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O ÚLTIMO BEIJO... ANTES DO DIVÓRCIO romance Capítulo 55

As notícias sobre os preparativos do casamento tomaram a cidade feito fogo em palha seca. Não tinha revista de fofoca, portal digital ou programa matinal que não falasse da união entre Camilo Marshant e Stacy Markis. As fotos da loja de vestidos, os rumores sobre o salão escolhido e as especulações sobre o cardápio enchiam páginas inteiras.

E, claro, não demorou pra surgirem as perguntas inevitáveis.

"E a noiva anterior?"

"O que aconteceu de verdade com o término?"

"Foi ele quem a deixou?"

Os tabloides se alimentavam de cada insinuação. Inventavam teorias, reconstituíam cenas que jamais tinham presenciado e pintavam Seija como a mulher que não soube dar valor ao que tinha. Camilo lia algumas manchetes com o cenho franzido, sem saber se ria ou rasgava o jornal em pedaços.

No entanto, todo aquele circo midiático foi deixado de lado de uma hora pra outra quando uma notícia muito mais grave sacudiu a cidade: o sequestro do bebê de Henry e Rebecca.

A angústia coletiva foi imediata. As câmeras que antes farejavam detalhes de arranjos de mesa e flores importadas agora cercavam a mansão de Henry. Por horas o caos foi total. No final, o resgate do pequeno aconteceu deixando algumas mortes pelo caminho — e embora, felizmente, nenhuma fosse de alguém querido, o susto deixou todo mundo abalado.

Camilo esteve lá, como amigo, como apoio, como se supunha que deveria ser. E mesmo assim, até num momento tão extremo, percebeu algo que doeu mais do que estava disposto a admitir: nem em meio àquele inferno Seija deixou que ele se aproximasse pra confortá-la.

Ela se manteve firme, concentrada em Rebecca, no bebê, em tudo menos nele.

Alguns dias depois, quando a situação já havia se acalmado, Camilo voltou à mansão. Foi conversando com Henry pelo caminho, tentando fingir que uma parte dele não estava destruída.

— Como o bebê tá hoje? — perguntou enquanto cruzavam o jardim.

— Mais tranquilo — respondeu Henry. — A Rebecca não larga ele nem pra respirar.

Entraram na casa e o murmúrio suave do interior os envolveu. Camilo foi direto à sala esperando ver o bebê… e parou de repente.

Ali, perto do sofá, estava Seija, segurando a criança nos braços com uma ternura que apertou o peito dele. Falava em voz baixa, quase sussurrando, enquanto Rebecca a observava com um sorriso cansado.

Seija ergueu o olhar e seus olhos se cruzaram com os de Camilo. Por um segundo ninguém falou, o ar pareceu ficar mais pesado, e ela foi a primeira a quebrar o silêncio. Inclinou-se e beijou a testa do bebê.

— Volto outro dia, campeão — murmurou com carinho antes de entregá-lo a Rebecca e pegar o casaco do encosto da cadeira.

Depois procurou a bolsa com movimentos tranquilos, quase mecânicos, mas Camilo reagiu e deu um passo à frente.

MEU MELHOR INIMIGO. CAPÍTULO 55. Uma humilhação deliberada. 1

MEU MELHOR INIMIGO. CAPÍTULO 55. Uma humilhação deliberada. 2

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