMIGO. CAPÍTULO 15: Uma mulher sem sobrenome 1

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