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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 42

Rebecca e Henry ficaram em silêncio sentados naquele carro. A tarde estava úmida, e embora as nuvens começassem a se abrir, o ar frio de Portland ainda se sentia nos ossos. E Rebecca achava que Henry tinha a intenção de voltar ao hotel, mas ele apenas colocou as mãos sobre o volante e parou.

— Só um pouco mais… vamos esperar só um pouco mais — disse, sem ligar o motor ainda.

Rebecca o olhou com uma mistura de curiosidade e cansaço, e as sobrancelhas se franziraml evemente.

— Mas esperar o quê?

Henry não respondeu de imediato, apenas apontou com um gesto em direção à casa de Whitman. Do assento do carro conseguiam ver perfeitamente a entrada iluminada por um poste. Apenas alguns minutos depois, a porta se abriu e Brad Whitman apareceu, caminhando a passos apressados em direção ao carro com o qual havia chegado.

— Está vendo? — murmurou Henry, com uma faísca de triunfo no olhar. — Sabia que ele não ia ficar quieto.

Rebecca suspirou, deixando a cabeça cair contra o encosto do assento.

— A gente vai mesmo segui-lo?

Henry ligou o motor e a olhou com aquele meio sorriso que tanto a exasperava.

— Que outra opção temos?

Enquanto o seguiam, o sol começou a cair e o céu se tingiu de um laranja apagado que logo se tornou violeta. As ruas de Portland ficaram para trás e o carro tomou um caminho mais estreito que conduzia para as cercanias da cidade. Rebecca, com os braços cruzados e o cenho franzido, não parava de observar as árvores altas que rodeavam a estrada.

— Isso parece saído de um filme de suspense ruim — comentou com ironia, mas Henry não desviou o olhar da estrada, embora se permitisse uma leve risada.

— Os filmes ruins costumam ter mais verdade do que a gente imagina.

Meia hora depois, Whitman estacionou o carro em frente a uma cabana de madeira. Parecia descuidada, com a pintura gasta e uma chaminé de pedra que logo começaria a lançar fumaça. Henry apagou as luzes do carro e se inclinou em direção a Rebecca.

— Fica aqui.

Ela o olhou com uma mistura de incredulidade e irritação.

— Como assim fico aqui? E se acontecer alguma coisa?

Henry sustentou o olhar, sério.

— Exatamente por isso. Se acontecer alguma coisa, preciso que você esteja em segurança.

Rebecca bufou, mas sabia que discutir seria inútil. Então o viu sair do carro e desaparecer entre as sombras que rodeavam a cabana; e o coração começou a bater mais rápido do que ela queria admitir.

Henry se aproximou devagar, procurando se fundir com as sombras da noite, e encontrou Whitman agachado, vasculhando com desespero entre as tábuas do chão. Parecia um homem à beira do colapso, com o rosto suado iluminado apenas pelo brilho da lareira recém-acesa.

— Seu miserável! Sabia que faria algo assim — disse Henry da porta, com um tom que misturava deboche e reprovação. — Se você avisa um criminoso, ele sempre vai se encarregar de colocar a mercadoria a salvo ou de fazer desaparecer qualquer prova que o incrimine.

Whitman se levantou de um salto, surpreso, com uma expressão de raiva e medo ao mesmo tempo.

— O que diabos você está fazendo aqui?! — balbuciou, apavorado.

Henry avançou devagar, com passos seguros.

— Porque não engoli nem por um segundo a sua história de vítima ameaçada. — Apontou para o buraco no chão, de onde saía uma caixa metálica. — Muito menos acreditei na sua cara de mártir.

— É muita informação — disse ela, folheando os papéis com cuidado. — Não entendo nada.

Henry se sentou diante do notebook e começou a escanear os papéis um por um. Os dedos se moviam com rapidez, mas os olhos denotavam cansaço.

— Eu também não entendo tudo. — Fez uma pausa e a olhou. — Mas o Camilo vai saber por onde começar, e sempre posso ir de joelhos implorar ao seu pai que decifre esse caos.

Rebecca o observava enquanto trabalhava. Havia nele uma mistura perigosa de determinação e esgotamento. De vez em quando passava a mão pelo cabelo, como se precisasse se lembrar de que ainda estava ali, que tudo aquilo não era um pesadelo.

— E se não for suficiente? — perguntou ela em voz baixa, e Henry a olhou por um instante antes de voltar o olhar para a tela.

— Então vou ter que encontrar mais. Mas por enquanto, é o que temos.

Rebecca assentiu, embora a ansiedade lhe revolvesse o estômago. Mas antes que pudesse ficar obcecada demais com isso, o som do celular a tirou dos próprios pensamentos. Vibrava sobre a mesinha de cabeceira, insistente, e o nome na tela a fez respirar com alívio. Um alívio que desapareceria imediatamente após o cumprimento do pai.

—Rebecca— a voz de Curtis soou tensa. —Liga a televisão agora mesmo.

Ela buscou o controle remoto com as mãos trêmulas e acendeu a tela. No primeiro canal apareceu um telejornal. As letras em vermelho corriam na parte inferior: *Empresa de Henry Sheppard acusada por fraude. Ordem de prisão preventiva contra o diretor executivo.

Rebecca sentiu um nó na garganta; e olhou para Henry, que havia parado de escanear e observava a tela com os lábios apertados.

—Os federais estão aqui, nos escritórios— continuou Curtis com uma voz carregada de urgência. —Chegaram para revirar tudo.

Rebecca engoliu seco e se virou para Henry, com os olhos cheios de medo.

— O que você vai fazer?

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