Assim que percebeu o engano, a postura da atendente mudou por completo. Quando Helena e Laura terminaram de conversar, ela se aproximou, visivelmente constrangida.
— Senhora Monteiro, peço desculpas. Não a reconheci. Se soubesse quem a senhora era, esse mal-entendido não teria acontecido.
Laura percebeu o embaraço da funcionária e franziu a testa.
— O que houve? Não a trataram bem?
A atendente se desesperou, as outras se afastaram e a gerente da loja, que acompanhara a cena à distância, adiantou-se prontamente.
— Senhora Monteiro, nossa loja preza pela excelência no atendimento a todas as clientes. Se houve alguma falha, peço sinceras desculpas e espero que nos dê a oportunidade de reparar o ocorrido.
Helena manteve a serenidade.
— Está tudo bem. Tenho certeza de que, da próxima vez, esse tipo de confusão por causa da aparência não irá acontecer, não é mesmo? — Terminou a frase olhando diretamente para a atendente.
A atendente assentiu, enrubescida.
— Certamente, senhora. Perdoe-me.
Helena sorriu com gentileza.
— Agora, posso experimentar o vestido prateado?
A mulher ergueu os olhos, surpresa. Acostumada a clientes influentes que reagiam com arrogância e esnobava as vendedoras a ponto de humilhá-las sem dó, não esperava tanta elegância.
— Claro, senhora. Será um prazer.
Minutos depois, Helena saiu do provador. O vestido parecia ter sido criado para ela: o tecido cintilante acompanhava sua silhueta com delicadeza, valorizando-lhe a cintura fina, o corpo esguio e caindo em uma saia fluida que se abria suavemente a partir dos joelhos. Ela estava deslumbrante.
Outras clientes, que estavam na loja não puderam deixar de olhar as duas e sentir uma ponta de inveja
— Helena, você está simplesmente magnífica! — exclamou Laura.
— E você também está linda. Essa cor ficou perfeita em você.
Laura havia escolhido um vestido lilás adornado com pedrarias delicadas, cujo brilho discreto acompanhava seus movimentos. O corte elegante realçava sua figura esguia, enquanto a fenda lateral acrescentava sofisticação ao conjunto.
Havia outras clientes na loja que não conseguiram deixar de admirar as duas amigas, cuja beleza e elegância iluminavam o ambiente.
Helena gostou tanto do vestido prateado que nem sentiu necessidade de experimentar os demais modelos. Ainda assim, escolheu uma segunda peça: um delicado vestido rosa-claro, de tecido leve e esvoaçante, com alças de os ombros baixos e uma saia fluida que se movia com graça a cada passo. Imediatamente imaginou Bianca usando-o e teve a certeza de que seria o presente perfeito para a prima.
Após as compras, Helena se despediu de Laura e retornou para casa. Queria chegar a tempo de preparar o jantar para Eduardo.
Naqueles últimos dias, as refeições compartilhadas haviam se tornado um momento especial, e ela aguardava sua chegada com uma expectativa que já não conseguia esconder de si mesma.
Quando entrou em casa, a noite já havia caído. Pretendia tomar um banho rápido e seguir para a cozinha, mas ao entrar na casa quase levou um susto.
Eduardo estava sentado em um dos sofás da sala. Vestia uma camisa clara, com os primeiros botões abertos, e uma calça social. Na mão, segurava um copo de uísque; sobre a mesa de centro, repousava uma garrafa já aberta. A penumbra da sala e a forma como a observou deixavam claro que a esperava.
— Eduardo, chegou cedo hoje — disse ela.
Ele lançou um olhar para as bolsas em suas mãos.

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