Rebecca e Henry ficaram em silêncio sentados naquele carro. A tarde estava úmida, e embora as nuvens começassem a se abrir, o ar frio de Portland ainda se sentia nos ossos. E Rebecca achava que Henry tinha a intenção de voltar ao hotel, mas ele apenas colocou as mãos sobre o volante e parou.
— Só um pouco mais… vamos esperar só um pouco mais — disse, sem ligar o motor ainda.
Rebecca o olhou com uma mistura de curiosidade e cansaço, e as sobrancelhas se franziraml evemente.
— Mas esperar o quê?
Henry não respondeu de imediato, apenas apontou com um gesto em direção à casa de Whitman. Do assento do carro conseguiam ver perfeitamente a entrada iluminada por um poste. Apenas alguns minutos depois, a porta se abriu e Brad Whitman apareceu, caminhando a passos apressados em direção ao carro com o qual havia chegado.
— Está vendo? — murmurou Henry, com uma faísca de triunfo no olhar. — Sabia que ele não ia ficar quieto.
Rebecca suspirou, deixando a cabeça cair contra o encosto do assento.
— A gente vai mesmo segui-lo?
Henry ligou o motor e a olhou com aquele meio sorriso que tanto a exasperava.
— Que outra opção temos?
Enquanto o seguiam, o sol começou a cair e o céu se tingiu de um laranja apagado que logo se tornou violeta. As ruas de Portland ficaram para trás e o carro tomou um caminho mais estreito que conduzia para as cercanias da cidade. Rebecca, com os braços cruzados e o cenho franzido, não parava de observar as árvores altas que rodeavam a estrada.
— Isso parece saído de um filme de suspense ruim — comentou com ironia, mas Henry não desviou o olhar da estrada, embora se permitisse uma leve risada.
— Os filmes ruins costumam ter mais verdade do que a gente imagina.
Meia hora depois, Whitman estacionou o carro em frente a uma cabana de madeira. Parecia descuidada, com a pintura gasta e uma chaminé de pedra que logo começaria a lançar fumaça. Henry apagou as luzes do carro e se inclinou em direção a Rebecca.
— Fica aqui.
Ela o olhou com uma mistura de incredulidade e irritação.
— Como assim fico aqui? E se acontecer alguma coisa?
Henry sustentou o olhar, sério.
— Exatamente por isso. Se acontecer alguma coisa, preciso que você esteja em segurança.
Rebecca bufou, mas sabia que discutir seria inútil. Então o viu sair do carro e desaparecer entre as sombras que rodeavam a cabana; e o coração começou a bater mais rápido do que ela queria admitir.
Henry se aproximou devagar, procurando se fundir com as sombras da noite, e encontrou Whitman agachado, vasculhando com desespero entre as tábuas do chão. Parecia um homem à beira do colapso, com o rosto suado iluminado apenas pelo brilho da lareira recém-acesa.
— Seu miserável! Sabia que faria algo assim — disse Henry da porta, com um tom que misturava deboche e reprovação. — Se você avisa um criminoso, ele sempre vai se encarregar de colocar a mercadoria a salvo ou de fazer desaparecer qualquer prova que o incrimine.
Whitman se levantou de um salto, surpreso, com uma expressão de raiva e medo ao mesmo tempo.
— O que diabos você está fazendo aqui?! — balbuciou, apavorado.
Henry avançou devagar, com passos seguros.
— Porque não engoli nem por um segundo a sua história de vítima ameaçada. — Apontou para o buraco no chão, de onde saía uma caixa metálica. — Muito menos acreditei na sua cara de mártir.
— É muita informação — disse ela, folheando os papéis com cuidado. — Não entendo nada.
Henry se sentou diante do notebook e começou a escanear os papéis um por um. Os dedos se moviam com rapidez, mas os olhos denotavam cansaço.
— Eu também não entendo tudo. — Fez uma pausa e a olhou. — Mas o Camilo vai saber por onde começar, e sempre posso ir de joelhos implorar ao seu pai que decifre esse caos.
Rebecca o observava enquanto trabalhava. Havia nele uma mistura perigosa de determinação e esgotamento. De vez em quando passava a mão pelo cabelo, como se precisasse se lembrar de que ainda estava ali, que tudo aquilo não era um pesadelo.
— E se não for suficiente? — perguntou ela em voz baixa, e Henry a olhou por um instante antes de voltar o olhar para a tela.
— Então vou ter que encontrar mais. Mas por enquanto, é o que temos.
Rebecca assentiu, embora a ansiedade lhe revolvesse o estômago. Mas antes que pudesse ficar obcecada demais com isso, o som do celular a tirou dos próprios pensamentos. Vibrava sobre a mesinha de cabeceira, insistente, e o nome na tela a fez respirar com alívio. Um alívio que desapareceria imediatamente após o cumprimento do pai.
—Rebecca— a voz de Curtis soou tensa. —Liga a televisão agora mesmo.
Ela buscou o controle remoto com as mãos trêmulas e acendeu a tela. No primeiro canal apareceu um telejornal. As letras em vermelho corriam na parte inferior: *Empresa de Henry Sheppard acusada por fraude. Ordem de prisão preventiva contra o diretor executivo.
Rebecca sentiu um nó na garganta; e olhou para Henry, que havia parado de escanear e observava a tela com os lábios apertados.
—Os federais estão aqui, nos escritórios— continuou Curtis com uma voz carregada de urgência. —Chegaram para revirar tudo.
Rebecca engoliu seco e se virou para Henry, com os olhos cheios de medo.
— O que você vai fazer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO
NUNCA, MAS NUNCA mesmo uma mulher com caráter voltaria com este homem escrito. Depois de ir para cama, transar por a boca em n lugares de uma puta? JAMAIS tocaria ou chegaria perto de mim...e com está família de ladrões, mentirosos, etc? Eu quereria distância, e melhor ainda NUNCA ter me tocado? Com certeza livramento......
Esse romance está com problemas nas páginas, trava ele só consegue chegar nas páginas seguintes pulando capítulos...
Sinceramente? Uma mulher, principalmente, ou homem com dignidade sairia e JAMAIS voltaria... dignidade acima de TUDO. Homem ou mulher que não respeitam os votos matrimônios não merecem respeito e chance....
Mas para passar para o capítulo seguinte agora aparece sempre a mesma página que temos que desbloquear com 7 moedas????? É brincar com as pessoas......