Ao chegar à mansão naquela noite, Helena entrou na sala de estar e parou imediatamente.
Eduardo estava sentado sozinho no sofá, com um copo de uísque na mão. Sua postura era serena e ao mesmo tempo fria, mas havia algo em seu semblante que fez Helena perceber, no mesmo instante, que ele a esperava.
Eduardo ficara fora por uma semana e Helena realmente ficou surpresa ao vê-lo, por isso, ela sorriu discretamente, surpresa.
— Eduardo...
Ele ergueu os olhos para ela.
— Parece surpresa em me ver. — A voz saiu baixa, porém fria.
Helena caminhou até um dos sofás e pousou a bolsa sobre ele.
— Não sabia que voltaria hoje.
Eduardo levou o copo aos lábios, tomou um pequeno gole e permaneceu alguns segundos em silêncio.
Depois perguntou, sem desviar os olhos dela:
— Se divertiu muito hoje?
Helena estranhou a pergunta.
— Fui a uma exposição.
— Imagino que tenha sido uma tarde agradável.
Ela franziu levemente a testa, Havia algo estranho naquele tom.
— Sim... foi.
Eduardo apoiou lentamente o copo sobre a mesa de centro e levantou-se. Deu alguns passos em direção a Helena, aproximou-se sem pressa.
Quando parou diante dela, seus olhos escuros estavam mais frios do que o habitual.
— Ainda falta algum tempo para o fim do nosso contrato.
Helena o encarou sem compreender.
— Eu sei.
Ele sustentou o olhar dela por mais alguns segundos.
— Espero que esteja respeitando o que foi combinado entre nós.
As palavras foram ditas com absoluta calma e justamente por isso pareceram ainda mais duras. Helena sentiu um aperto no peito.
— Eduardo... do que você está falando?
Eduardo olhou bem em seus olhos como se buscasse alguma mentira escondida naqueles belos olhos límpidos cor de mel, mas o que ele viu foi inocência e confusão.
Ele já havia acreditado em olhares como aquele, não iria cair de novo.
— Tem certeza que não sabe? — Perguntou ele com um sorriso amargo.
— Se você me disser do que se trata, talvez eu possa te explicar. — Havia súplica de entender o que ele estava insinuando.
Por um instante, pareceu que ele responderia, mas desistiu.
— Não vale a pena. — Eduardo desviou os olhos, pegou novamente o copo uísque e caminhou em direção à escada.

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