— Sente-se.
O tom de Eduardo era formal demais para um marido conversando com a própria esposa.
Helena acomodou-se na cadeira em frente à mesa.
Eduardo deu a volta e sentou-se do outro lado. Vestia um terno cinza-escuro impecavelmente alinhado, como se a noite anterior jamais tivesse existido.
Por um instante, Helena teve a estranha sensação de estar diante do presidente do Grupo Monteiro, não do homem com quem dividia a mesma casa, mesmo que raramente e a lembrança do único dia em que estivera no escritório dele, na empresa, cruzou sua mente.
Diante do silêncio de Helena, Eduardo apoiou as mãos sobre a mesa.
— Preciso lhe contar uma coisa sobre a Viviane.
O coração de Helena disparou e seu rosto perdeu a cor. Durante um breve instante, preparou-se para ouvir o pior.
Eduardo percebeu sua reação, mesmo assim, manteve a voz firme, frio e distante.
— A Viviane foi presa. — Não havia qualquer tipo de emoção em sua voz.
Helena piscou, atônita. Por um momento, teve a impressão de que havia entendido errado.
— Presa? Como assim? Quando?
— Ontem.
Ela balançou a cabeça, completamente confusa.
— Mas... por quê?
Eduardo respirou profundamente antes de continuar.
— Porque a mulher que conhecemos como Viviane nunca existiu, ou melhor, não como nós conhecemos.
Helena franziu a testa, mais surpresa ainda.
— O verdadeiro nome dela é Angelina Santos.
Então, sem pressa, Eduardo começou a contar tudo. Desde o dia que reencontrou Leonardo e tudo que ele havia descoberto sobre o passado de Viviane e seu verdadeiro nome.
À medida que a história avançava, Helena sentia como se estivesse ouvindo a narração de um filme, que não era real. Era difícil acreditar que alguém pudesse sustentar uma mentira daquela dimensão durante tantos anos.
Quando Eduardo terminou, ela permaneceu imóvel, tentando organizar os pensamentos.
— Então... a verdadeira Viviane...
A voz lhe faltou.
Eduardo assentiu lentamente.
— Morreu naquele acidente e Angelina é a principal suspeita de ter provocado sua morte para assumir sua identidade.
Helena estava completamente chocada.
— Meu Deus...
Depois de alguns instantes, Eduardo falou novamente.
— Angelina nasceu em uma família muito pobre. Ainda jovem, abandonou os pais e os irmãos porque não aceitava a vida que tinha. Depois disso, passou anos vivendo às custas de homens ricos e casados, sempre aplicando golpes até encontrar uma oportunidade maior.
Sua voz permanecia controlada, mas Helena conseguia perceber a revolta contida em cada palavra. Quando Eduardo mencionou "uma oportunidade maior", ela compreendeu que ele se referia a si mesmo.
— E ainda tem mais. — O olhar de Eduardo tornou-se ainda mais sombrio, como se reviver aquelas lembranças despertasse um rancor que ele tentava manter sob controle. — Na noite do atentado...
Helena arregalou os olhos.
Em um instante, a cena voltou à sua memória: o tumulto, os gritos, o brilho da faca, Viviane caindo nos braços de Eduardo coberta de sangue.
Ela voltou a encará-lo e percebeu que ele procurava cuidadosamente as palavras. Aquilo era incomum em um homem sempre tão seguro e controlado.
— Foi tudo uma armação de Viviane. — Sua voz saiu baixa, quase amarga. — Ela contratou um homem para simular um atentado contra mim... e, no momento certo, colocou-se na frente da faca para parecer que havia salvado a minha vida.
Helena foi incapaz de esconder o horror estampado em seu rosto.
— Você está me dizendo... que ela recebeu aquela facada de propósito?
Eduardo sustentou seu olhar por alguns segundos. Então fez um lento movimento afirmativo com a cabeça.
— Sim.
Helena permaneceu em silêncio, tentando assimilar o que acabara de ouvir.
Por fim, balançou a cabeça, incrédula.
— Mas... que tipo de pessoa faz uma coisa dessas?
Eduardo desviou os olhos por um instante, como se ainda lhe fosse difícil aceitar que havia sido enganado de maneira tão cruel.
Quando voltou a falar, sua voz era fria.
— Uma pessoa doente ou… o tipo de pessoa capaz de qualquer coisa para alcançar o que deseja.
Eduardo desviou o olhar para a janela.
— E eu fui cego. — As palavras saíram carregadas de amargura. — Acreditava em tudo o que ela dizia… e era tudo mentira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido