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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 191

Naquela noite, Helena caminhava sem rumo pela casa silenciosa. Quase sem perceber, desceu para o andar inferior, onde ficava o piano.

Parou diante dele por alguns instantes. Passou delicadamente a mão sobre o instrumento. Um sorriso amargo surgiu em seus lábios.

Lembrou-se do dia em que chegara àquela casa. Olga lhe disse que Eduardo havia comprado aquele piano para ela. Helena sentiu que era um gesto de atenção da parte dele, mas hoje, nada daquilo fazia sentido.

Helena sentou-se diante do instrumento, fazia muito tempo que não tocava.

Os dedos hesitaram sobre as teclas antes de encontrarem, pouco a pouco, uma melodia melancólica e carregada de saudade. Cada nota parecia traduzir aquilo que ela já não conseguia colocar em palavras.

Quando a última nota ecoou pela sala e o silêncio voltou a dominar a casa, Helena percebeu uma lágrima escorrer por seu rosto.

Enxugou-a discretamente. Fechou a tampa do piano e voltou ao andar principal.

Nada havia mudado.

As luzes indiretas iluminavam suavemente a sala, Eduardo ainda não havia voltado e, provavelmente, não voltaria para casa naquela noite.

Soltou um longo suspiro e se dirigiu à escada. Ao chegar no andar de cima, Helena parou surpresa. Os faróis de um carro iluminaram a fachada da casa. Helena parou no meio da sala. Instantes depois, ouviu a porta abrir e Eduardo entrar.

À primeira vista, ela mal o reconheceu.

O homem de postura impecável e aparência sempre irretocável parecia ter desaparecido. O paletó estava jogado sobre um dos ombros, a gravata afrouxada, os primeiros botões da camisa abertos e os cabelos, normalmente alinhados, estavam desalinhados. Seus passos eram lentos e incertos.

— Ora... ora... — murmurou com um sorriso torto. — Minha querida esposa... ainda está acordada.

Helena permaneceu imóvel por um instante, surpresa. Jamais o havia visto naquele estado. Quando Eduardo cambaleou levemente, ela se aproximou por instinto para ampará-lo.

Ele ergueu uma das mãos, tentando afastar sua ajuda.

— Eu... estou bem.

As palavras saíram arrastadas, denunciando o efeito do álcool. Depois voltou os olhos para ela.

— O que faz acordada até essa hora?

Helena ignorou a pergunta.

— Quer que eu prepare alguma coisa para você?

Eduardo permaneceu em silêncio, apenas a observando.

Helena percebeu que havia algo diferente em seu olhar. Eduardo a olhou de uma forma estranha, não havia frieza no olhar, havia algo misterioso, difícil de decifrar.

Por um instante, ela teve a impressão de que Eduardo queria dizer alguma coisa. Helena sustentou o olhar dele por alguns instantes.

Era como se todo o peso do mundo estivesse estampado naquele rosto que, durante anos, aprendera a esconder qualquer emoção. Ela deu mais um passo em sua direção.

— Eduardo... aconteceu alguma coisa?

Ele demorou a responder.

Os olhos permaneceram fixos nela, como se procurassem uma resposta que nem ele mesmo sabia formular.

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