Os dois carros acabavam de chegar ao sítio de Carmen e, como sempre, ela os aguardava na varanda.
Mal os passageiros começaram a descer, ela já descia os poucos degraus, apoiando uma das mãos no corrimão, mas sem conseguir esconder a alegria estampada no rosto.
Carmen abraçou a todos com visível emoção. Assim que abraçou Eduardo se emocionou e depois se afastou para vê-lo, fazia quase um ano que não via o neto. Carmen acariciou seu rosto como fazia desde que ele era menino.
— Você anda trabalhando demais.
Eduardo sorriu discretamente.
— Também senti saudades.
Ele lhe deu um beijo carinhoso na testa.
Quando se afastaram, Carmen percebeu que ainda havia alguém dentro do carro e seu sorriso vacilou. A porta traseira se abriu lentamente e Leonardo desceu.
Ele ficou alguns segundos parado ao lado do carro e encontraram os olhos da avó. Nenhum dos dois conseguiu dizer uma palavra.
As lágrimas encheram imediatamente os olhos de Carmen. Ela levou a mão à boca, tentando conter a emoção.
— Leonardo… — Sua voz saiu embargada, quase um sussurro.
Leonardo sorriu e já não conseguia conter as lágrimas.
— Oi, vó.
Foi o suficiente, Carmen caminhou rapidamente em sua direção. Apesar da idade, parecia ter recuperado a agilidade de muitos anos antes.
Quando chegou diante dele, segurou seu rosto entre as mãos trêmulas, igual fazia com Eduardo quando eles eram crianças.
— Meu menino... Você voltou...
Leonardo não respondeu, apenas abraçou a avó como alguém que finalmente encontrava o caminho de casa.
Carmen fechou os olhos e chorou encostada ao peito do neto.
— Eu rezei tanto por esse dia… Tanto… Durante todos esses anos… Nunca deixei de pedir a Deus que trouxesse você de volta.
Leonardo apertou ainda mais o abraço.
— Desculpa, vó… — Sua voz saiu embargada. — Eu demorei demais.
Ela afastou-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.
Levou uma das mãos ao rosto dele e enxugou uma lágrima que escorria.
— Não peça perdão. O importante… é que você voltou.
A emoção tomou conta de todos… aquela família voltava a ser inteira.
*****
A alegria tomou conta do sítio desde o momento em que a família se reuniu. O almoço foi regado a conversas, lembranças e muitos risos.
Leonardo parecia um menino outra vez.
Percorreu cada canto da propriedade, recordando histórias da infância, caminhou pelos antigos pomares e, mais tarde, cavalgou ao lado de Eduardo e Gilberto pelos campos do sítio.
Enquanto isso, Helena aproveitou a pista de treinamento para aperfeiçoar sua equitação.

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