Naquela manhã, Helena acordou antes do despertador. Permaneceu alguns instantes deitada, observando os primeiros raios de sol atravessarem a cortina do quarto.
A casa ainda estava silenciosa.
Havia dias que Eduardo viajou novamente. Ela sequer perguntou para onde ou quando voltaria e ele também não lhe dera qualquer explicação.
Era assim que viviam, como dois desconhecidos dividindo o mesmo endereço.
Levantou-se e depois caminhou até o pequeno oratório instalado próximo à janela. e como fazia todas as manhãs, ajoelhou-se e fechou os olhos.
— Senhor… ensina-me a esperar sem perder a esperança. Ajuda-me a compreender aquilo que meus olhos ainda não conseguem enxergar.
E por fim rezou por Eduardo. Mesmo sem saber onde ele estava, mesmo sem saber se ele precisava. Mas naquela manhã, quando pensou nele sentiu um aperto no coração e rezou com mais fervor.
Após terminar a oração, respirou profundamente e levantou-se.
Mais um dia começava.
*****
Nos dias que se seguiram, Helena procurou manter a rotina. O trabalho voltou a ocupar grande parte de seus dias, mas, no fim da semana seguinte, conseguiu reservar algumas horas livres no fim da tarde.
Havia meses que aguardava a abertura da exposição de um renomado artista contemporâneo, conhecido por unir esculturas em pedra e iluminação em obras de grande impacto visual. Para Helena, aquela exposição representava muito mais do que um passeio; era uma oportunidade de conhecer novas técnicas e buscar inspiração para futuros projetos.
Naquela tarde, saiu mais cedo da empresa acompanhada de Bianca.
O centro cultural estava movimentado. Arquitetos, designers, empresários, colecionadores e apreciadores de arte caminhavam pelos amplos salões, admirando as obras expostas.
Helena e Bianca percorriam a galeria sem pressa.
Paravam diante de uma escultura, observavam atentamente os acabamentos, comentavam detalhes sobre a escolha dos materiais e seguiam para a próxima instalação.
Em determinado momento, Bianca avistou alguns conhecidos.
— Helena, vou falar com eles um instante.
— Claro. Pode ir.
Helena continuou sozinha.
Parou diante de uma imponente instalação composta por mármore branco e aço escovado. A forma parecia desafiar a gravidade, enquanto a iluminação criava delicados jogos de sombras sobre a pedra.
Absorvida pelos detalhes da obra, ouviu uma voz familiar atrás de si.
— Imaginei que encontraria você aqui.
Ela fechou discretamente os olhos antes de se virar.
— Danilo...
Ele sorriu com naturalidade.

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