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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 52

Camilo travou na frente da porta como se tivesse levado um soco no meio do rosto. O ar fugiu dos pulmões de uma vez e, por um segundo, sentiu o mundo rodando fora de controle. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo, mas as vozes lá dentro seguiam em frente — tranquilas, despreocupadas, sem a menor ideia do estrago que estavam causando do outro lado.

— Eu sempre soube que o Camilo ia ceder — dizia Brenda com uma segurança de arrepiar. — Ele não tem jeito, é bonzinho demais. Faz o papel de rebelde, mas o coração fala mais alto. Bastou chorar duas vezes com essa história de doença no coração pra eu voltar a ser a prioridade dele. E claro… nenhuma mulher ia aguentar.

As palavras entraram nele como agulhas. Ele sentiu os dedos entorpecerem em volta do jornal enrolado na mão.

Lá dentro, Stacy soltou uma risada mansa, cheia de deboche.

— É verdade — disse ela. — A santinha da Seija cedo ou tarde ia se cansar de ser ignorada. Era questão de tempo até ela desabar, mas no fim quem permitiu que você mandasse nela como se fosse um cachorrinho foi o próprio Camilo.

As duas caíram na gargalhada. O som atravessou a porta e pousou no peito de Camilo como um peso, porque aquilo era uma verdade que ele não tinha como contestar.

— E ainda me dei ao trabalho de escolher tudo pro casamento sabendo exatamente o que ela odiava — acrescentou Brenda, orgulhosa. — Foi delicioso demais ver meu filho mandar ela engolir o choro toda vez que tentava opinar até na flor mais boba.

Camilo fechou os olhos, a impotência apertando o peito. Sim, tinha feito exatamente isso — calado ela enquanto a mãe aproveitava cada segundo daquilo.

— Ainda bem — respondeu Stacy. — Porque você escolheu tudo do meu gosto, sabia que no final ia ser o meu casamento mesmo.

— Exatamente — continuou Brenda. — E vai ser um casamento lindo agora que nos livramos daquela vadia. Se eu não tivesse medo que ele fosse estragar tudo, juro que mandava um convite pra ela só pra esfregar na cara!

Camilo fechou a mandíbula com força até doer. Henry, do seu lado, ficou quieto, de olho em qualquer reação impulsiva.

— Agora você tá satisfeita? — perguntou Brenda, como se a resposta de Stacy fosse muito importante.

— Vou ficar quando o Camilo disser sim no altar — respondeu Stacy. — Quando os papéis estiverem assinados, aí sim eu fico feliz. Até lá, pode deixar que o seu segredo tá guardado.

Houve uma pausa breve antes de Brenda retomar, num tom que deixava claro que a resposta não tinha lhe agradado de todo.

— Tá bom — disse ela. — Mulher tem que se ajudar. E eu vou me encarregar de apagar a vadia da Seija da cabeça do meu filho de uma vez por todas.

Camilo respirou fundo tentando segurar o tremor nas mãos, enquanto o peso de tudo que tinha feito caiu de vez.

— Ela me disse que não conseguia respirar… — murmurou, quase pra si mesmo, e as imagens voltaram com violência: Seija na calçada, as mãos tremendo enquanto pedia socorro, o desespero nos olhos dela enquanto lutava por ar.

— Eu… — continuou, com a voz partindo. — Pedi pra ela desculpar minha mãe. Disse que estava exagerando. Disse que tinha sido acidente.

Fechou os olhos por um segundo, incapaz de absorver tanta culpa de uma vez só.

— A Seija chamou a ambulância sozinha — acrescentou, os olhos marejando. — Estava cercada de gente que queria o mal dela… e a única pessoa que devia estar do lado dela era eu. E eu não estava.

Henry ouvia sem dizer nada, com uma seriedade que raramente aparecia nele.

— Você imagina o medo que ela deve ter sentido na hora que pediu socorro? — perguntou Camilo, olhando direto pra ele. — Sabendo que eu estava ali… e que mesmo assim eu não estava do lado dela.

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