Na sala íntima da família Monteiro, o silêncio reinava absoluto. Ninguém ousava dizer uma palavra depois de tudo o que Leonardo havia contado. A verdade parecia pesada demais para ser assimilada de uma só vez.
Eduardo respirou fundo antes de quebrar o silêncio.
Sua voz saiu firme, mas carregava um cansaço que não era físico.
— Os laudos oficiais confirmaram integralmente as conclusões da investigação conduzida pelo Leonardo.
Por um instante, Eduardo voltou o olhar para o irmão, como se aquele simples gesto fosse também um reconhecimento pela luta silenciosa que ele travara durante tantos anos.
Depois prosseguiu:
— A Polícia Civil concluiu que existem elementos suficientes para responsabilizar Angelina Santos pelos crimes de falsa identidade, uso de documento falso, falsidade ideológica, fraude processual e ocultação da própria identidade durante anos.
Fez uma breve pausa.
— E não é só isso. — O ambiente pareceu ficar ainda mais pesado. — O inquérito sobre a morte da verdadeira Viviane Teles foi oficialmente reaberto.
Olívia levou lentamente a mão ao peito como se uma dor fosse dilacerá-la e seu rosto perdera completamente a cor.
— Meu Deus… — Sua voz saiu quase num sussurro. — Então... durante todos esses anos...
Ela não conseguiu terminar a frase, as lágrimas já escorriam silenciosamente por seu rosto.
Gilberto permanecia imóvel. O empresário acostumado a tomar decisões difíceis parecia incapaz de organizar os próprios pensamentos. Depois de alguns instantes, passou lentamente a mão pelo rosto.
— Quer dizer que… — olhou primeiro para Leonardo… depois para Eduardo… — Tudo o que aconteceu entre vocês… foi consequência de uma mentira?
Leonardo abaixou os olhos.
— Sim.
Gilberto fechou os olhos por um instante, sentiu um peso esmagador sobre os ombros. Durante anos acreditara que Leonardo havia traído o próprio irmão. Embora jamais deixasse de amá-lo, também jamais conseguira compreender sua atitude. Agora descobria que seu filho passara todos aqueles anos carregando uma culpa que nunca lhe pertenceu.
Olívia já não continha o choro, levantou-se da poltrona e caminhou até Leonardo. Com as mãos trêmulas, segurou seu rosto entre as palmas, como fazia quando ele ainda era menino.
— Meu filho… Como você suportou tudo isso sozinho?
Leonardo sorriu com tristeza.
— Porque eu sabia que, um dia, a verdade apareceria.
Olívia o abraçou demoradamente. Dessa vez, Leonardo não conseguiu conter as lágrimas.
Gilberto aproximou-se em seguida e pousou a mão sobre o ombro do filho. Não precisou dizer nada, o gesto dizia mais do que qualquer pedido de desculpas.

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