Rebecca saiu do quarto tão apressada e assustada que ia tropeçando em tudo pelo caminho, e aí se incluía o pai, com quem se chocou de frente. O rosto desfeito da filha o alarmou de imediato e Curtis a segurou pelos ombros.
— O que aconteceu? — perguntou se adiantando em direção a ela.
Rebecca quase tropecava nas próprias palavras, ofegante:
— O Henry… o Henry foi ferido na cadeia! Não posso ir na viagem, pai… não agora!
Curtis ficou imóvel por alguns segundos. O olhar escureceu e uma linha dura se marcou no maxilar.
— Isso não foi um acidente — disse com tom grave, porque já imaginava o que estava acontecendo. — O mandaram para Otisville e essa prisão normalmente não é tão violenta, então é óbvio que foi algo encomendado.
Rebecca levou uma mão ao peito, tentando manter a calma.
— E se acontecer de novo?… — perguntou olhando para o pai, e leu a certeza na expressão dele. — Você sabe que vai acontecer de novo.
Curtis lhe pôs uma mão no ombro, tentando transmitir firmeza, embora por dentro ardesse de preocupação.
— Calma. Vamos resolver isso. Alguém quer que o Henry não saia vivo de lá, e a gente não vai deixar ele morrer. Ninguém além de você tem direito de matar esse coitado, tá bom?
Rebecca não teve outra opção senão fazer um breve gesto de concordância antes de correr para a porta, e enquanto o fazia discou o número de Camilo com os dedos trêmulos. Mal ouviu a voz dele, soltou tudo de uma vez.
— Camilo, é o Henry… o esfaquearam na prisão…
—Como assim?* Camilo reagiu de imediato, se levantando no escritório. *Onde você está?
— Em casa. Estou saindo para Otisville.
—Te encontro lá.
Menos de uma hora depois, os dois estavam diante dos muros cinzas da prisão. O ar frio cortava a pele, mas Rebecca mal percebia. Só queria ver Henry, no entanto, quando pediu para entrar o guarda a deteve.
— Desculpe, senhora Callaway. O interno Sheppard não autorizou visitas suas.
Rebecca piscou, incrédula.
— Como? O que quer dizer que não…?
Mas o guarda foi categórico.
— Ele disse que não quer vê-la.
Rebecca ficou pregada no lugar, sentindo que o mundo se sacudia de uma forma estranha, e Camilo lhe pôs uma mão nas costas.
— Deixa eu falar com ele. Talvez tenha seus motivos.
— Pois que se certifique de que sejam muito bons, porque no dia em que sair de lá vai ter que me explicar isso! — rosnou ela entre os dentes enquanto se sentava para esperar Camilo, que entrou pouco depois.
O levaram até a enfermaria e ele se sentou à frente de Henry, apertando os punhos ao ver o rosto do amigo tão pálido e uma atadura com uma mancha de sangue no lado direito.
— Por favor me diz que o outro ficou muito pior! — bufou com impotência.
— Para quê? Para que me façam outro julgamento por agressão ou algo assim? — replicou Henry com impotência.
— Por que você não quis ver a Rebecca? — foi a segunda pergunta do amigo, e Henry desviou o olhar.
— Não quero que ela me veja assim. Ela já sofreu demais. Não quero que guarde essa versão minha, caído numa maca como um animal atropelado.
Camilo bateu suavemente na mesa com a palma.
— Você não está percebendo? Ela sabe de qualquer jeito! Sabe que você está mal!
Curtis se inclinou para a frente, apoiando as duas mãos na mesa.
— Não é espetáculo. É justiça. E garanto que a minha ação não vai ser a única. Porque agora estão fazendo o mesmo com o Henry Sheppard.
Houve um silêncio pesado na sala e o governador pigarreou.
— Se isso for a julgamento, vai custar bilhões aos cofres da cidade.
Curtis arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Então é melhor começarem a pensar em como vão explicar isso.
Rebecca, incapaz de se conter mais, entrou abruptamente. O rosto estava vermelho de raiva e angústia.
— O Henry foi esfaqueado na cadeia! — exclamou, olhando para todos. — E se ele morrer lá dentro, a ação que vamos mover vai ser de um tipo muito diferente.
O diretor do FBI ergueu as mãos.
— Senhora Callaway, entendo a sua preocupação, mas…
— Está preso sem fiança, igual ao meu pai!
— É que o protocolo assim o determina, ele não pode sair. O risco de fuga é alto — murmurou um dos juízes, e Rebecca o olhou com fogo nos olhos.
— Risco de fuga? Para isso existem as tornozeleiras eletrônicas. Ou vão esperar que o matem para depois dizer que se enganaram?
Os presentes trocaram olhares desconfortáveis. Era evidente que estavam entre agradar a opinião pública, que quase sempre clamava pela queda dos poderosos, ou enfrentar uma ação judicial que podia custar suas carreiras. E Curtis aproveitou o silêncio.
— Vou retirar a minha ação contra a cidade e contra o FBI — disse, com voz firme. — Em troca de que concedam fiança ao Henry, com monitoramento eletrônico.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO
NUNCA, MAS NUNCA mesmo uma mulher com caráter voltaria com este homem escrito. Depois de ir para cama, transar por a boca em n lugares de uma puta? JAMAIS tocaria ou chegaria perto de mim...e com está família de ladrões, mentirosos, etc? Eu quereria distância, e melhor ainda NUNCA ter me tocado? Com certeza livramento......
Esse romance está com problemas nas páginas, trava ele só consegue chegar nas páginas seguintes pulando capítulos...
Sinceramente? Uma mulher, principalmente, ou homem com dignidade sairia e JAMAIS voltaria... dignidade acima de TUDO. Homem ou mulher que não respeitam os votos matrimônios não merecem respeito e chance....
Mas para passar para o capítulo seguinte agora aparece sempre a mesma página que temos que desbloquear com 7 moedas????? É brincar com as pessoas......