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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 54

UM ANO DEPOIS

Henry estava no quarto, brigando com a gravata borboleta na frente do espelho, quando o telefone tocou e a assistente, com voz nervosa, falou rápido porque sabia que não era hora de interromper:

— Senhor Sheppard, já sei que não é um bom momento, mas meu trabalho é mantê-lo informado: um dos investidores insiste em se reunir com o senhor hoje mesmo. Diz que quer assinar a proposta de investimento antes do fim do mês.

Henry soltou uma breve gargalhada.

— Diz pra ele que vai ter que esperar dois meses.

— Dois meses? — repetiu a assistente, um pouco assustada porque o investidor parecia apressado, mas era óbvio que ao chefe importava muito pouco isso.

— Exatamente, nem um dia menos. Vou me casar — respondeu Henry com um sorriso que se refletia no vidro —, e durante a lua de mel não pretendo trabalhar nem um segundo. A menos que seja pra minha esposa… mas isso já é coisa particular.

A assistente riu do outro lado da linha.

— Já imaginava, senhor. Parabéns pelo casamento.

Henry desligou depois de agradecer e se olhou no espelho dando uma sacudida no paletó. Estava mais nervoso do que um menino no primeiro dia de aula, com as mãos tremendo e um sorriso que não conseguia disfarçar.

— Respira, Henry — disse em voz baixa —. Não é todo dia que você se casa com o amor da sua vida. Se você sufocar antes de dizer sim, não vai contar como casamento.

De repente, um balbucio pequeno quebrou o silêncio e Henry se virou apressado. Ethan, já andando e com seu diminuto terno cinza, se aproximou cambaleando em direção a ele. Tinha o cabelo despenteado e os olhos cheios de curiosidade.

— Olha esse pequeno cavalheiro — disse Henry, se abaixando pra pegá-lo no colo —. Parece um homenzinho de verdade.

O menino tocou a gravata borboleta com os dedinhos e soltou uma risinha. Henry o ergueu no ar e o beijou na bochecha. Da porta, a irmã lhe fez um sinal com a cabeça porque já o tinha deixado pronto e se virou pra ir se arrumar ela mesma.

— Sabe, campeão, vou precisar que você me abrace muito — disse Henry, acomodando-o contra o peito —. Porque na hora que eu ver sua mãe entrar, vou ficar muito nervoso.

Ethan apoiou a cabeça no ombro dele, como se entendesse perfeitamente; e Henry fechou os olhos por um instante e suspirou, deixando a emoção tomar conta.

— Hoje começa tudo, pequeno — sussurrou —. Tudo o que a gente sonhou.

E enquanto lá fora os sinos começavam a tocar, Henry sentiu que, finalmente, depois de tanto caos, tinha encontrado o seu lugar no mundo: ali mesmo, entre os braços do filho, esperando a mulher que tinha mudado a sua vida.

Meia hora depois Camilo o escoltava até o altar como se fosse um segurança bem pago, e Henry passou Ethan para o padrinho, fazendo Camilo resmungar. Carter levou o bebê até as fileiras e Henry colocou a mão no ombro do melhor amigo para acalmá-lo.

— Você sabe que tinha que ser ele, salvou a vida deles — disse.

— Já sei, já sei, mas eu também quero ser padrinho — replicou Camilo fazendo birra —. Então se apresse e faça outro. Você tem dois meses de lua de mel, se a Rebecca não voltar grávida, você e eu vamos ter um problema sério.

— Pode entrar na fila — riu Henry —, porque meu sogro já me avisou que quer uma menina, e minha mãe anda me dando não sei que chá fertilizante porque quer gêmeos.

— Que coisa! Pra fertilidade, tarado, não fertilizante…! Mas só por curiosidade, qual é?

Henry fez uma careta e encolheu os ombros.

— Deve ser o que as mulheres tomam nas novelas que minha irmã lê, onde só nascem trigêmeos e quadrigêmeos.

E ele não conseguia ver mais nada, nem o pai dela que a acompanhava pelo braço, nem o filho que ia na frente de todo mundo, tropeçando e rindo. Henry só sentiu a alma derreter e a boca abrir ao vê-la avançar pelo corredor.

— Meu Deus… — sussurrou, sem perceber que estava falando em voz alta —. É um anjo.

Camilo riu e deu uma cotovelada nele.

— Fecha a boca, que vão te fotografar assim.

Mas Henry também não ouvia. Só conseguia olhar pra Rebecca, que avançava com uma calma que contrastava com a tempestade que ele carregava por dentro. Então quando ela chegou diante dele, Henry não se conteve: a pegou pela cintura, a ergueu nos braços e a girou com uma risada emocionada.

Os convidados aplaudiram, encantados, e Rebecca caiu na risada.

— Henry! — sussurrou entre risos —. A gente nem começou ainda e você já tá quebrando o protocolo!

— Não me importo — respondeu ele, com os olhos brilhando —. Não pretendo esperar mais.

Se inclinou pra beijá-la, mas naquele exato momento o padre levantou a Bíblia entre os dois, de modo que os dois acabaram beijando o couro entre as gargalhadas da plateia.

— Ainda não, meu filho — disse com tom solene, embora os olhos brilhassem de diversão —. Primeiro os votos, depois os beijos.

A igreja explodiu em aplausos, e Henry passou a mão pelo cabelo, corado, enquanto Rebecca mal se continha de rir.

— Bom — disse ela —, parece que você vai ter que merecê-lo.

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