A noite não foi diferente do dia.
Feliz com o retorno de Leonardo, Carmen organizou uma roda de viola no jardim e convidou alguns vizinhos e os empregados do sítio.
Uma grande mesa de madeira foi montada sob as árvores, repleta de quitutes preparados no fogão a lenha, doces caseiros e bebidas.
Logo a viola começou a tocar.
As modas sertanejas se espalharam pelo sítio, acompanhadas por vozes que cantavam em coro. O clima alegre envolveu a todos.
Até Eduardo, sempre reservado, deixara de lado a formalidade habitual.
Vestia apenas uma camisa de mangas dobradas, bebia cerveja enquanto conversava com o pai e o irmão, cumprimentava antigos funcionários e provava, sem cerimônia, os quitutes preparados por Dona Cida, a cozinheira.
Não parecia o empresário impecável dos ternos de três peças e pela expressão quase sempre impenetrável.
Ali… entre pessoas simples, rodeado pela família, Eduardo parecia apenas um homem comum.
Helena observava tudo à distância.
Sentada sobre um grande tronco de madeira próximo ao lago, segurava uma taça de vinho entre as mãos enquanto contemplava a alegria que tomava conta do jardim.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios. Era bonito vê-lo daquele jeito. Pouco depois, percebeu Eduardo caminhar em sua direção.
Helena apenas sorriu de leve enquanto Eduardo sentou-se ao seu lado. Durante alguns instantes, nenhum dos dois falou. A música preenchia o silêncio entre eles.
— Está tudo bem? — perguntou ele, por fim. — Por que está aqui sozinha?
Helena voltou os olhos para o jardim.
— Está sim, eu gosto de observar o movimento das pessoas. Todos parecem tão felizes.
Eduardo acompanhou seu olhar e um sorriso pequeno sorriso surgiu no canto dos lábios de Eduardo.
— E estão.
Helena voltou-se para ele, havia algo diferente naquela noite. A dureza de sempre parecia ter cedido lugar a uma serenidade que ela jamais imaginara presenciar.
Tomou coragem.
— Você também parece... feliz de verdade.
Eduardo permaneceu alguns segundos em silêncio, depois olhou diretamente para ela.

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