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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 18

Seija sabia muito bem que tinha outras opções. Um hotel discreto, algum apartamento da Rebecca, até um flat temporário que a empresa arranjasse sem fazer perguntas. Saída não faltava. O que faltava era disposição pra tomar mais uma decisão depois de um dia daqueles.

Ela ia andando ao lado de Camilo pelo estacionamento da clínica, com o corpo ainda travado e a cabeça cheia de imagens que preferia esquecer. O Rio estava estável, o veterinário tinha prometido que no dia seguinte ela podia buscá-lo, mas o susto não tinha passado de todo. Ficou com aquela mistura estranha de esgotamento, gratidão e uma vulnerabilidade que ela detestava sentir.

— Acho que é melhor eu ir prum hotel — murmurou, mais pensando em voz alta do que falando com ele, e Camilo olhou de canto enquanto destravava o carro.

— Pode ser — concordou ele. — Mas ia ficar sozinha, destruída e com a cabeça a mil. Sem contar que a gente ainda não sabe quem entrou na sua casa.

Seija soltou o ar.

— Não gosto de depender de ninguém. E aceitar qualquer coisa de você sempre tem alguma pegadinha.

— Não é dependência — respondeu ele. — É só um quarto de hóspedes, um banho quente e um pouco de paz. Só por essa noite… ou mais algumas.

Ela ficou alguns segundos pesando a resistência que ainda tinha, mas no fim cedeu.

— Tá bom. Mas só até a gente descobrir o que aconteceu lá em casa. Tô falando sério.

Camilo sorriu satisfeito e arrancou. Quando chegaram ao prédio, Seija desceu devagar, espreguiçando as costas, como se o corpo só agora fosse cobrar a conta do dia inteiro. Aí, antes de abrir a porta do apartamento, ele se virou com aquela cara de quem tá aprontando alguma.

— A propósito — disse —, tem uma coisa aqui dentro que vai animar sua noite.

Seija arqueou uma sobrancelha.

— Juro que se você aparecer pelado eu te dou um tiro — disse ela, bem tranquila, e Camilo caiu na gargalhada.

— Que cabeça a sua. Fica quieta, é algo muito mais decente do que eu.

Abriu a porta, e mal tinham entrado quando um tornado branco e cinza veio em disparada na direção deles. Uma husky linda, de olhos azuis que não eram brincadeira, pulou direto em cima de Seija abanando o rabo num ritmo que o corpo mal acompanhava.

— Nossa! — exclamou ela, se abaixando no reflexo. — Que gracinha!

— Obrigado, obrigado!

— Tava falando da cachorra.

— … Obrigado, obrigado!

Seija revirou os olhos e a cachorrinha foi farejando, deu umas lambidas rápidas na mão e encostou o focinho na perna dela, como quem diz que já adotou e pronto.

— Ela se chama Mina — disse Camilo, se divertindo. — E acabou de me dar uma facada pelas costas.

— Por que facada? — perguntou Seija, coçando atrás das orelhinhas dela.

— Porque ela não costuma se apaixonar assim tão rápido por ninguém — respondeu ele. — Com você foi amor à primeira vista.

Seija sorriu sem perceber.

— Agora entendo por que você é tão íntimo do veterinário.

— É isso aí — admitiu Camilo. — A Mina tem mais consulta do que eu. Banho, tosa, hidratação… é mimada demais.

Mas por mais que ele reclamasse, Mina não largou Seija nem pra respirar. Foi atrás dela pra cozinha, pro sofá, pro corredor, como se tivesse medo de que ela sumisse se desgrudasse os olhos por um segundo.

Pediram comida e, enquanto esperavam, Camilo mostrou o quarto de hóspedes.

— Pode ficar aqui — disse. — Já que imagino que o meu você não vai topar.

— Se você adivinhasse tudo assim ia ser o homem mais rico do mundo. Esse tá ótimo — respondeu ela. — Obrigada de verdade.

MEU MELHOR INIMIGO. CAPÍTULO 18. Traição 1

MEU MELHOR INIMIGO. CAPÍTULO 18. Traição 2

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