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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 2

Isaac Carter tinha trinta e três anos e a expressão de quem viu numa vida mais do que qualquer ser humano merece ver. Mas se era assim, também tinha todo o porte do homem hermético de quem não se arrancaria nem um sorriso nem um segredo.

Tirou as luvas e se adiantou enquanto observava aquele grupo, porque não tinham ido só Chelsea e Rebecca, mas também os melhores amigos de Henry, Camilo e Seija. Mas quando os olhos chegaram a Chelsea, ficaram como um par de lagos de água escura.

Não sabia por quê, mas a voz daquela mulher na madrugada tinha provocado nele uma reação que não tinha conseguido controlar: por um instante tinha odiado a esperança dela, porque mesmo com os olhos cheios de lágrimas, a esperança era um brilho genuíno e feroz neles, como se toda a inocência do mundo tivesse decidido se esconder ali.

Fez uma careta e pigarreou quando percebeu que estavam esperando por ele, e se virou para a que parecia ser a líder do grupo.

— Então a senhora é a que não desiste — disse pra Rebecca com voz grave, uma voz que era mais reconhecimento do que repreensão.

— Quero encontrar o Henry — disse Rebecca tirando o telefone pra mostrar uma foto —. É ele. Estava com Mika Caldwell e outros três homens quando a avalanche aconteceu.

Carter olhou pra tela e franziu o cenho. Quando o amigo da equipe de resgate tinha falado com ele, tinha vindo pronto pra dizer àquela família que sairiam pra recuperar corpos, não pessoas vivas; mas o fato de Mika Caldwell estar envolvido mudava drasticamente a situação, porque não era só um local, mas também um bom caçador que sabia sobreviver.

— Conheço o Mika, é um cara bom. Com certeza iam ou vinham da fábrica dele, né? — perguntou, e todos assentiram em silêncio —. Bom… não vai ser barato — advertiu —. Subir nessa montanha nessas condições é uma loucura.

— Dinheiro não me importa — disse Rebecca sem pestanejar —. Mas vou com o senhor.

— Não. Isso não é um passeio. — Carter tentou resistir à companhia, mas justamente naquele momento aquela garota deu um passo à frente e ergueu o queixo, cravando os olhos nos dele com determinação.

— Se ela vai, eu também vou — disse Chelsea com firmeza, e Carter ficou olhando pra ela como se uma fadinha da floresta tivesse dito que conseguia provocar uma avalanche. Juro que ela não devia chegar nem no ombro dele!

E embora tivesse vontade de dizer que não tinha cadeirinha de bebê, teve que se conter porque era a coisa menos profissional que podia sair da boca dele naquele momento. Então acabou cedendo, sem nem saber por quê.

Negociar a obediência deles não foi difícil, afinal de contas nenhum daqueles estrangeiros tinha a menor ideia dos perigos da montanha; e pouco depois o chefe do resgate voltou com um mapa aberto, coberto de marcas vermelhas e zonas sombreadas.

— Essa é a região onde ainda não se buscou — explicou, apontando pra área mais alta do relevo —. É enorme.

Chelsea se inclinou sobre o mapa, preocupada, e a voz tremeu enquanto as mãos percorriam o que não estava riscado.

— São muitos quilômetros quadrados… como vamos achar alguma coisa aí?

Carter a olhou por um segundo e o rosto suavizou de uma forma estranha. As mãos dela eram finas, delicadas, se moviam sobre o papel como uma carícia…

— Não vamos procurar em tudo isso — disse voltando a si —. Vamos rastreá-los como se fossem presas, desde onde deveriam ter estado na avalanche até onde podem ter ido parar. Basicamente é uma linha reta morro abaixo… mas precisamos encontrar a linha certa.

E claro que ninguém se atreveu a perguntar como diabos ele ia se situar numa montanha que acabava de ficar coberta por uma avalanche.

AMOR EM TERRAS SELVAGENS.  CAPÍTULO 2. Luvas 1

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